Europa

Balotelli marcou um golaço e provocou o técnico do Besiktas, que anos atrás disse que o atacante “não tinha cérebro”

Em 2013, Sergen Yalcin deu a declaração após um lance bisonho de Balotelli e a resposta veio oito anos depois

O Adana Demirspor protagonizou uma reação espetacular na rodada do Campeonato Turco, ao buscar o empate por 3 a 3 contra o Besiktas na Vodafone Arena. Tudo parecia encaminhado ao triunfo das Águias, que abriram três gols de vantagem, quando o clube recém-promovido conseguiu a inesperada reviravolta. E um personagem especial se sobressaiu na noite em Istambul: Mario Balotelli, sempre ele. O italiano não só marcou um golaço de fora da área, o segundo de sua equipe, como ainda participou do tento que garantiu o placar final aos 51 do segundo tempo. Super Mario, aliás, faria uma de suas famosas “balotellices”. Na comemoração do gol, o atacante correu para o banco adversário e apontou à cabeça. Era uma provocação direta ao técnico Sergen Yalcin, que ainda em 2013 havia dito que o jogador “não tinha cérebro”.

A declaração aconteceu após um amistoso do Manchester City, pelo qual Balotelli atuava na época, contra o Los Angeles Galaxy. Durante um contra-ataque aberto, o italiano fez uma gracinha com a bola e tentou marcar o gol de calcanhar, no que soou como um menosprezo aos adversários. Os próprios companheiros se irritaram e o atacante foi imediatamente substituído pelo técnico Roberto Mancini, com quem ainda discutiu na beira do campo. Antigo meia da seleção turca e então comentarista na TV local, Yalcin declarou que Super Mario não tinha cérebro por tentar aquele tipo de lance.

Provavelmente Balotelli não guardou mágoa por tanto tempo, mas a declaração voltou à tona antes do embate entre Besiktas e Adana Demirspor nesta terça. Seria a chance de dar uma resposta, mesmo que os alvinegros fossem favoritos na Vodafone Arena. O Demirspor tenta emplacar na primeira divisão, após o acesso recente, com uma equipe de muito investimento e vários jogadores rodados. Balotelli foi mais um na lista de reforços badalados, que inclui ainda Younès Belhanda e Gökhan Inler, além do técnico Vincenzo Montella.

Durante o primeiro tempo, tudo parecia dentro do roteiro para o Besiktas. Javi Montero e Souza (numa bobeira imensa do goleiro adversário) marcaram os primeiros gols das Águias, que ainda ampliaram com Ridvan Yilmaz no início da segunda etapa. A reação do Adana Demirspor começou com um belo gol de falta de Matías Vargas. Isso até Balotelli sair do banco, aos 22.

Aos 34, Super Mario acertou um chutaço de fora da área e encobriu o goleiro Ersin Destanoglu. Pintura. Na comemoração, veio o gesto para Yalcin, com o atacante apontando os dedos para os lados da cabeça e depois para o treinador. Apesar do mal-estar, ficaria por isso mesmo. Pois tinha mais do italiano, que no apagar das luzes desviou uma cobrança de escanteio com a cabeça para Britt Assombalonga garantir o empate. Após o apito final, sobrou tempo para mais confusão envolvendo os times, com o banco de reservas do Besiktas partindo para cima de Balotelli depois de mais provocações e risadas.

Após o jogo, Yalcin condenou a falta de respeito de Balotelli em sua comemoração e disse que preferiu “agir com classe”, sem entrar na pilha do adversário. Já o atacante usou suas redes sociais para provocar um pouco mais: “Nós temos cérebro e, especialmente, temos colhões e coração! Um coração muito grande e temos orgulho disso”. O resultado põe em xeque a liderança do Besiktas, que soma 14 pontos, mas pode ser ultrapassado pelo Trabzonspor e pelo Konyaspor na sequência da rodada da Süper Lig. Já o Adana Demirspor precisa melhorar bastante, com seis pontos, um acima da zona de rebaixamento. Ao menos, Balotelli já tem sua primeira história para contar no novo clube.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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