Europa

Bósnia cede

Obedecer solenemente à poderosa (e corrupta) Fifa não é um privilégio apenas do Brasil, como tem sido visto no vergonhoso período pré-Copa de 2014. A Bósnia e Herzegovina sob a ameaça de se ver impedida de participar de competições europeias, tanto a seleção como os clubes, teve de rever seu estatuto para se adequar às exigências da entidade comandada por Joseph Blatter. A punição imposta pela Fifa se deu a então estrutura tripartite da Federação Bósnia, na qual havia um representante sérvio, um croata e um bósnio na sua presidência. Para a Fifa, só é permitido um presidente por federação e a Bósnia para permanecer nas disputas da Euro alterou seu estatuto depois de inicialmente se firmar contrária à mudança.

Como se não bastasse o absurdo de uma entidade privada (e corrupta, não custa enfatizar) como a Fifa alterar estatutos e até ferir leis nacionais em alguns casos (vide o fato de o país sede nas copas liberar a instituição do pagamento de impostos), a questão na Bósnia se mostra muito mais relevante, afinal a própria estrutura governamental do país é tripartite, justamente para atender a diversidade étnica do país depois do período de guerra, que culminou com a independência em 1995. A população da Bósnia apresenta suas particularidades étnicas e para evitar maiores conflitos do que os já existentes optou-se por essa estrutura na qual dividem o poder um sérvio, um croata e um bósnio-muçulmano num regime de república-presidencialista.

Por mais que seja péssimo para o futebol local estar fora de competições internacionais, até porque a seleção quase se classificou para a última Copa do Mundo e possui uma boa safra de jogadores (Dzeko, Pjanic, Ibisevic), a decisão de se render aos desejos da Fifa jamais pode ser defendida. Ao aceitar estas imposições, a Bósnia não apenas entra numa grande contradição, afinal o governo do país é tripartite para atender às diferentes etnias presentes na população, mas a federação nacional de futebol não precisa se adaptar ao mesmo cenário, como também reitera ainda mais o atual status de intocável da Fifa.

Ainda que se pondere a baixa força política da Bósnia na entidade – e no cenário futebolístico como um todo – é uma pena a opção adotada, mesmo que fosse para servir apenas como um protesto, digno protesto diga-se. Se a Bósnia mantivesse sua posição inicial de não alterar o estatuto, talvez se tornasse exemplo para algumas entidades mais fortes, como a CBF, para que estas resolvessem peitar a mandatária máxima do futebol mundial.

Ok, esperar que Ricardo Teixeira e sua corja trabalhem em prol do futebol é sonhar demais, principalmente se verificarmos que, passadas algumas semanas das denúncias de corrupção feitas pela Federação Inglesa, não mudou nada na Fifa e nem é provável que algo mude num futuro próximo. Ainda assim a Bósnia deveria ter dito não à mudança de estatuto. Infelizmente a Federação local preferiu manter a postura subserviente tão em voga entre os membros da Fifa. Enquanto isso Jack Warner de réu passou a testemunha nos processos de investigação sobre a compra de votos para o Catar sediar a Copa de 2022.

Já em campo, o time bósnio tem encontrado dificuldades nas eliminatórias para a Euro no grupo D. Atualmente é o terceiro na chave com dez pontos, três atrás da líder França e dois da vice, a Bielorrússia, que possui um jogo a mais. Nas quatro partidas restantes, a Bósnia duela ainda duas vezes frente a Bielorrússia e provavelmente esses confrontos devem decidir quem ficará com a segunda vaga no grupo, que garante um lugar nos playoffs. Vale lembrar que os primeiros colocados estão automaticamente classificados, assim como o melhor segundo, enquanto os demais vice-líderes duelam entre si pelas quatro vagas restantes.

Além dos dois jogos com o principal adversário pela vaga, a Bósnia ainda enfrenta a França fora de casa e Luxemburgo em casa. Também concorrendo pela segunda colocação estão Albânia e Romênia, ambas com oito pontos, dois atrás da Bósnia.

A Albânia faz uma campanha dentro de suas expectativas mais otimistas, ao ter conquistado duas vitórias (Luxemburgo e Bielorrússia) e ainda estar na briga. Já a Romênia, além de estar num período de entressafra de jogadores, convive com a demissão repentina do técnico Razvan Lucescu, filho do treinador do Shakhtar Mircea Lucescu. A demissão, segundo o técnico, foi devido às críticas pelos maus resultados nas eliminatórias. A saída de Lucescu veio um dia depois da Romênia bater a Bósnia por 3 a 0 e manter vivas as possibilidades de chegar ao menos em segundo na tabela. Para o lugar de Lucescu, foi chamado o ídolo Hagi, que recusou o convite.

Renovar é preciso

Depois de um começo preocupante, com uma derrota para a Lituânia em casa, a República Tcheca se recuperou e está na segunda colocação do grupo I das eliminatórias para a Euro 2012, atrás apenas da Espanha, com uma distância de seis pontos para a adversária. Desde a estreia aquém das expectativas a seleção tcheca venceu três jogos e perdeu apenas um, justamente para a própria Espanha. No entanto, mesmo na derrota, a República Tcheca complicou a vida dos atuais campeões mundiais. O jogo aconteceu na casa dos adversários e Plasil abriu o placar no primeiro tempo. Apenas na segunda etapa, os espanhóis conseguiram virar com dois gols de Villa.

Outro jogo importante foi a vitória sobre a Escócia, principal rival para terminar com a segunda colocação. Atualmente, a Escócia está cinco pontos atrás da República Tcheca, mas possui um jogo a menos. Atuando em Praga, os tchecos conseguiram uma vitória magra por 1 a 0 sobre os escoceses, mas que deu tranquilidade para o prosseguimento das eliminatórias.

O triunfo apertado também revela o que tem sido a base desta equipe: defesa firme, tanto que sofreu apenas três gols em cinco partidas (dois deles para a Espanha), enquanto o ataque deixa a desejar. O time marcou apenas seis gols nas cinco partidas. Fazer mais de um gol por jogo é outro luxo, só conseguiu duas vezes, ambas sobre a lanterna Liechtenstein.

Mas não é só o ataque que preocupa atualmente, já que a média de idade dos titulares é alta e não há um claro indício de renovação em andamento. A defesa – Cech (Chelsea), Hubnik (Hertha Berlim), Kadlec (Bayer Leverkusen), Sivok (Besiktas) e Pospech (Copenhagem) – tem média de 28,2 anos. O meio de campo que atuou contra a Espanha com Rosický (Arsenal), Plasil (Bordeaux), Hubschman (Shakhtar) e Pudil (Genk) também teve a mesma média. Se o veterano Polak (30), que eventualmente é titular na cabeça de área, entrar, a média sobe ainda mais.

No ataque, onde se concentra o grande problema da atual equipe, houve até agora um grande rodízio de jogadores, tanto que nenhum atuou como titular mais do que três vezes. Seis atacantes vestiram a camisa da seleção no onze inicial. Destes apenas Necid do CSKA Moscou e Fenin do Eintracht Frankfurt tem menos de 25 anos. Os demais – Lafata do Jablonec (Rep. Tcheca), Rezek do Plzen (Rep. Tcheca), Magera do Timisoara (Romênia) e Baros do Galatasaray (Turquia) – têm média de 28,8, sendo que o mais novo possui exatamente 28 anos.

Uma das esperanças é o aproveitamento dos jogadores da seleção sub-21, que chegou até as semifinais do europeu disputado na Dinamarca, eliminando na primeira a fase a favorita Inglaterra. A boa campanha do time sub-21 também serve de alento para que a renovação do elenco da seleção principal entre em curso finalmente. Com a vaga na semifinal, o passo da sub-21 tcheca é garantir um lugar nas Olimpíadas. Para isso precisa terminar entre os três primeiros do torneio europeu.

No ataque, um dos nomes mais comentados é o de Kozak, que terminou bem a temporada pela Lazio. Kozak também é considerado o novo Jan Koller, dadas as semelhanças no porte físico. Por sinal, Koller aos 38 anos ainda está em atividade, atuando pelo Cannes na terceira divisão francesa, depois da passagem pelo Krylya Sovetov da Rússia.

Outra opção é Thomas Pekhart, recém-contratado pelo Nuremberg para a próxima temporada. Pekhart tem um belo histórico com a seleção sub-21, sendo inclusive o maior artilheiro da história com 17 gols marcados. Pekhart possui o mesmo tipo físico de Kozak e Koller, já que tem 1,90 de altura. No meio de campo, Moravek surge como a principal promessa, inclusive tendo atuado na partida das eliminatórias contra a Liechtenstein em março.

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Equipe Trivela

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