O bicampeonato alemão com a camisa do Borussia Dortmund está próximo de completar dez anos e o ápice da carreira de cada vez mais se esmorece na memória. O meia ainda teve bons momentos em sua volta ao Signal Iduna Park, após a frustrada passagem pelo Manchester United. Ainda assim, faz quase cinco anos que o japonês não disputa uma temporada inteira em bom nível, sem lesões. E, sem clube desde outubro, Kagawa encontrou uma nova casa nesta semana. O armador de 31 anos será reforço do para a sequência do . Seu novo contrato vai até junho de 2022.

A temporada de 2015/16 foi a última em que Kagawa jogou com regularidade e também teve bons momentos. Foram nove gols e nove assistências pelo Dortmund na Bundesliga, além de bons papéis nas demais competições. Desde então, a queda do japonês se tornou acentuada. Nem mesmo no Dortmund ele conseguiu se reencontrar. Começou a passar mais tempo no departamento médico e veria os aurinegros abrirem mão de seus serviços em 2018/19. O meia mal entrou em campo na primeira metade da temporada e, em janeiro, acabou emprestado ao Besiktas.

Os novos ares não fizeram tão bem assim a Kagawa. Chegou no Campeonato Turco com dois gols logo no primeiro jogo, mas o desempenho do meia não se manteve e ele ficaria mais tempo no banco, numa competição em que os alvinegros não conseguiriam alcançar a taça. Assim, os turcos não quiseram exercer uma opção de compra e o Dortmund não faria questão de segurar seu antigo xodó. Na temporada passada, o Zaragoza desembolsou consideráveis €3 milhões para contar com o astro internacional em suas fileiras.

O plano não saiu como o esperado. Kagawa não sobrou na segunda divisão do Campeonato Espanhol. Pelo contrário, apesar do bom início, acabaria se tornando um coadjuvante e passou a frequentar mais o banco na reta final da campanha. O Zaragoza conseguiu se garantir nos playoffs de acesso, mas foi eliminado pelo Elche nas semifinais. O meia foi titular em ambos os jogos, mas isso seria insuficiente para dar sua contribuição. Assim, os dirigentes em La Romareda preferiram também não preservar o japonês em seu elenco, diante da contenção de gastos por conta da pandemia e por darem preferência a outros atletas nas vagas extracomunitárias.

Kagawa não encontrou um novo destino de imediato, embora seu desejo fosse seguir na Europa. Tentará mais um recomeço, agora na Grécia, com o PAOK. Os tessalonicenses contam com mecenas, o que facilita o negócio em tempos de cintos apertados. A equipe aproveita a janela de inverno para se reforçar. Só que o objetivo não será tão grande desta vez. Nesta quarta, Kagawa acompanhou a vitória do Olympiacos por 3 a 0 no duelo com os alvinegros, abrindo 15 pontos de vantagem na tabela. O PAOK também caiu na Liga Europa. Resta brigar pela vaga na próxima Champions e pelo título da Copa da Grécia.

Para Kagawa, a chegada ao PAOK representa também um desafio pensando na Copa de 2022. Pelo contrato, o clube grego permitirá que o japonês se mantenha em forma até as vésperas do Mundial. Neste momento, as ambições ficam por aí: seguir como um nome frequente na seleção, disputar outra vez a Champions, quem sabe ajudar a consolidação recente dos tessalonicenses. Mas o teto é esse, com a vantagem de poder se tornar ídolo de uma das torcidas mais fanáticas da Europa. O Kagawa excepcional do bicampeonato alemão faz parte só da memória. Embora, num negócio midiático, o PAOK se valha do brilho opaco do medalhão.