Europa

Balanço de inverno

O Campeonato Suíço chegou ao final de dois dos seus quatro turnos e mostrou que não foi em vão a grande expectativa criada em torno da competição antes da bola rolar.

Fora de campo, o clima também foi quente. O Sion vai brigando contra tudo e todos e pode colaborar para uma tragédia nacional – a suspensão da Suíça pela Fifa. O Neuchâtel Xamax e seu dono misterioso também ganhou o noticiário da imprensa internacional, seja pela obsessão em demitir técnicos ou pela falta de comprovação do próprio orçamento.

Dentro de campo, o Basel, que demorou um pouco a se firmar, desandou a ganhar jogos e já lidera com facilidade. Seus adversários, pelo menos os mais tradicionais, pouco têm feito para atrapalhar a vida do time da Basileia. Dois deles, o Zürich e o Grasshopper, chegam ao final do ano preocupados com a possibilidade do rebaixamento. Outro, o Young Boys, está bem abaixo do prometido.

Confira abaixo um resumo do que cada time fez na temporada de inverno do Suição 2011/2012.

Basel
Campanha: 1° colocado com 38 pontos (11V, 5E, 2D, 38GP, 17GC)
Destaques: Alexander Frei, Marco Streller, Xherdan Shaqiri
Média de público: 29.345
Objetivo: título
Palpite da coluna: título

A metade da temporada foi simplesmente sensacional para o Basel. Não bastasse a liderança com folga e o amplo favoritismo na briga pelo tricampeonato suíço, a equipe ainda entrou para a história ao eliminar o poderoso Manchester United e garantir vaga nas oitavas de final da Liga dos Campeões. Tem o artilheiro do campeonato (Alexander Frei, com 11 gols), o líder em assistências (Marco Streller, com oito) e está invicto há 12 jogos (levando-se em conta apenas a Super League). E tudo isso depois de perder o técnico Thorsten Fink para o Hamburg e apostar no novato Heiko Vogel. Se mantiverem a cabeça no lugar, os RotBlau levantam o troféu fácil, fácil.

Grasshopper
Campanha:
9° colocado com 19 pontos (6V, 1E, 11D, 19GP, 36GC)
Destaques: Innocent Emeghara, Frank Feltscher e Orhan Mustafi
Média de público: 6.222
Objetivo: fuga do rebaixamento
Palpite da coluna: meio da tabela

Já se esperava que os gafanhotos não brigariam pela ponta da tabela, mas terminar o ano na zona do playoff do rebaixamento é um pouco demais. Um reflexo da fase terrível: o atacante Innocent Emeghara, que deixou o clube em agosto e jogou apenas sete partidas, ainda é o artilheiro do time no campeonato, com cinco gols. E a torcida protagonizou cenas horríveis no dérbi contra o Zürich, com encapuzados atacando os rivais. Mas, tem muita tradição e, por isso, ainda pode se salvar.

Lausanne
Campanha: 10° colocado com 11 pontos (3V, 2E, 13D, 16GP, 44GC)
Destaque: Matt Devlin Moussilou
Média de público: 6.527
Objetivo: fuga do rebaixamento
Palpite da coluna: rebaixamento

O que esperar de um time que toma 44 gols em 18 jogos? O rebaixamento. E ele só não virá para o Lausanne se o Neuchâtel Xamax for à falência ou se o Sion perder muitos pontos por conta do imbróglio judicial em que se meteu e não tiver tempo de recuperação. Se depender do futebol praticado dentro de campo, o retorno da equipe à segunda divisão é quase certo e a campanha pífia feita até agora é prova disso. As melhores notícias a respeito do time foram as ações de marketing inovadoras (como a que colocou pessoas dentro de bolas infláveis gigantes percorrendo a pista de atletismo) e a comemoração de Nicolas Marin, que pulou na arquibancada para abraçar o filho depois de marcar um dos gols da rara vitória sobre o Grasshopper, na última rodada de 2011.

Luzern
Campanha:
2° colocado com 31 pontos (9V, 4E, 5D, 25GP, 15GC)
Destaques: Davi Zibung, Adrian Winter e Yakin Hakan
Média de público: 15.653
Objetivo: título
Palpite da coluna: Liga Europa

Não fosse a extraordinária reação do Basel, o Luzern poderia ter repetido o feito do ano passado, quando terminou a temporada de inverno em primeiro lugar. Comandado pelo estrategista Murat Yakin, o
time apresentou um futebol à altura do novo estádio, inaugurado para a disputa deste campeonato. Só perdeu a liderança na 14ª rodada, quando o fôlego parece ter diminuído – antes, chegou a emplacar cinco vitórias consecutivas. Como perdeu os dois últimos jogos, sendo um deles para o Basel, deixou o líder se distanciar sete pontos. Tem a melhor defesa da competição, mas o ataque é o que menos produz entre os primeiros colocados.

Neuchâtel Xamax
Campanha:
5° colocado com 26 pontos (7V, 5E, 6D, 22GP, 22GC)
Destaques: Kalu Uche e Angel Javier Arizmendi
Média de público: 4.149
Objetivo: meio da tabela
Palpite da coluna: meio da tabela

Com todos os problemas que vem passando, estar em quinto lugar é um milagre para o Xamax. E o milagreiro, no caso, atende pelo nome do espanhol Victor Muñoz, o terceiro treinador da equipe ao longo do campeonato. Ao que parece, Muñoz soube separar o elenco dos problemas causados pelas loucuras de Bulat Chagaev, o excêntrico milionário checheno que comprou o Xamax e vem causando a ira dos torcedores. Por causa dele, o time perdeu quatro pontos na tabela (foi punido por não pagar direitos sociais e salários) e ainda pode ser declarado falido, caso o cartola seja condenado num processo no qual é acusado de falsificar documentos para comprovar sua capacidade de gerir o clube financeiramente.

Servette
Campanha:
6° colocado com 24 pontos (7V, 3E, 8D, 25GP, 29GC)
Destaques: Goran Karanovic, Matias Vitkieviez e Antonio Azevedo
Média de público: 10.889
Objetivo: meio da tabela
Palpite da coluna: meio da tabela

Apesar de tradicional (é o segundo maior vencedor da história do Campeonato Suíço), fazer uma campanha apenas mediana estava nos planos do Servette, que retornou à primeira divisão nesta temporada. Mas o time sofreu muito com a própria irregularidade ao longo dos dois primeiros turnos da Super League: em apenas uma oportunidade, conseguiu ganhar mais de um jogo seguido. Quem pagou o pato foi o treinador português João Alves, substituído por seu compatriota João Carlos Serra Ferreira Pereira. E quem não está pagando as contas é o próprio clube. Os Grenats devem salários de alguns jogadores e faturas de água e energia elétrica.

Sion
Campanha:
3° colocado com 31 pontos (9V, 4E, 5D, 26GP, 17GC)
Destaques: Giovanni Sio e Vilmos Vanczak
Média de público: 11.077
Objetivo: Liga Europa
Palpite da coluna: meio da tabela

O balanço é sobre a primeira parte do Campeonato Suíço, mas é impossível citar o Sion sem lembrar os problemas causados pela briga de Christian Constantin, o dono do clube, com a Uefa e a Fifa. Por
causa do imbróglio, a Suíça poderá ser suspensa pela Fifa, o que causaria prejuízos enormes ao futebol do país. Por sua vez, o próprio Sion corre o risco de perder três pontos para cada jogo que escalou
pelo menos um dos seis jogadores inscritos de maneira supostamente irregular. Tudo isso ofusca o bom trabalho desenvolvido por Laurent Roussey, que levou um time apenas mediano ao terceiro lugar da Super League e tem dois dos vice-artilheiros da competição: Giovanni Sio e Vilmos Vanczak.

Thun
Campanha:
7° colocado com 23 pontos (6V, 5E, 7D, 21GP, 21GC)
Destaques: Mauro Lustrinelli e Christian Schneuwly
Média de público: 6.520
Objetivo: meio da tabela

Palpite da coluna: playoff do rebaixamento Os seis jogos de invencibilidade no começo do campeonato deram ao torcedor do Thun a esperança de uma grande campanha. Mas ela se esvaiu a partir de agosto, quando veio a série de oito partidas consecutivas sem vencer. Os triunfos só voltaram a acontecer nas rodadas finais. Tamanha irregularidade faz do Thun um grande candidato a ocupar a zona do playoff do rebaixamento. Se é verdade que terminou o ano duas posições acima deste nada honroso posto, também é verdade que seus dois principais concorrentes, Zürich e Grasshopper, têm mais tradição, o que pode pesar. O lado bom da campanha é a boa performance de Christian Schneuwly, vice-líder em assistências do campeonato. Dos passes dele nasceram sete (ou um terço) dos gols do Thun.

Young Boys
Campanha:
4° colocado com 27 pontos (7V, 6E, 5D, 26GP, 17GC)
Destaques: Emmanuel Mayuka e Alexander Farnerud
Média de público: 23.466
Objetivo: título
Palpite da coluna: Liga Europa

A maior decepção da primeira parte do Campeonato Suíço veste as cores amarela e preta. O Young Boys investiu pesado antes da bola rolar, contratou o consagrado técnico Christian Gross (maior vencedor do Suição na história recente) e mostrou que estava realmente disposto a quebrar o jejum de 25 anos sem título. Mas a quarta colocação e os 11 pontos de distância do líder mostram que alguma coisa não saiu como o planejado. Dos cinco times que ocupam a metade de baixo da classificação o YB conseguiu ser derrotado por quatro – só ganhou do lanterna Lausanne. Essa inconstância e a dependência dos gols de Emmanuel Mayuka explicam o semestre bem abaixo das pretensões e da capacidade de Gross.

Zürich
Campanha:
8° colocado com 21 pontos (6V, 3E, 9D, 26GP, 26GC)
Destaques: Admir Mehmedi e Alexandre Alphonse
Média de público: 10.722
Objetivo: meio da tabela
Palpite da coluna: meio da tabela

Outra decepção da Super League, o Zürich finaliza a primeira metade do campeonato seriamente preocupado com a briga contra o rebaixamento. É uma situação terrível para quem vem dominando a competição nos últimos tempos (juntamente com o Basel) e que antes do campeonato começar até sonhava em disputar a ponta. A dupla de ataque Admir Mehmedi e Alexandre Alphonse decepcionou e foi responsável por apenas sete gols (ainda assim, eles são os artilheiros do time). O técnico Urs Fischer reclama que os jogadores têm sido “moles demais”. E a torcida vai amargando uma posição extremamente incômoda para quem está acostumado a brigar no topo.

 

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Equipe Trivela

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