Europa

Balanço da Süper Lig

Os clubes podem não ser os mais tradicionais e nem os principais jogadores do mundo estão em campo. No entanto, o Campeonato Turco fechou 2010/11 como um dos melhores da temporada europeia. A batalha rodada a rodada entre Fenerbahçe e Trabzonspor prorrogou a decisão até a última rodada, quando a taça só foi dada aos Sari Kanaryalar por conta do saldo de gols.

Mais abaixo na tabela, o Bursaspor usou a competição para confirmar um novo jogo de forças no país, que não se limita mais aos três grandes clubes de Istambul. O Besiktas, aliás, mesmo com contratações bombásticas, só salvou a temporada graças à vitória na Copa da Turquia. O Galatasaray nem isso conseguiu e, depois de flertar com a pior campanha de sua história durante boa parte do campeonato, espera que as vitórias na reta final indiquem um futuro menos nebuloso. Entre os pequenos, ainda vale mencionar a arrancada do Gaziantepspor rumo à Liga Europa, bem como os desempenhos regulares de Eskisehirspor e Kayserispor.
Confira nas linhas abaixo um resumo sobre os 18 times que disputaram a Süper Lig 2010/11 e o que fica da competição para a próxima temporada:

Fenerbahçe

Colocação final: 1º (classificado para a Liga dos Campeões)
Previsão no início da temporada: Título
Campanha: 82P 34J 26V 4E 4D 84GP 34GC (Ap. 88,2% em casa e 72,5% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 1º (por 10 rodadas) e 9º (quinta rodada)
Transferências (milhões de euros): 19,4 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Preliminares da Liga Europa e da Liga dos Campeões
Copa Nacional: Fase de grupos
Técnico: Aykut Kocaman
Principal jogador: Alex
Decepção: Colin Kazim-Richards
Artilheiro: Alex (28 gols)
Líder em assistências: Alex (17 passes para gol)

Um péssimo início, a recuperação e a consequente arrancada rumo ao título. As primeiras semanas da temporada não foram nada agradáveis ao Fenerbahçe, que, entre julho e agosto, caiu tanto nas fases qualificatórias da Liga dos Campeões quanto da Liga Europa. A largada na Süper Lig também foi cambaleante e, depois de cinco rodadas, os Sari Kanaryalar estavam apenas na nona colocação. Apesar do maremoto, o recém-chegado técnico Aykut Kocaman foi mantido no cargo e ganhou tempo para colocar a equipe nos eixos. Ao fim de 2010, o Fener já era o terceiro colocado e, sem nenhuma contratação no inverno, fez uma campanha quase perfeita no segundo turno. Dos 51 pontos disputados em 2011, o clube de Istambul conquistou nada menos que 49 – o único deslize foi o empate por 0 a 0 com o Bursaspor. Além disso, o time emplacou goleadas históricas, o que ajudou no desempate com o Trabzonspor, e não perdeu um jogo sequer em casa. O título, por fim, foi a consequência mais que merecida por uma trajetória tão impressionante.

Apesar da funcionalidade de boa parte dos jogadores, os louros devem ser dados a Alex. O meia brasileiro fez a sua melhor temporada na Turquia, participando diretamente de mais da metade dos gols do Fener no campeonato. Liderança explícita, o camisa 10 só não disputou uma partida da Süper Lig e, ao longo da disparada no segundo turno, só passou em branco em quatro partidas. Ao seu lado, o grande escudeiro no ataque foi Mamadou Niang, contratado após ser artilheiro na Ligue 1 e que contribui bastante para fazer do ataque Sari Kanaryalar o mais efetivo da Turquia. No meio-campo, em uma formação 4-2-3-1, a consistência foi dada principalmente pelos rodados Emre e Mehmet Topuz. Já na defesa, o zagueiro Yobo entrou bem entre os titulares, enquanto Volkan manteve a segurança debaixo dos paus. Lugano, por sua vez, foi mais uma vez o melhor zagueiro da competição e, além de ajudar na marcação, ainda contribuiu no ataque com impressionantes oito gols.

Trabzonspor

Colocação final: 2º (classificado para a Liga dos Campeões)
Previsão no início da temporada: Competições
Campanha: 82P 34J 25V 7E 2D 69GP 23GC (Ap. 72,4% em casa e 82,3% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 1º (por 16 rodadas) e 4º (sexta rodada)
Transferências (milhões de euros): 6,9 em compras e 1,6 em vendas
Competição continental: Preliminares da Liga Europa
Copa Nacional: Fase de grupos
Técnico: Senol Günes
Principal jogador: Burak Yilmaz
Decepção: Teófilo Gutiérrez
Artilheiro: Burak Yilmaz (19 gols)
Líder em assistências: Selcuk Inan (13 passes para gol)

O título da Copa da Turquia em 2010 trazia boas perspectivas, mas o Trabzonspor foi além nesta temporada. Senol Günes parece funcionar como uma força mágica dentro do clube e, no banco de reservas, mais uma vez foi responsável por uma campanha histórica na Süper Lig. Logo em agosto, o time foi eliminado pelo Liverpool nas fases preliminares da Liga Europa. A queda, contudo, não foi tão sentida assim e ajudou o time a ter dedicação total ao campeonato nacional. Em onze rodadas, a Karadeniz Firtinasi assumiu a liderança e, derrotada apenas uma vez até dezembro, ficou com o título simbólico do primeiro turno. A folga na primeira posição causou um relaxamento natural e, no início de 2011, a equipe passou três jogos sem vencer (uma derrota e dois empates). O suficiente para que o Fenerbahçe os alcançasse no topo e começassem a célebre perseguição. Mesmo fechando o campeonato com uma série de 15 jogos invictos, os Bordo-Mavililer não fizeram saldo o necessário para retomar a ponta.

Ao longo da campanha, a defesa permaneceu praticamente intransponível e manteve a média de 0,67 gols sofridos por jogo – foram nada menos que 19 partidas sem sofrer um gol sequer. Nem a contusão sofrida pelo titularíssimo Onur Kivrak atrapalhou e, quando exigido, o reserva Tolga Zengin deu conta do recado. No miolo de zaga, mesmo com a aposentadoria de Rigobert Song, Korkmaz e Cale formaram dupla segura. Destaques antigos do meio-campo, Gustavo Colman e Alanzinho, mesmo reserva, fizeram bem os seus papéis. Quem destoou mesmo no setor, todavia, foram Selcuk Inan e, sobretudo, Burak Yilmaz, autor de gols importantíssimos no segundo turno. Na frente, Umut Bulut de novo foi letal e Jajá ocupou bem o espaço deixado por Teófilo Gutiérrez – desafeto da torcida após abandonar o clube mesmo com média de quase um gol por jogo no início da temporada.

Bursaspor

Colocação final: 3º (classificado para a Liga Europa)
Previsão no início da temporada: Título
Campanha: 61P 34J 17V 10E 7D 50GP 29GC (Ap. 60,7% em casa e 58,8% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 1º (por 8 rodadas) e 6º (primeira rodada)
Transferências (milhões de euros): 1,2 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Fase de grupos da Liga dos Campeões
Copa Nacional: Fase de grupos
Técnico: Ertugrul Saglam
Principal jogador: Ömer Erdogan
Decepção: Jozy Altidore
Artilheiro: Sercan Yildirim (7 gols)
Líder em assistências: Pablo Batalla (13 passes para gol)

Depois do primeiro título na Süper Lig, o Bursaspor sabia que ia ser muito difícil repetir o feito. Contudo, contando com a manutenção da base campeã e trazendo nomes de qualidade durante o início da temporada, a previsão era a de que a luta pela taça se mantivesse, bem como a equipe realizasse um papel digno na Liga dos Campeões. Os anseios na competição continental foram despedaçados rapidamente e, com apenas um ponto em seis jogos, os Yesil Timsah tiveram o terceiro pior desempenho da fase de grupos. Apesar do acúmulo de jogos, ainda assim o clube teve boa largada no Campeonato Turco e, revezando entre a primeira e a segunda posição, fechou o primeiro turno com apenas duas derrotas. Por incrível que pareça, a queda só viria quando a equipe passou a se dedicar somente aos torneios domésticos. Com a arrancada do Fenerbahçe, o Bursaspor caiu para terceiro e, mesmo vencendo só cinco de seus últimos doze jogos, conseguiu segurar o posto e a classificação à Liga Europa.

Apesar de muitos dos jogadores responsáveis pelo título não terem sido negociados, a maior parte deles não repetiu a boa forma, o que explica bastante sobre os seguidos tropeços. A começar pelo gol, onde Dimitar Ivankov foi apenas um arremedo do melhor goleiro da Süper Lig 2009-10. No meio-campo Volkan Sen e Ozkan Ipek também fizeram bem menos do que na campanha anterior, enquanto o artilheiro Sercan Yildirim frequentou o banco em várias ocasiões. Para não falar que o elenco foi só feito de decepções, Ömer Erdogan coordenou a defesa para que fosse uma das melhores do campeonato e Pablo Batalla foi a grande arma criativa durante toda a competição.

Gaziantepspor

Colocação final: 4º (classificado para a Liga Europa)
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 59P 34J 17V 8E 9D 44GP 33GC (Ap. 60,7% em casa e 58,8% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 4º (por 9 rodadas) e 15º (por duas rodadas)
Transferências (milhões de euros): 10,3 em compras e 0 em vendas
Competição continental: nenhuma
Copa Nacional: Semifinais
Técnico: Tolunay Kafkas
Principal jogador: Cenk Tosun
Decepção: Cristian Zurita
Artilheiro: Olcan Adin (12 gols)
Líder em assistências: Ismael Sosa (9 passes para gol)

A pré-temporada não fazia se imaginar nenhuma grande campanha para o Gaziantepspor. Com alguns novos reforços e Tolunay Kafkas assumindo o comando técnico, o time se manteve tímido a longo do primeiro turno. Sem vencer nas cinco primeiras rodadas, oscilou na faixa central da classificação, subindo posto a posto bem devagar. A grande escalada viria apenas a partir do início de 2011, quando chegaram jogadores como Wagner e Cenk Tosun para a equipe, enfim, deslanchar. Foram nada menos que nove partidas invictas, que, combinadas com a queda do Kayserispor, botaram os Sahinler na Liga Europa.

Ao longo de toda a temporada, alguns nomes se mantiveram em alta, como o do bom goleiro Zydrunas Karcemarskas, dos meias Murat Ceylan e Olcan Adin e do zagueiro do zagueiro Emre Güngor, que mesmo recém-chegado assumiu a braçadeira de capitão. Do elenco que restou do último campeonato, no entanto, muitos ficaram abaixo do desempenho esperado, como o antigo artilheiro Julio César e o argentino Cristian Zurita. Por sorte, as já mencionadas contratações de inverno foram cirúrgicas e empurraram o Gaziantepspor para cima, sobretudo Cenk Tosun. Vindo do Frankfurt por pouco mais de meio milhão de euros, o atacante resolveu quando acionado e, com apenas 14 jogos, chegou à incrível marca de dez gols e seis assistências.

Besiktas

Colocação final: 5º (classificado para a Liga Europa)
Previsão no início da temporada: Título
Campanha: 54P 34J 15V 9E 10D 53GP 36GC (Ap. 56,8% em casa e 49% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 2º (sexta rodada) e 10º (segunda rodada)
Transferências (milhões de euros): 11,6 em compras e 2,8 em vendas
Competição continental: Dezesseis-avos de final
Copa Nacional: Campeão
Técnico: Bernd Schuster (mar/11) e Tayfur Havutcu
Principal jogador: Guti
Decepção: Nihat Kahveci
Artilheiro: Bobô (8 gols)
Líder em assistências: Ricardo Quaresma (8 passes para gol)

Depois da badalação no início da temporada, após a contratação de Guti e Ricardo Quaresma, o Besiktas esteve longe de brigar pelo título da Süper Lig. Ainda nas rodadas inaugurais, a equipe se manteve no primeiro pelotão e chegou a ficar na vice-liderança, mas depois de três derrotas despencou para não voltar mais. A partir de então, até o fim do campeonato, os Kara Kartallar só tiveram forças para permanecer entre a sétima e a quinta posição. Nem as chegadas de Hugo Almeida e Simão deram o impulso necessário. Mesmo beirando a zona de classificação às competições continentais, os alvinegros não passaram de uma simples ameaça e, sem grandes possibilidades de reviravoltas, o técnico Bernd Schuster acabou demitido em março. De positivo em sua passagem, apenas a classificação à segunda fase da Liga Europa, onde ainda assim os turcos foram eliminados de forma vexatória pelo Dynamo Kiev.

O único lado positivo de todos os gastos em reforços veio já no fim da temporada, com o título na Copa da Turquia. Conquista sofrida, é verdade, que veio apenas nos pênaltis contra o inferior Istanbul BB, mas que ao menos garantiu uma vaga na Liga Europa do ano que vem. Talvez contra o segundo escalão europeu, o trio formado por Quaresma, Simão e Almeida mostre serviço. Os dois últimos até atuaram bem nos seis meses que estiveram no clube, enquanto Quaresma fez muito pouco na Süper Lig. Dos novos “galácticos”, Guti é quem mais se sente em casa e, com a braçadeira de capitão, empolgou a torcida. Entre os velhos Bobô foi mais uma vez artilheiro, mas está de saída. Além dele, o astro Nihat até já foi embora, dispensado, após decepcionar pelo segundo ano seguido. No gol, Rustu foi para o banco e o Besiktas ainda não encontrou um novo titular de confiança. Por fim, vale ficar de olho no meia Necip Uysal, que aos 20 anos foi a principal revelação do Campeonato Turco 2010-11.

Kayserispor

Colocação final:
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 51P 34J 14V 9E 11D 46GP 44GC (Ap. 60,7% em casa e 39,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 2º (12ª rodada) e 7º (por duas rodadas)
Transferências (milhões de euros): 1,8 em compras e 4,1 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Terceira fase
Técnico: Shota Arveladze
Principal jogador: Serdar Kesimal
Decepção: Franco Cángele
Artilheiro: Marcelo Zalayeta e Ömer Sismanoglu (7 gols)
Líder em assistências: Selim Teber (7 passes para gol)

A saída de Ariza Makukula pode ter significado ao Kayserispor a perda de sua maior referência, mas esteve longe de fazer mal ao desempenho do clube. Ao longo da pré-temporada, o time trouxe bons jogadores para quase todos os setores do campo e, mesmo com um técnico novato, teve uma arrancada espetacular. Shota Arveladze parecia muito bem acostumado à rotina no comando de um clube e, com apenas três derrotas na primeira metade do torneio, esteve o tempo todo brigando por um lugar na zona de classificação às competições continentais. Após o início de 2011, muito por conta de lesões, a equipe da Anatólia perdeu os rumos e, depois de uma série de seis derrotas, acabou se afastando da briga.

De qualquer forma, o sexto lugar alcançado é louvável e faz o time prometer mais para as próximas temporadas . As boas opções de Arveladze em campo começam pela defesa, onde Kesimal e Kalidirim aparecem muito bem, apesar da pouca idade. O meio-campo, por sua vez, após receber Selim Teber, André Moritz e Jonathan Santana na pré-temporada, ainda foi reforçado por Karim Ziani. Problemas maiores aconteceram mesmo com o ataque. Cángele teve duas lesões sérias e fez apenas cinco partidas, assim como Zalayeta, que voltou mal após fraturar o dedo e foi dispensado antes do fim do campeonato. Para salvar o setor, apenas o novato Ömer Sismanoglu, que esteve bem em sua segunda temporada na Anatólia.

Eskisehirspor

Colocação final:
Previsão no início da temporada: Competições europeias
Campanha: 47P 34J 12V 11E 11D 41GP 40GC (Ap. 56,8% em casa e 36,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 6º (por seis rodadas) e 17º (por cinco rodadas)
Transferências (milhões de euros): 2,9 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Terceira fase
Técnico: Riza Calimbay (out/10) e Bülent Uygun
Principal jogador: Sezer Öztürk
Decepção: Rodrigo Tello
Artilheiro: Sezer Öztürk (8 gols)
Líder em assistências: Burhan Eser (5 passes para gol)

Depois de emplacar boas participações desde a sua volta à Süper Lig, o Eskisehirspor deu pinta de que iria brigar contra o rebaixamento. A diretoria foi competente no início da temporada e trouxe bons reforços, mas o técnico Riza Calimbay não conseguiu se acertar com a equipe. Foram sete jogos sem vencer até a sua demissão. Contudo, a chegada de Bülent Uygun mudou os brios do time, que da antepenúltima posição saltou para o sexto lugar no início do segundo turno. Nas sete rodadas finais, o Es-Es perdeu um pouco de embalo em busca das competições continentais, mas, só por ter deixado para trás a sombra do rebaixamento, a campanha já era para se comemorar. Em campo, o grupo pouco pôde contar com a presença de Ümit Karan, que ao fim da temporada acabou se aposentando. Para substituí-lo, em compensação, Batuhan Karadeniz fez partidas notáveis e volta a se tornar uma boa promessa para o futuro. No meio-campo, Rodrigo Tello decepcionou, ficando mais no banco do que em campo, enquanto Sezer Öztürk esteve em grande forma. Por fim, além de bem guardada pelo arqueiro Vanja Ivesa, a zaga manteve a solidez com a dupla formada por Nadarevic e Diego Ângelo.

Galatasaray

Colocação final:
Previsão no início da temporada: Título
Campanha: 46P 34J 14V 4E 16D 41GP 46GC (Ap. 50,9% em casa e 39,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 3º (sexta rodada) e 17º (segunda rodada)
Transferências (milhões de euros): 26 em compras e 20,1 em vendas
Competição continental: Preliminares da Liga Europa
Copa Nacional: Quartas de final
Técnico: Frank Rijkaard (out/10), Gheorghe Hagi (mar/11) e Bülent Ünder
Principal jogador: Colin Kazim-Richards
Decepção: Zvjezdan Misimovic
Artilheiro: Milan Baros (9 gols)
Líder em assistências: Colin Kazim-Richards (7 passes para gol)

Por pouco o Galatasaray não fez a pior temporada de sua história. O rendimento inconstante na última temporada, bem como a eliminação precoce na Liga Europa já demonstravam que o clube teria uma temporada sofrível, mas os torcedores não esperavam tanto. Com o tempo, a expectativa era a de que a antiga base e os novos contratados (trazidos por mais de 15 milhões de euros na pré-temporada) se entrosassem e partissem pelo menos para a briga às competições européias. O imaginado, porém, esteve bem longe de acontecer. Variando entre sequências de vitórias e jejuns de pontos, o técnico Frank Rijkaard caiu e veio o antigo ídolo Gheoghe Hagi. Nem mesmo o mito no banco ajudou em campo e, sob as ordens do romeno, o desempenho foi ainda pior. Sem vencer um clássico contra os rivais de Istambul, o time só viu as perspectivas melhorarem mesmo nos últimos três jogos. Os nove pontos conquistados valeram mais para a auto-estima do que para qualquer outra coisa e, além de se afastar de sua pior marca, o Galatasaray ainda conseguiu ultrapassar o meio da tabela.

Dos milhões gastos em jogadores, a maior parte se esvaiu pelo ralo – um dos grandes motivos, aliás, para a turbulência política vivida pelo presidente Adnan Polat. Misimovic não esperou nem seis meses para ir embora por quase metade do investimento, Cana não rendeu o pago por seu futebol, Pino marcou apenas três gols no torneio. O único que surpreendeu foi Kazim, vindo de graça do Fener e que ostentou bons números no segundo turno. Para piorar a situação, os dois principais nomes do time, Arda Turan e Milan Baros, passaram um bom tempo no departamento médico – e, mesmo fazendo apenas 17 partidas, o checo foi o goleador da equipe. Sobrou para Neill, Cetin e Kewell segurarem as pontas enquanto dava e amenizarem os efeitos da participação catastrófica.

Karabukspor

Colocação final:
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 46P 34J 12V 8E 14D 46GP 53GC (Ap. 56,8% em casa e 29,4% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 4º (primeira rodada) e 13º (terceira rodada)
Transferências (milhões de euros): 0,4 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Terceira rodada
Técnico: Yücel Ildiz
Principal jogador: Emmanuel Emenike
Decepção: Yasin Avci
Artilheiro: Emmanuel Emenike (14 gols)
Líder em assistências: Florin Cernat (7 passes para gol)

Onze anos depois da última participação na primeira divisão, o Karabükspor teve um retorno acima das expectativas. Tudo bem que o clube sobrou na segundona em 2009-10, obtendo 13 pontos de vantagem sobre o vice-campeão, mas o objetivo antes da estreia era mesmo escapar da degola. Com a base campeã mais algumas contratações bem feitas, o técnico Yücel Ildiz deixou o time entre os dez primeiros na maior parte das rodadas. Ainda que tenha fracassado na maioria dos encontros com os grandes do país, demonstrou regularidade contra as equipes de menor porte. Além disso, os Mavi Ate? souberam utilizar o fator campo, vencendo a maioria das partidas em casa. Entre as quatro linhas, o atacante Emmanuel Emenike repetiu os bons números da First League, enquanto o antigo artilheiro Yasin Avci passou o ano todo com um mísero tento. Já o rodado meio-campista Florin Cernat, recém-contratado, foi a maior fonte criativa do Karabükspor. Dentre os destaques, também merecem menção o goleiro Tomic, o lateral Seric e o atacante Parlak.

Manisaspor

Colocação final: 10º
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 43P 34J 13V 4E 17D 49GP 52GC (Ap. 43,1% em casa e 41,1% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 7º (por duas rodadas) e 18º (por três rodadas)
Transferências (milhões de euros): 3,3 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Fase de grupos
Técnico: Hakan Kutlu (set/10) e Hikmet Karaman
Principal jogador: Josh Simpson
Decepção: Ariza Makukula
Artilheiro: Josh Simpson (12 gols)
Líder em assistências: Josh Simpson, Ömer Aysan Baris e Murat Erdogan (6 passes para gol)

Após continuar na elite do futebol turco, o Manisaspor cumpriu o objetivo de ter uma temporada sem grandes sobressaltos em 2010-11. Entretanto, o clube precisou perder as suas quatro primeiras partidas, além de demitir o técnico Hakan Kutlu com um mês de disputa, para acordar. A recuperação veio com uma vitória sobre ninguém menos que o Trabzonspor, fomentando a equipe até a metade da tabela. Alternando vitórias e derrotas, sem acumular muitos empates, os Tarzanlar se estabilizaram longe da zona de rebaixamento. Josh Simpson, que assumiu o protagonismo após a saída de Mehmet Nas, cumpriu bem o seu papel. Mais à frente, o brasileiro Kahê ofuscou Ariza Makukula, artilheiro da Süper Lig 2009-10 e contratado a peso de ouro junto ao Benfica. Por sua vez, o goleiro Ilker Avcibay foi protegido por praticamente a mesma linha de defesa da temporada anterior, mas não obteve média de gols tão boa quanto.

Antalyaspor

Colocação final: 11º
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 42P 34J 10V 12E 12D 41GP 48GC (Ap. 43,1% em casa e 39,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 5º (por duas rodadas) e 18º (primeira rodada)
Transferências (milhões de euros): 0 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Fase de grupos
Técnico: Mehmet Özdilek
Principal jogador: Necati Ates
Decepção: Grégory Proment
Artilheiro: Necati Ates (13 gols)
Líder em assistências: Necati Ates (8 passes para gol)

Com mais perdas do que ganhos no mercado de transferências da pré-temporada e sem gastar nenhum centavo com contratações, o técnico Mehmet Özdilek já devia esperar uma campanha que não fosse além do nono lugar em 2009-10. Com um início ascendente, os Akrepler alimentaram esperanças de beliscar algo melhor quando se mantiveram por duas rodadas entre os cinco primeiros. Todavia, uma série de cinco jogos na seca fez o time despencar na tabela e freou os anseios da torcida, que teve que se contentar com uma posição mediana. Sem ser tão efetivo, o Antalyaspor dependeu da inspiração do turco Necati Ates e do brasileiro Tita, atacantes que marcaram mais da metade dos gols da equipe. Deniz Baris, zagueiro veterano que chegou do Fenerbahçe, deu consistência à linha de defesa, que ainda contou com a segurança de Erkan Sekman e Yenal Tuncer. No gol, o capitão Ömer Catkic perdeu as primeiras rodadas do torneio, mas voltou a tempo de ser titular na maior parte do ano.

Istanbul BB

Colocação final: 12º
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 42P 34J 12V 6E 16D 40GP 45GC (Ap. 47% em casa e 35,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 18º (primeira rodada) e 4º (12ª rodada)
Transferências (milhões de euros): 0,9 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Vice-campeão
Técnico: Abdullah Avci
Principal jogador: Ibrahim Akin
Decepção: Gökhan Ünal
Artilheiro: Hervé Tum (9 gols)
Líder em assistências: Cihan Haspolatli e Ibrahim Akin (6 passes para gol)

A temporada ficou sempre no “quase” para o Istanbul BB. Depois de um belíssimo sexto lugar durante a temporada 2010-11, o clube esboçou brigar pelas competições européias. Sem tantas contratações, porém, não teve fôlego suficiente. Depois de quatro vitórias seguidas, também perdeu cinco em sequência e não voltou mais ao segundo pelotão da tabela. Sem a mesma motivação de antes, passou a dar menos atenção à Süper Lig e se dedicar à Copa da Turquia. O IBB chegou até a decisão da competição eliminatória, mas uma derrota nos pênaltis para o Besiktas acabou custando o título, bem como o feito histórico de chegar à Liga Europa. Entre as referências da equipe, o novato sueco Samuel Holmén se adaptou rapidamente e teve função tão destaca quanto à de Ibrahim Akin e de Hervé Tum, velhos conhecidos da torcida. Durante o segundo turno, o ataque ainda ganhou um gás a mais com o empréstimo de Filip Holosko, do Besiktas. Já o garoto Tevfik Köse, revelação do último ano, não cumpriu as expectativas geradas em torno de si.

Ankaragücü

Colocação final: 13º
Previsão no início da temporada: Competições europeias
Campanha: 41P 34J 10V 11E 13D 52GP 62GC (Ap. 45% em casa e 35,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 6º (segunda rodada) e 16º (primeira rodada)
Transferências (milhões de euros): 3,7 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Fase de grupos
Técnico: Ümit Özat (mar/11) e Mesut Bakkal
Principal jogador: Marek Sapara
Decepção: Róbert Vittek
Artilheiro: Stanislav Sestak (10 gols)
Líder em assistências: Marek Sapara (8 passes para gol)

Mesmo contando com jogadores de fama internacional e muitos medalhões, o Ankaragükü mais uma vez não conseguiu superar a metade inferior da tabela. O time da capital chegou a tirar pontos valiosos das equipes que disputavam o título, mas, em compensação, também deu mole contra adversários potencialmente mais fracos. Encerrando o primeiro turno em 13º, o clube buscou reforços sem custos e não melhorou mais que duas posições na tabela. O sistema ofensivo funcionou bem, liderado pela dupla eslovaca Sestak e Sapara – que deveria ser um trio, não fosse a contusão que tirou o artilheiro Vittek de combate por cinco meses e que não o deixou jogar em maior nível quando voltou. A defesa, por sua vez, descompensou e teve desempenho digno de rebaixamento, sobretudo nos jogos como mandante. Nem a experiência de jogadores como Martin Zewlakow, Aydin Toscali e Jan Rajnoch serviu para aumentar a solidez do sistema.

Gençlerbirligi

Colocação final: 14º
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 40P 34J 10V 10E 14D 43GP 51GC (Ap. 41,1% em casa e 37,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 9º (primeira rodada) e 15º (15ª rodada)
Transferências (milhões de euros): 3,2 em compras e 0,5 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Semifinais
Técnico: Thomas Doll (out/10), Ralf Zumdick (abr/11) e Serdar Dayat
Principal jogador: Orhan Sam
Decepção: Mile Jedinak
Artilheiro: Oktay Delibalta (6 gols)
Líder em assistências: Hursut Meric (5 passes para gol)

Pelo time que montou durante a pré-temporada, o Gençlerbirligi até poderia terminar a competição na metade de cima da tabela. O início oscilante, contudo, não levou o clube além da nona posição e, mesmo beirando a zona de rebaixamento durante a maior parte do campeonato, o clube se livrou de um risco maior. A campanha apenas razoável acabou custando a cabeça de dois técnicos e nem mesmo os três milhões de euros gastos em contratações na janela do inverno ajudaram o time a melhorar a sua trajetória. Para o próximo ano, o Ankara Rüzgâr? espera contar mais com Mustafa Pektemek, revelação da equipe que ficou seis meses parado por conta de uma lesão nos ligamentos. Sem o seu artilheiro, o ataque ficou dependente dos lampejos do meia Oktay Delibalta e do atacante Ermin Zec. Na defesa, merece menção o lateral Orhan Sam, boa opção nas jogadas laterais.

Sivasspor

Colocação final: 15º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 35P 34J 8V 11E 15D 43GP 57GC (Ap. 49% em casa e 19,6% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 4º (segunda rodada) e 17º (por cinco rodadas)
Transferências (milhões de euros): 1,3 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Terceira rodada
Técnico: Mesut Bakkal (out/10) e Riza Calimbay
Principal jogador: Mehmet Yildiz
Decepção: Michael Eneramo
Artilheiro: Erman Kilic (9 gols)
Líder em assistências: Mehmet Yildiz (6 passes para gol)

Depois de oscilar do vice-campeonato à beira do precipício em apenas uma temporada, o Sivasspor passou sufoco mais uma vez. Com poucos reforços significativos no início do campeonato, o time oscilou dentro e fora da zona de rebaixamento até a 23ª rodada, quando finalmente teve um alívio, vencendo cinco de seus seis encontros. Na reta final, os Yi?idolar ainda passaram por um jejum de seis partidas sem triunfos, mas a salvação já tinha sido confirmada. O ídolo Mehmet Yildiz não esteve na plenitude de sua forma durante toda a temporada e mesmo assim liderou a campanha contra o rebaixamento. Ao seu lado apareceram outros personagens importantes, como o atacante boliviano Ricardo Pedriel, trazido no começo da temporada, e os meias Erman Kilic e Kamil Grosicki – o meio-campo, por sinal, se destacou. Já no gol, o setor mais problemático da equipe, a inconstância foi tamanha que três jogadores se revezaram como titulares.

Bucaspor

Colocação final: 16º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 26P 34J 6V 8E 20D 37GP 65GC (Ap. 43,1% em casa e 7,8% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 8º (terceira rodada) e 17º (por sete rodadas)
Transferências (milhões de euros): 0 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Quartas de final
Técnico: Bülent Uygun (out/10), Samet Aybaba (abr/10) e Sait Karafirtinalar
Principal jogador: Musa Aydin
Decepção: Stjepan Tomas
Artilheiro: Musa Aydin (8 gols)
Líder em assistências: Musa Aydin (6 passes para gol)

Os Firtina têm pouco o que guardar de sua primeira participação na primeira divisão. O clube manteve boa parte do elenco que foi vice-campeão da First Lig, mas abusou das contratações. Com um elenco inchado, o técnico Bülent Uygun não deu liga ao time e acabou demitido em dois meses. Ao fim do primeiro turno, o Bucaspor só tinha obtido duas vitórias e era o penúltimo colocado. Apesar da segunda metade do campeonato ter sido ligeiramente melhor, não foi suficiente para salvar o clube da degola. Entre as razões para o fracasso, aliás, está o desempenho pífio fora de casa, onde o clube não conquistou uma vitória sequer. Líder em gols e assistências, Musa Aydin foi a grande referência do time, que ainda contou com boas atuações dos igualmente experientes Jerko Leko e Victor Mendy. Por outro lado, a defesa foi o setor mais inconstante do time e teve a segunda pior média de gols sofridos da Süper Lig.

Konyaspor

Colocação final: 17º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 24P 34J 4V 12E 18D 28GP 49GC (Ap. 29,4% em casa e 17,6% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 8º (segunda rodada) e 18º (por duas rodadas)
Transferências (milhões de euros): 2,8 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Terceira fase
Técnico: Ziya Dogan (fev/11) e Yilmaz Vural
Principal jogador: Mahamoudou Kéré
Decepção: Erdal Kilicaslan
Artilheiro: Peter Grajciar (8 gols)
Líder em assistências: Hakan Aslantas (5 passes para gol)

Após conquistar o acesso apenas nos playoffs da segunda divisão, o Konyaspor era considerado como o grande azarão da Süper Lig. Para piorar, boa parte do time que subiu foi embora e o técnico Ziya Dogan teve que se acertar com nada menos que 22 reforços. Até o fim do primeiro turno, a equipe conseguiu se segurar acima da zona perigosa, que frequentou apenas por três vezes até a 15ª rodada. A partir de 2011, no entanto, os Ye?il Beyaz desandaram e venceram apenas uma partida no segundo turno. O ataque, o pior do campeonato, se resumia à inspiração do meia eslovaco Grajciar e do atacante polonês Robak. Já a defesa, apesar dos pesares, fez razoavelmente bem o seu papel – o que se reflete no grande número de empates. No setor, destaque para o trio Kéré, Güngor e Aslantas, todos contratados no início da temporada.

Kasimpasa

Colocação final: 18º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 23P 34J 5V 8E 21D 31GP 71GC (Ap. 23,5% em casa e 21,5% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 11º (primeira rodada) e 18º (por 28 rodadas)
Transferências (milhões de euros): 1,1 em compras e 3,3 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Quartas de final
Técnico: Yilmaz Vural (dez/10) e Fuat Capa
bErsen Martin
Decepção: Gökhan Gülec
Artilheiro: Ersen Martin (8 gols)
Líder em assistências: Sahin Aygünes (4 passes para gol)

Depois de perder muitos dos jogadores fundamentais na campanha do 11º lugar em 2009/10, os Apaçiler já sabiam que a temporada não era das mais promissoras. Os reforços vieram, especialmente na zaga, mas pouco fizeram efeito. O sistema defensivo esteve péssimo durante o campeonato todo e ostentou a nada honrosa média de quase dois gols sofridos por partida. Foram doze jogos até a primeira vitória e já na quinta rodada o Kasimpasa segurava a lanterna. Depois disso, o time passou apenas duas rodadas acima do último posto e o descenso foi confirmado com quatro rodadas de antecedência. De positivo ao longo da temporada, apenas o desempenho na Copa da Turquia, na qual o clube terminou invicto. Já em campo, o experiente atacante Ersen Martin foi responsável por um terço dos gols da temporada e, ao lado do jovem Sahin Aygünes, fechou o ano valorizado.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo