Balanço da Super League

A briga pelo título no Campeonato Grego desta temporada não foi das mais emocionantes, é verdade. O Panathinaikos até manteve um duelo acirrado durante a metade inicial do ano, mas depois disso o Olympiacos sobrou. Não sem méritos, é claro, ainda mais para um time que perdeu o técnico nos primeiros jogos da temporada e retomou a hegemonia com um elenco praticamente novo.
Quem também renasceu neste ano foi o AEK, que finalmente levantou a Copa depois de quase uma década em jejum. Dentre outras surpresas da temporada, as boas participações de PAOK e Aris na Liga Europa, bem como a campanha do Olympiacos Volos, que descolou um lugar nas competições européias logo depois de conquistar a segunda divisão. Entre os que lamentam, o próprio Panathinaikos, que apesar de garantido na Liga dos Campeões, vê uma grande interrogação sobre seu futuro. Ou mesmo o Iraklis, que passou o tempo todo longe do rebaixamento, mas, por não fechar as contas, terá que disputar a Beta Ethiniki pela segunda vez em sua história.
Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Entre perdas e ganhos, confira em nosso balanço o que de melhor aconteceu ao longo da Super League 2010/11.
Olympiacos
Colocação final: 1º (campeão, classificado para a Liga dos Campeões)
Previsão no início da temporada: Título
Campanha: 73P 30J 24V 1E 5D 65GP 18GC (Ap. 100% em casa e 62,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 1º (por 25 rodadas) e 11º (primeira rodada)
Média de público: 22.099 espectadores (68,8% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 13,5 em compras e 5 em vendas
Competição continental: Preliminares da Liga Europa
Copa Nacional: Quartas de final
Técnico: Ewald Lienen (ago/10) e Ernesto Valverde
Principal jogador: Kevin Mirallas
Decepção: Dennis Rommedahl
Artilheiro: Kevin Mirallas (14 gols)
Líder em assistências: Albert Riera (13 passes para gol)
De início, a vergonha. Fora da Liga dos Campeões depois de treze anos, o Olympiacos dava o pontapé em sua jornada na Liga Europa com o pé esquerdo. A eliminação diante do Maccabi Tel Aviv rendeu a demissão do técnico Ewald Lienen ainda em agosto e, a partir daquela data, o clube teria que se dedicar apenas às competições domésticas. Ernesto Valverde, que saiu de Pireu com uma taça debaixo dos braços, voltava para um cenário de terra arrasada. Vários atletas de renome foram contratados, sobretudo do meio para frente, e Valverde precisava acertar aquele novo time que se formava. Em caso de fracasso nos primeiros meses, era demissão certa e crise sem fim.
Mas Valverde foi competente. Apesar da derrota na estreia da Super League, os Kokkini assumiriam a liderança três rodadas depois. Só sairiam dali por um pequeno hiato no fim do primeiro turno, mas, quando voltaram, foi para não largar mais. Entre dezembro e fevereiro, foram onze vitórias consecutivas, o que distanciou ainda mais o clube na ponta. O ataque, com mais de dois gols por jogo de média, e a defesa, com quase um gol sofrido a cada dois jogos apenas, foram os melhores da Super League. E, diante da própria torcida, o desempenho foi perfeito, com quinze vitórias em quinze partidas.
E isso tudo com um time praticamente novo. Dos dezesseis jogadores que entraram em mais da metade das partidas na liga grega, apenas cinco já tinham lugar cativo na equipe em temporadas passadas. A maioria absoluta, ainda por cima, homens de defesa experientes: Papadopoulos, Raúl Bravo, Mellberg e o capitão Torosidis. A única exceção foi o volante Dudu Cearense, que não continua na próxima temporada. Já as mudanças fundamentais começaram mesmo no gol, onde, depois de acumular falhas, o ídolo Nikopolidis finalmente deu lugar a Urko Pardo.
No meio-campo, surgiu o promissor Fetfatzidis, a maior revelação do futebol grego nesta temporada. Além dele, Ariel Ibagaza e David Fuster vieram já entrosados do Villarreal, enquanto que Albert Riera compensou os 6 milhões de euros investidos em seu futebol com gols e, sobretudo, assistências. Na linha de frente, Kevin Mirallas foi autor de tentos decisivos e já tem permanência assegurada para a próxima temporada. Ao seu lado, Pantelic também soube como balançar as redes e, a partir da metade da temporada, Rafik Djebbour compensou o imbróglio de sua chegada com muitos gols. Um time completo e um título mais que merecido.
Panathinaikos
Colocação final: 2º (1º nos playoffs, classificado para a Liga dos Campeões)
Previsão no início da temporada: Título
Campanha: 60P 30J 18V 6E 6D 47GP 26GC (Ap. 80% em casa e 53,3% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 1º (por 2 rodadas) e 9º (primeira rodada)
Média de público: 16.608 espectadores (24,4% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 1,9 em compras e 1,8 em vendas
Competição continental: Primeira fase da Liga dos Campeões
Copa Nacional: Quartas de final
Técnico: Nikos Nioplias (nov/10) e Jesualdo Ferreira
Principal jogador: Djibril Cissé
Decepção: Sidney Govou
Artilheiro: Djibril Cissé (20 gols)
Líder em assistências: Djibril Cissé (8 passes para gol)
Depois de garantir o título e quebrar a sequência do Olympiacos na temporada passada, o Panathinaikos caiu muito de produção. Apesar de não ter perdas significativas no elenco e ainda ganhar diversos jogadores de renome (como Govou, Boumsong e Luis García), o PAO não manteve o ritmo do ano anterior. Dividindo-se entre Liga dos Campeões e Super League, não teve bons desempenhos em nenhuma das duas disputas e acabou o ano de mãos abanando. No campeonato nacional até manteve a perseguição aos rivais de Pireu por metade da competição, assumindo o topo da tabela no início de dezembro. A sequência, entretanto, esteve longe de ser tão boa quanto a do Olympiacos e o time não teve fôlego para a briga a partir do segundo turno.
A situação se complicou um pouco mais após o impasse do técnico Nikos Nioplias, entre outubro e novembro. O treinador pediu o boné reclamando da pressão e até ganhou novo respaldo. Contudo, demorou cerca de um mês para que a falta de vitórias na Champions o derrubasse. Jesualdo Ferreira assumiu a Trifylli e conseguiu um bom desempenho de início, mas já no fim do campeonato a equipe demonstrava certo desgaste. Como prêmio de consolação, a vaga na Liga dos Campeões, que veio apesar da péssima largada nos playoffs.
Para chegar à equação dos maus resultados, o Panathinaikos ainda combinou a queda daqueles que já estavam no elenco com os problemas de encaixe dos novatos. Veteranos como Karagounis e Katsouranis estiveram bastante aquém do esperado, assim como Govou e Luis García não tiveram boas atuações. Os resultados positivos, em suma, ficaram limitados em duas explicações: ao goleiro Tzorvas, que teve grandes participações na Super League, e, sobretudo, a Djibril Cissé. O atacante francês carregou o time nas costas em vários momentos, tomou a braçadeira de capitão para si e ainda participou de 60% dos gols do clube na liga grega. Sua venda na próxima temporada deve deixar um vazio crônico na equipe, algo difícil de consertar.
AEK Atenas
Colocação final: 3º (3º nos playoffs, classificado para a Liga Europa)
Previsão no início da temporada: Ligas europeias
Campanha: 50P 30J 15V 5E 10D 46GP 37GC (Ap. 68,8% em casa e 42,2% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 3º (por 18 rodadas) e 12º (quarta rodada)
Média de público: 9.323 espectadores (13,7% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 1,3 em compras e 0,2 em vendas
Competição continental: Primeira fase da Liga Europa
Copa Nacional: Campeão
Técnico: Dusan Bajevic (set/10) e Manolo Jiménez
Principal jogador: Nikos Liberopoulos
Decepção: Roger Guerreiro
Artilheiro: Ismael Blanco e Ignacio Scocco (9 gols)
Líder em assistências: Roger Guerreiro (6 passes para gol)
O início da temporada do AEK não foi dos melhores, mas o clube ateniense conseguiu terminar o ano de forma bastante digna. Apesar de classificado para a fase de grupos da Liga Europa, a equipe viveu uma enorme turbulência durante a pré-temporada, após a invasão de um treinamento por torcedores e a consequente agressão sofrida pelo técnico Dusan Bajevic. O sérvio até foi mantido no cargo, mas, quatro rodadas depois do início da Super League, acabou caindo. Em seu lugar, Manolo Jiménez conseguiu segurar as pontas e, além de manter os Dikéfalos sem tantas turbulências na terceira colocação da liga, quebrou um jejum de nove anos sem títulos com a conquista da Copa Grega.
Outro percalço vivido pelo time ao longo da temporada foi a ida de Rafik Djebbour para o Olympiacos. O atacante era, ao longo dos primeiros meses da temporada, o nome que resolvia as partidas a favor do AEK. Depois de sua saída, outros jogadores passaram a assumir a responsabilidade ofensiva, sobretudo Ismael Blanco e Ignácio Scocco. Já o veterano Nikos Liberopoulos, que não tinha feito muita coisa em seu primeiro semestre de retorno ao clube, voltou a ser letal a partir do segundo turno. A potência do ataque, aliás, serviu para compensar a pouca confiabilidade apresentada pela defesa, além da falta de continuidade das peças escaladas no meio-campo – com 32 atletas utilizados, o elenco do AEK foi o mais numeroso de toda a Super League.
PAOK
Colocação final: 4º (2º nos playoffs, classificado para a Liga Europa)
Previsão no início da temporada: Ligas europeias
Campanha: 48P 30J 14V 6E 10D 32GP 29GC (Ap. 68,8% em casa e 37,7% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 1º (primeira rodada) e 12º (sexta rodada)
Média de público: 12.853 espectadores (44% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,6 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Dezesseis-avos de final da Liga Europa
Copa Nacional: Semifinais
Técnico: Pavlos Dermitzakis (out/10) e Ioakim Chavos
Principal jogador: Vieirinha
Decepção: Zlatan Muslimovic
Artilheiro: Dimitrios Salpingidis (6 gols)
Líder em assistências: Vieirinha (6 passes para gol)
A primeira temporada sem o treinador Fernando Santos não foi mais que regular para o PAOK, mesmo com boa parte do elenco mantida. O início sem o português foi caótico, resultando na demissão do italiano Mario Beretta ainda durante a pré-temporada. Pavlos Dermitzakis também não se segurou e, depois de ser eliminado nas preliminares da Liga dos Campeões, também caiu com um péssimo início na Super League. Ioakim Chavos chegou e botou ordem na casa, mas nada suficiente para que os tessalonicenses voltassem a brigar pelo tão sonhado título. Acabaram mais uma vez nos playoffs, onde, por pouco, não conseguiram repetir a histórica passagem para a Champions.
Além disso, empenhados na Liga Europa, os maiores astros do time não renderam tanto no Campeonato Grego. Vieirinha, apesar de continuar como referência da equipe, esteve longe de manter os números no torneio doméstico. Quem também ficou abaixo das expectativas foi Dimitrios Salpingidis, que foi artilheiro do clube em seu retorno, mas com marcas abaixo de sua média. Por fim, acabou valendo a força do time nos jogos em casa, aonde tiveram bom aproveitamento e conseguiram bater ninguém menos que o campeão Olympiacos.
Olympiakos Volos
Colocação final: 5º (4º nos playoffs, classificado para a Liga Europa)
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 47P 30J 12V 11E 7D 40GP 28GC (Ap. 53,3% em casa e 51,1% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 3º (quarta rodada) e 10º (quatro rodadas)
Média de público: 6.289 espectadores (28,4% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0 em compras e 0 em vendas
Competição continental: nenhuma
Copa Nacional: Semifinais
Técnico: Sakis Tsiolis (fev/11) e Makis Katsavakis
Principal jogador: Javier Umbides
Decepção: Ilias Solakis
Artilheiro: Mario Breska (8 gols)
Líder em assistências: Javier Umbides (8 passes para gol)
Certamente a grande surpresa da Super League deste ano. O Olympiakos Volos venceu com folgas a Beta Ethiniki 2009/10, mas ninguém esperava que o time tivesse um desempenho tão sólido no retorno depois de vinte anos longe da elite. Ainda mais depois do desmanche realizado no time que venceu a segunda divisão, do qual saíram os principais jogadores. Dos catorze nomes que compuseram a base do elenco ao longo do ano, apenas seis já estavam no clube há mais de uma temporada.
A campanha poderia até ter sido melhor, não fosse o excesso de empates, sobretudo no primeiro turno. A guinada a partir de fevereiro – quando somou sete vitórias em dez jogos – valeu ao menos aos Erythrolefki uma vaga nos playoffs, além da estréia em competições continentais na próxima temporada. O crescimento coincidiu com a chegada do técnico Makis Katsavakis à equipe. Já entre os seus comandados, o meia Javier Umbides assumiu o papel de protagonista, enquanto novatos como Mario Breska e Juan Martin se entrosaram rapidamente no ataque. No gol, outro recém-contratado que rendeu muito bem foi o experiente Eldin Jakupovic. Mesmo que os resultados nos playoffs não tenha sido dos melhores, a temporada entrou para a história do clube.
Aris
Colocação final: 6º
Previsão no início da temporada: Ligas Europeias
Campanha: 45P 30J 13V 6E 11D 29GP 29GC (Ap. 51,1% em casa e 48,8% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 3º (quinta rodada) e 12º (quarta rodada)
Média de público: 9.333 espectadores (40,9% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,4 em compras e 0,6 em vendas
Competição continental: Dezesseis-avos de final da Liga Europa
Copa Nacional: Trinta-e-dois-avos de final
Técnico: Héctor Cúper (jan/11), Giannis Michalitsos (mar/11) e Sakis Tsiolis
Principal jogador: Nikos Lazaridis
Decepção: Nery Castillo
Artilheiro: Neto (8 gols)
Líder em assistências: Koke (4 passes para gol)
A mesma força vista durante a Liga Europa esteve longe de aparecer no Campeonato Grego deste ano. Enquanto os Deuses da Guerra usavam muito bem o fator campo nas batalhas pelo torneio continental, na Super League eles não pareciam tão imortais assim. Tanto é que, entre pontos conquistados fora e em casa, o aproveitamento foi parecido. O resultado dessa falta de efetividade refletiu na tabela, onde o time não teve força o suficiente para chegar aos playoffs, como de costume. Os tessalonicenses não chegaram a ser ameaçados em nenhum momento, mas não passaram de um desempenho mediano – ao todo, foram apenas três rodadas entre os cinco primeiros.
Sem números consistentes no campeonato nacional, o técnico Héctor Cúper acabou caindo no começo do segundo turno, com Giannis Michalitsos passando pelo banco até a efetivação de Sakis Tsiolis. Em campo, a maior decepção foi com o ataque. Depois de perder Javier Campora no início da temporada, Koke e Javito também foram embora e nenhum dos novos contratados deu certo – entre eles, nomes badalados como Nery Castillo, Carlos Ruiz e Danijel Cesarec. O jeito foi confiar no sistema defensivo bem postado, chefiada por Nikos Lazaridis, bem como na grande fase do goleiro Michalis Sifakis. Já no meio, destaque para o papel desempenhado pelos alas brasileiros Neto e Michel.
Kavala
Colocação final: 7º
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 40P 30J 10V 10E 10D 29GP 27GC (Ap. 55,5% em casa e 33,3% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 3º (11ª rodada) e 15º (duas rodadas)
Média de público: 2.000 espectadores (19,1% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,2 em compras e 0,1 em vendas
Competição continental: nenhuma
Copa Nacional: Dezesseis-avos de final
Técnico: Dragomir Okuka (nov/10), Henryk Kasperczak (mar/11) e Giannis Matzourakis
Principal jogador: Djamel Abdoun
Decepção: Jean-Claude Darcheville
Artilheiro: Benjamin Onwuachi (10 gols)
Líder em assistências: Djamel Abdoun (8 passes para gol)
Em seu segundo ano na elite depois de subir de divisão por dois anos consecutivos, o Kavala conseguiu mais uma vez beirar as competições europeias. Depois de vinte rodadas na zona de classificação aos playoffs, os Argonautas perderam fôlego no final e, com cinco partidas seguidas sem vitória, acabaram caindo na tabela. De qualquer forma, o clube demonstrou mais uma vez potencial de crescer no futebol grego e almejar algo maior nas próximas campanhas. Mais uma vez, o Kavala apostou na contratação de medalhões, mas muitos não deram certo e acabaram dispensados durante a temporada. Dentre os acertos nas transferências está o argelino Abdoun, principal motor no meio-campo do time. Já no ataque, o nigeriano Onwuachi foi mais uma vez fundamental. No entanto, destaque maior deve ser dado à defesa, que manteve uma média de gols razoavelmente baixa graças a atuações seguras do goleiro croata Galinovic e do zagueiro brasileiro Douglão.
Ergotelis
Colocação final: 8º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 39P 30J 11V 6E 13D 32GP 38GC (Ap. 53,3% em casa e 33,3% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 3º (terceira rodada) e 16º (primeira rodada)
Média de público: 1.837 espectadores (7% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,1 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Trinta-e-dois-avos de final
Técnico: Nikolaos Karageorgiou
Principal jogador: Mario Budimir
Decepção: Georgios Alexopoulos
Artilheiro: Mario Budimir e Sérgio Leal (6 gols)
Líder em assistências: Diego Romano (6 passes para gol)
Apesar de não contar com um time dos mais estrelados, o Ergotelis soube manter-se distante da luta contra o rebaixamento e obteve a melhor campanha desde o acesso, conquistado em 2006. O primeiro turno não foi regular e os Canários oscilaram demais na tabela. Contudo, ao longo da segunda metade, a equipe conseguiu se afastar de riscos maiores e se segurou na faixa intermediária da tábua de classificação. Uma das maiores virtudes dos cretenses está no banco de reservas. O técnico Nikolaos Karageorgiou está no clube desde 2006 e é um dos poucos que desfrutam de continuidade no futebol grego. Sabendo das limitações do elenco e sem tantas contratações, o treinador manteve um time coeso e apostou na experiência de seu ataque. O trio formado por Verpakovskis, Budimir e Sergio Leal dividiu responsabilidades e funcionou muito bem. No apoio, o destaque fica com o meia argentino Diego Romano, que centralizou de criação as jogadas no esquema 4-5-1.
Skoda Xanthi
Colocação final: 9º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 36P 30J 9V 9E 12D 29GP 35GC (Ap. 48,8% em casa e 31,1% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 6º (três rodadas) e 16º (oitava rodada)
Média de público: 1.975 espectadores (26,8% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,6 em compras e 0,1 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Trinta-e-dois-avos de final
Técnico: Nikolaos Kechagias (set/10), Georgios Paraschos (nov/10) e Nikos Papadopoulos
Principal jogador: Marcelinho
Decepção: Nathan Ellington
Artilheiro: Marcelinho (5 gols)
Líder em assistências: Marcelinho e Christopher Katongo (3 passes para gol)
O principal objetivo do Xanthi era evitar o susto da temporada passada. Com apenas um ponto acima da zona de rebaixamento, o clube escapou do retorno à segunda divisão, o que não acontece desde 1989. Desta vez, a equipe da Trácia foi fortemente ameaçada até as dez primeiras rodadas, quando venceu apenas uma partida. Depois disso, o time se acertou e, com a chegada do técnico Nikos Papadopoulos, estacionou na faixa central da tabela, chegando mesmo a rondar a zona de classificação ao quadrangular decisivo. Quanto ao grupo de jogadores, vários foram os acréscimos feitos durante o início da temporada e alguns deles se mostraram valorosos, como os badalados Christopher Katongo e George Boateng. Todavia, a principal fonte criativa da equipe continuou sendo o meia brasileiro Marcelinho.
Panionios
Colocação final: 10º
Previsão no início da temporada: Ligas europeias
Campanha: 36P 30J 8V 11E 11D 25GP 35GC (Ap. 40% em casa e 37,7% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 9º (terceira rodada) e 16º (três rodadas)
Média de público: 2.766 espectadores (23,3% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,1 em compras e 1,5 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Trinta-e-dois-avos de final
Técnico: Mikael Stahre (out/10), Akis Mantzios (dez/10) e Takis Lemonis
Principal jogador: Dimitrios Siovas
Decepção: Ricardo Vaz Té
Artilheiro: Konstantinos Mitroglou (8 gols)
Líder em assistências: Fanouris Goundoulakis (4 passes para gol)
Com apostas arriscadas, o Panionios por pouco não pagou caro ao fim da temporada. A primeira delas foi a contratação do técnico novato Mikael Stahre, que tinha sido campeão sueco aos 34 anos. Com Stahre no banco, o time venceu apenas uma das primeiras sete partidas e nem mesmo a chegada de Akis Mantzios afastou o clube da zona perigosa. Somente em janeiro é que Takis Lemonis chegou e conseguiu livrar o time do risco, colocando os Istorikos em posição intermediária. E mesmo assim, o time quase foi rebaixado por conta de suas finanças, que só foram aprovadas pela federação em uma segunda avaliação. As referências em campo foram jogadores com rodagem, como o atacante Balaban, o meia Goundoulakis e o goleiro Macho, além do zagueiro Dimitrios Siovas, jovem de 22 anos que se afirmou nesta temporada. Já a recuperação no segundo turno foi possibilitada pelo faro de gol do atacante Mitroglou, que, emprestado pelo Olympiacos, marcou oito vezes em 11 partidas.
Iraklis
Colocação final: 11º (rebaixado)
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 36P 30J 7V 14E 9D 22GP 28GC (Ap. 51,1% em casa e 26,6% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 1º (duas rodadas) e 13º (16ª rodada)
Média de público: 4.654 espectadores (16,6% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,2 em compras e 1,2 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Trinta-e-dois-avos de final
Técnico: Marinos Ouzounidis (fev/11) e Georgios Paraschos
Principal jogador: Dimitrios Eleftheropoulos
Decepção: Joel Epalle
Artilheiro: Bogdan Mara (5 gols)
Líder em assistências: Pablo Lima (3 passes para gol)
O Iraklis não foi rebaixado na bola, e sim na bolada que devia. Chegou a ser o primeiro colocado por duas rodadas e não passou em nenhum momento pela zona de rebaixamento. Mas pecou ao não fechar as contas e acabou punido com o descenso. Esta, aliás, é a segunda vez que o clube disputará a segunda divisão, a segunda por motivos extracampo – na primeira, em 1980, se envolveu com um escândalo de combinação de resultados. Dentro das quatro linhas, os Imitheos não tinham dos ataques mais potentes, dependendo demais da inspiração de nomes como Bogdan Mara e Karim Soltani. Para compensar, a defesa, que foi bem reforçada no início do ano, evitou resultados piores – o time foi o quarto que menos perdeu em toda a Super League. Entre os destaques do setor, o experiente goleiro Eleftheropoulos e os zagueiros Josemi e Arabatzis, todos recém-chegados. Desde já, os Ghireos são fortes candidatos a subirem já na temporada que vem. Isso, é claro, se conseguirem fechar as contas.
Atromitos
Colocação final: 12º
Previsão no início da temporada: Meio da tabela
Campanha: 34P 30J 7V 13E 10D 30GP 34GC (Ap. 46,6% em casa e 28,8% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 6º (20ª rodada) e 15º (duas rodadas)
Média de público: 2.470 espectadores (27,6% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,4 em compras e 0,3 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Vice-campeão
Técnico: Georgios Donis
Principal jogador: Henri Camara
Decepção: Massamba Sambou
Artilheiro: Ilias Anastasakos (6 gols)
Líder em assistências: Brito (6 passes para gol)
Em sua segunda temporada consecutiva na Super League, o Atromitos não foi tão bem quanto no ano anterior. Depois de largar mal, o clube não demorou a frequentar a faixa intermediária e até esboçou uma reação no início do segundo turno, o que não vingou. Independente da falta de emoção na Super League, os atenienses fizeram história na Copa da Grécia e chegaram até a decisão, perdendo para o AEK. No banco de reservas, o técnico Georgios Donis é um oásis no instável futebol grego e se manteve pelo segundo ano consecutivo no comando da equipe. Já seu elenco, além de enxuto, com apenas 23 jogadores, foi o mais experiente da liga, com média de 28 anos de idade. E os velinhos renderam bem, como o recém-contratado Henri Camara, bastante regular na meia-cancha. No restante do time-base, vários nomes já conhecidos dentro do clube e que continuaram em alta, como o capitão Konstantinos Nebegleras, o zagueiro Marcin Baszczynski e o meia brasileiro Brito.
Kerkyra
Colocação final: 13º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 34P 30J 7V 13E 10D 30GP 34GC (Ap. 46,6% em casa e 26,6% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 3º (duas rodadas) e 13º (cinco rodadas)
Média de público: 1.318 espectadores (49,1% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,1 em compras e 0 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Quartas de final
Técnico: Babis Tennes (nov/11) e Bozidar Bandovic
Principal jogador: Ieroklis Stoltidis
Decepção: Flavinho
Artilheiro: Denis Epstein (9 gols)
Líder em assistências: Gustavo Veronesi (6 passes para gol)
Depois de voltar à primeira divisão com o vice-campeonato na Football League, o Kerkyra fez o básico para se manter por mais um ano na elite. O clube até perdeu alguns dos principais jogadores durante o acesso, mas realizou boa reposição sem gastar quase nada. Nas dez primeiras rodadas, os Phaiakes conseguiram permanecer na metade de cima da tabela e, logo depois, tiveram uma queda de rendimento. Por fim, respiraram aliviados ao se manterem acima do rebaixamento, apesar de perderem sete dos últimos oito jogos. O alemão Denis Epstein, que veio emprestado do Olympiacos, mostrou que pode ser útil no atual campeão grego. Já o veterano Stoltidis, outro ex-Olympiacos, foi o esteio do meio-campo, o setor de maior qualidade da equipe – e que ainda contava com outras boas opções, como o sueco Majstorovic e o brasileiro Gustavo Veronesi.
Asteras Tripolis
Colocação final: 14º
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 31P 30J 7V 10E 13D 21GP 29GC (Ap. 28,8% em casa e 37,7% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 4º (oitava rodada) e 14º (dez rodadas)
Média de público: 2.442 espectadores (37,9% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,1 em compras e 0,5 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Dezesseis-avos de final
Técnico: Vangelis Vlachos (jan/11) e Pavlos Dermitzakis
Principal jogador: Antonios Ladakis
Decepção: Roberto
Artilheiro: Rubén Pulido (4 gols)
Líder em assistências: Rogério (3 passes para gol)
O Asteras Tripolis salvou-se pelo gongo. Desde o início do campeonato já aparecia como forte candidato ao rebaixamento, o que viria se confirmar a partir da segunda metade da disputa. Em sua quarta participação na história da liga grega, o time perdeu uma em seus primeiros oito jogos, mas venceu somente quatro nos vinte e dois restantes. O rebaixamento consumado acabou não acontecendo graças aos problemas financeiros do Iraklis e da virada de mesa junto à federação local. Ainda que permaneça na elite, os Galacticos devem se mexer se quiserem um 2011/12 diferente. O ataque foi o pior do campeonato e passou nada menos que dezessete partidas na seca. Tanto é que o único a marcar mais que dois gols foi o zagueiro Rubén Pulido. Para compensar, ao menos a defesa fez sua parte e manteve uma média de gols sofridos baixa. Além de Pulido, merecem menção o volante argentino Adrián Bastía e o zagueiro Sokratis Fytanidis.
Larissa
Colocação final: 15º (rebaixado)
Previsão no início da temporada: Ligas europeias
Campanha: 25P 30J 5V 10E 15D 29GP 47GC (Ap. 42,2% em casa e 13,3% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 4º (segunda rodada) e 16º (oito rodadas)
Média de público: 5.498 espectadores (34,1% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0,1 em compras e 0,1 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Dezesseis-avos de final
Técnico: Giannis Papakostas (nov/10), Jörn Andersen (jan/11) e Nikolaos Kostenoglou
Principal jogador: Daniel Cousin
Decepção: Geremi
Artilheiro: Tümer Metin (8 gols)
Líder em assistências: Daniel Cousin (4 passes para gol)
Em teoria, o Larissa estava longe de ser forte candidato ao rebaixamento. Os dirigentes tinham mantido a base do time titular que alcançara posições medianas nos últimos campeonatos e, com a dispensa de vários reservas, trouxeram jogadores de renome a baixo custo. Nesta leva, vieram Geremi, Cousin, Makinwa e Canobbio. Contudo, as novas peças não encaixaram. Até a décima rodada, o time se manteve na faixa intermediária da tabela, mas sete derrotas seguidas o levaram a um limbo do qual não voltaria mais. Depois da 12ª rodada, não saiu mais da zona de rebaixamento e, ao longo de toda a campanha, não venceu uma partida sequer fora de casa. Dos poucos que se salvaram nos Vyssini estão os meias Tümer Metin e Romeu (ex-Fluminense) e o atacante Daniel Cousin – único dos famosos contratados no início do ano que realmente rendeu algo. Já a defesa, com mais de 1,5 gols/jogo, foi uma decepção total.
Panserraikos
Colocação final: 16º (rebaixado)
Previsão no início da temporada: Fugir do rebaixamento
Campanha: 24P 30J 6V 6E 18D 22GP 48GC (Ap. 40% em casa e 13,3% fora)
Melhor e pior colocação no ano: 10º (primeira rodada) e 16º (dezesseis rodadas)
Média de público: 2.218 espectadores (23,3% da capacidade)
Transferências (milhões de euros): 0 em compras e 0,4 em vendas
Competição continental: Nenhuma
Copa Nacional: Dezesseis-avos de final
Técnico: Dragan Kokotovic (jan/11), Momcilo Vukotic (mar/11) e Pavlos Dimitriou
Principal jogador: Leozinho
Decepção: Bernard Parker
Artilheiro: Georgios Georgiadis (7 gols)
Líder em assistências: Georgios Georgiadis (4 passes para gol)
Desde quando subiu, o Panserraikos estava ciente que a sua missão era não voltar imediatamente à segundona – o que já havia acontecido em 2008/09. Para piorar a situação, boa parte do elenco que conquistou o acesso foi desfeita. Como conseqüência, o time não se segurou nem mesmo nas primeiras rodadas, acumulando quatro derrotas em quatro jogos. Os Leontaria até conseguiram respirar longe do rebaixamento por cinco rodadas, pouco antes do fim do primeiro turno, mas não deu. Foram só duas vitórias ao longo do segundo turno e uma lanterna mais do que merecida. O ataque ficou limitado à inspiração de Leozinho e Georgios Georgiadis, os únicos dois jogadores que pareciam querer manter uma reputação durante a campanha. Já outros, como o brasileiro Chumbinho e o sul-africano Bernard Parker, foram nulos. Na defesa, a mais vazada, só se salvou o zagueiro Anastasios Papazoglou, capitão da nau furada aos 22 anos.



