Basel campeão

A notícia é nova, mas parece velha: ao derrotar o Lausanne por 3 a 1 neste domingo (29), o Basel conquistou o Campeonato Suíço. Algo que há muito tempo todos sabiam que iria acontecer, tamanha a superioridade dos RotBlau sobre seus adversários. Faltava somente esperar para ver quando isso ocorreria.
Este é o 15º título nacional do Basel, que consolida-se na posição de terceiro maior ganhador do Suição na história (o Grasshopper ergueu o troféu 27 vezes e o Servette, 17). É também a primeira vez que a equipe da Basileia ganha a competição por três temporadas consecutivas.
Os recordes não param por aí. Nunca antes na história do Campeonato Suíço um time havia se tornado campeão restando cinco rodadas para o fim.
A campanha feita pelo Basel é mesmo digna de entrar para a história. Até agora, foram 19 vitórias, oito empates e apenas duas derrotas. A última delas ocorreu no dia 20 de agosto: 3 a 1 para o Luzern, fora de casa. Desde então, somente na Super League, são 23 partidas de invencibilidade. Se não perder até o fim da competição, este número chegará a 28 jogos.
Para efeito de comparação, o Luzern – que está 18 pontos atrás e deve tornar-se o vice-campeão – venceu 12 jogos, empatou 11 e perdeu sete.
O Basel também é dono do melhor ataque do campeonato (63 gols marcados, média de 2,17 por jogo) e da melhor defesa (24 gols sofridos, média de 0,82 por partida).
Heiko Vogel, o nome do título
A bela história escrita pelo Basel na temporada 2011/12 não pode ser contada sem um grande capítulo dedicado ao técnico Heiko Vogel, um alemão de 36 anos (tinha 35 quando assumiu o cargo), que pela primeira vez na vida dirigiu um time profissional.
Vogel era assistente técnico do seu conterrâneo Thorsten Fink, que deixou o clube em outubro do ano passado, após quase dois anos e meio de trabalho, para comandar o Hamburg, da Alemanha. Na época, Fink tentou levar o amigo consigo, mas a proposta feita pela diretoria do Basel foi mais sedutora e Vogel resolveu ficar.
Na época, muita gente (inclusive este colunista) pôs em xeque o que o novo treinador seria capaz. O Basel era apenas o terceiro colocado no campeonato nacional (as duas únicas derrotas já tinham acontecido) e teria duros duelos contra Benfica e Manchester United pela fase de grupos da Liga dos Campeões. Havia a dúvida também sobre como veteranos como Alex Frei e Marco Streller, líderes do elenco, reagiriam às ordens de alguém tão novo e com pouca experiência.
Por outro lado, Vogel tinha a seu favor o fato de que não era um desconhecido no clube. Seu tempo como assistente havia criado um elo de amizade com os jogadores, algo que, mesmo num cargo que exige mais atritos, ele soube manter. Foi um de seus méritos.
O outro foi ter a humildade de compreender que Fink vinha fazendo um grande trabalho (havia sido bicampeão nacional e campeão da Copa da Suíça) e não havia motivos para mudar um estilo de jogo que estava dando certo. Ele manteve, então, o 4-4-2 bem tradicional, com Alex Frei e Marco Streller à frente, recebendo bolas caprichosas de Xherdan Shaqiri e Granit Xhaka.
Para resumir o sucesso de Vogel, basta dizer que o Basel nunca mais perdeu um jogo em competições nacionais (na Copa da Suíça, fará a final contra o Luzern no dia 16 de maio) e surpreendeu a Europa ao eliminar o Manchester United na fase de grupos e vencer a partida de ida contra o Bayern Munique pelas oitavas de final da Liga dos Campeões.
Festa e futuro
A festa pelo 15º título, que começou tímida no St. Jakob-Park lotado por 36 mil torcedores, tornou-se grandiosa na praça central da Basileia, onde centenas de milhares de torcedores comemoraram junto com os jogadores e a comissão técnica.
Ainda no gramado, um enorme troféu feito de borracha simbolizava a conquista e passou de mão em mão entre os atletas. A taça de campeão será oficialmente entregue na última rodada, dia 23 de maio, quando o Basel recebe o Young Boys.
No vestiário, os jogadores entraram juntos numa grande jacuzzi e festejaram com muita cerveja. E não faltou também o tradicional banho no técnico, surpreendido durante a entrevista coletiva.
A dúvida que fica, agora, é sobre o futuro do Basel. Shaqiri foi negociado com o Bayern, Xhaka está de saída para o Borussia Mönchengladbach, Benjamin Huggel deve encerrar a carreira, Alex Frei e Marco Streller estão um ano mais velhos. Ou seja: a diretoria terá trabalho para procurar substitutos dos ídolos, seja em curto ou médio prazo.
É certo que a fragilidade dos demais times suíços é bem grande, o que deve colaborar para que os RotBlau mantenham sua hegemonia dentro do país. Mas é certo também que o torcedor da Basileia está aprendendo a sonhar cada vez mais alto – e a cobrar por isso.
CURTAS
ÁUSTRIA
– Restando quatro rodadas para o fim da Bundesliga austríaca, Rapid Viena e Red Bull Salzburg farão um jogo decisivo no próximo domingo, 6 de maio, em Viena.
– O Red Bull lidera com três pontos de vantagem e na rodada deste final de semana ganhou do Mattersburg por 1 a 0. O Rapid também venceu: 3 a 2 sobre o Ried.
– Quem se recuperou foi o Austria Viena: 3 a 0 sobre o Wacker Innsbruck. Os violetas brigam com o Admira (que ganhou do Wiener Neustadt por 4 a 1) pelo terceiro lugar. Eles estão empatados, com 48 pontos, oito a menos que o líder.
– Na Erste Liga, o St. Andrä ganhou do Altach por 1 a 0 e segue quatro pontos à frente do Austria Lustenau, que bateu o Hartberg por 2 a 0.
SUÍÇA
– O Sion está cada vez mais próximo de disputar o playoff do rebaixamento contra o vice-campeão da Challenge League, a segunda divisão. Com o empate por 1 a 1 com o Thun, o time ficou nove pontos atrás do Lausanne, restando apenas quatro jogos a disputar.
– Christian Gross não resistiu à derrota do Young Boys para o Servette (2 a 1) e foi demitido. O YB está em terceiro lugar, apenas um ponto à frente do Thun.
– O St. Gallen, líder da Challenge League, empatou em casa com o Winterthur por 1 a 1. O Bellinzona, vice-líder, também jogou em seus domínios e venceu o Brühl por 3 a 1. A diferença entre eles é de oito pontos.



