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Guardiola? Tata? Não importa. Barcelona está nas oitavas

A cada jogo, o futebol do Barcelona muda de proprietário. É de Tata Martino ou de Pep Guardiola e de Tito Vilanova. Às vezes, dependendo do analista, é de todos em uma mesma partida. Esse esquizofrênico time que ainda não descobriu a sua identidade varia do tiki-taka para um estilo mais objetivo, com contra-ataques e lançamentos. Mais sul-americano, à imagem e semelhança do seu treinador argentino. E daí? O clube catalão ainda não precisa ter uma cara. Misturando tudo, venceu o Milan e se classificou para as oitavas da Liga dos Campeões.

Quando precisou, o Barcelona foi o time do Guardiola. Viu uma equipe italiana muito recuada, fechando a entrada da área. Então, se lembrou daquelas primaveras gloriosas em que ficava tocando a bola durante horas antes de tentar uma investida. Tentou poucas, mas controlou o jogo, com picos de 70% de posse de bola, média parecida à de tempos atrás. Esperou o vacilo do Milan.

O erro acabou sendo cometido pelo árbitro sérvio Milorad Mazic que viu pênalti de Ignazio Abate em Neymar. O brasileiro mal foi tocado pelo lateral adversário, mas caiu na área com a leveza e a graça de um Ashley Young. Lionel Messi cobrou com firmeza e encerrou o exagerado jejum de três partidas sem marcar. A defesa italiana enfim falhou, dez minutos depois, e deixou Sergio Busquets livre para completar, de cabeça, uma falta batida por Xavi. Posse e gols em jogadas de bola parada.

Se tem uma coisa constante nos três treinadores é uma defesa frágil. Daniel Alves tentou perseguir Kaká como se fosse um Fiat Uno tirando racha com uma Ferrari – o sonho de todo brasileiro. Comeu poeira. O cruzamento rasteiro desviou no pé de Gerard Piqué e enganou Victor Valdés. Foi praticamente tudo que o meia fez no jogo, o que já o coloca acima de Robinho na hierarquia dos atletas do Milan no Camp Nou.

O pedalador, recentemente convocado por Luiz Felipe Scolari para a seleção brasileira, quase não tocou na bola. Tanto que a entrada de Mario Balotelli pareceu transformar o Milan em um time com 11 jogadores em campo. Pela direita, aproveitando a fragilidade crônica do sistema defensivo catalão, o italiano criou as melhores jogadas do seu time, que parecia próximo do empate.

O Barcelona, porém, matou o jogo voltando, digamos, às origens. Tabela linda entre Messi e Fábregas, o argentino adiantou a bola e saiu na cara de Christian Abbiati. Tocou por cima. Um gol que fez milhões de vezes com Guardiola e fará mais algumas com Tata Martino. Porque esse time, por enquanto, não precisa ser definido. Não precisa parecer com um ou com outro. Pode usar o estilo que desejar dependendo das circunstâncias da partida. Até agora, está dando certo, embora não tenha havido um grande teste. Quando encontrar com um gigante mais à frente na Liga dos Campeões – o Bayern de Pep, talvez -, vai mostrar qual é a sua verdadeira cara.

Destaque do jogo

Houve uma histeria bem exagerada pelos três jogos que Lionel Messi passou sem marcar. É o custo de acostumar torcida  e imprensa com uma média superior a um gol por partida. Esqueçam tudo isso. O argentino fez as pazes com as redes e mandou duas bolas de presente para ela. Foi decisivo, como quase sempre, na vitória do Barcelona.

Momento chave

O Barcelona dominou o primeiro tempo e abriu 2 a 0. O gol contra de Piqué, após linda jogada de Kaká, deu ânimo ao Milan, que voltou muito melhor do intervalo. Os italianos, com Balotelli no lugar de Robinho, aproveitaram a frágil defesa catalã e o empate parecia bater na porta. Messi trancou-a após tabela com Fábregas, marcou o terceiro do Barça e definiu a vitória.

Os gols

30’/1T – GOL DO BARCELONA! Ignazio Abate encosta em Neymar e o brasileiro despenca dentro da grande área. Nada, mas o árbitro Milorad Mazic achou pênalti. Messi cobrou bem e abriu o placar.

40’/1T – GOL DO BARCELONA! Xavi cobrou falta dentro da grande área. A defesa do Milan fez a gentileza de deixar Sergio Busquets sozinho, e o volante completou de cabeça para as redes.

45’/1T – GOL DO MILAN! Kaká voltou aos seus 20 anos e arrancou pela ponta esquerda. Daniel Alves até tentou correr atrás, mas parecia uns 15 anos mais velho e comeu poeira. O cruzamento rasteiro do meia brasileiro do Milan para trás encontrou o pé de Piqué, que desviou e traiu Victor Valdés.

38’/2T – GOL DO BARCELONA! À moda antiga, Messi tabelou com Fábregas, invadiu a área e chutou por cima de Abbiati. Dali, ele não perde nunca.

Ficha técnica

BARCELONA 3 X 1 MILAN

Barcelona_escudo Barcelona
Victor Valdés; Daniel Alves, Gerard Piqué, Javier Mascherano e Adriano; Sergio Busquets, Andrés Iniesta (Cesc Fábregas, 33’/2T) e Xavi Hernández (Alex Song, 43’/2T); Alexis Sánchez, Lionel Messi e Neymar (Pedro, 40’/2T)Técnico: Tata Martino.
Milan Milan
Christian Abbiati; Ignazio Abate, Philippe Mexès, Christian Zapata e Urby Emanuelson; Nigel De Jong, Sulley Muntari, Andrea Poli (Valter Birsa, 29’/2T) e Riccardo Montolivo; Robinho (Mario Balotelli, intervalo) e Kaká (Alessandro Matri, 39’/2T) Técnico: Massimiliano Allegri
Local: Camp Nou, em Barcelona
Árbitro: Milorad Mazic (SER)
Gols: Lionel Messi, 30’/1T e 38’/2T; Sergio Busquets, 40’/1T; Gerard Piqué (contra), 45’/1T
Cartões amarelos: Ignazio Abate, Sulley Muntari e Nigel De Jong (Milan); Alexis Sánchez (Barcelona)
Cartões vermelhos: Nenhum

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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