Alemanha e Espanha nos brindaram com um amistoso excepcional, sublinhando o favoritismo à Copa

Os amistosos internacionais não costumam ser muito intensos. Nem sempre os jogadores tratam a ocasião com a seriedade esperada e jogos entre grandes seleções terminam bastante insossos. Nesta sexta, porém, Alemanha e Espanha resolveram tratar a partida em Düsseldorf realmente como uma preparação à Copa do Mundo. As duas seleções exibiram grande futebol, em duelo franco e muito bem jogado. Os espanhóis, melhores principalmente no início, com sua qualidade característica nos passes. A Alemanha, crescendo com o passar dos minutos, mais agressiva no ataque. Ao final, o empate por 1 a 1 ficou magro, diante do que ambas as equipes produziram. Certamente um amistoso para ficar na memória, entre os melhores dos últimos anos. E que pode servir de prévia a um novo jogaço nos mata-matas do Mundial.
Pela escalação de ambos os times, era possível esperar uma partida de grande nível técnico. A Alemanha vinha com a sua base principal, alinhada por Joachim Löw: Ter Stegen, Kimmich, Hummels, Boateng, Hector; Khedira, Kroos; Müller, Özil, Draxler; Werner. A Espanha, por outro lado, tinha novidades do meio para frente. E apostava em uma formação mais leve, com Thiago Alcântara na cabeça de área e Rodrigo Moreno como homem de referência. O 11 inicial apresentou: De Gea, Carvajal, Ramos, Piqué, Alba; Thiago, Koke, Iniesta; David Silva, Rodrigo, Isco. De início, a estratégia de Julen Lopetegui se tornou bem mais eficaz aos espanhóis.
Desde os primeiros minutos, a Espanha impôs seu jogo de passes. Mantinha a bola no chão e tocava bastante, com os jogadores se movimentando, trocando de posições. Botou a Alemanha na roda, com os anfitriões demorando a se encaixar na defesa. Assim, o primeiro gol logo aconteceu. Aos seis, Iniesta demonstrou toda a sua maestria. Deu uma enfiada de bola entre os zagueiros alemães. Hummels permaneceu estático e o passe chegou limpo para Rodrigo, se infiltrando na área. De frente para Ter Stegen, o atacante do Valencia não perdoou.
A primeira meia hora de jogo contou com um baile da Espanha. Trabalhava os passes com calma e muita precisão, sem se intimidar com a pressão da Alemanha na marcação. E quando chegava ao campo de ataque, a Roja colocava o Nationalelf contra a parede. Muito acuados, os alemães se defendiam como podiam. Faltava apenas aos espanhóis capricharem um pouco mais no passe final, sem criar tantas ocasiões de gol quanto o domínio total pudesse sugerir. Enquanto isso, os anfitriões viviam de espasmos, sem abrir espaços na retaguarda adversária. A única esperança real de gol veio em lançamento a Werner, que chutou ao lado da meta de De Gea, embora estivesse impedido.
A Alemanha melhorou aos 30 minutos, quando Khedira e Kroos começaram a ditar o ritmo do jogo, fazendo a Espanha se retrair mais. Aos 35, então, saiu o gol de empate. A partir de uma boa triangulação, Thomas Müller teve uma felicidade imensa, ao soltar a pancada de fora da área. Mandou a bola no canto superior de De Gea, sem chance de defesas para o arqueiro. E o Nationalelf manteve o ritmo, ameaçando mais no ataque no final da primeira etapa. O jogo estava em nível alto, e seguiria assim ao segundo tempo.
A partir da volta do intervalo, os dois técnicos passaram a realizar suas alterações. O que não prejudicou em nada a qualidade do amistoso, com os jogadores se encaixando aos sistemas e mantendo a batalha de estilos. O primeiro aviso foi da Alemanha, em chute de longe de Draxler, cheio de veneno, que De Gea espalmou. A Espanha respondeu com duas ótimas tramas pelo chão, trocando passes até encontrar a brecha. Na melhor delas, Ter Stegen se agigantou para fechar o ângulo de Isco. E demorou segundos para a tréplica do Nationalelf, em chute no cantinho de Gündogan que De Gea saltou para buscar. O relógio marcava apenas 11 minutos, mas parecia correr bem mais rápido pela intensidade dos times.
Neste momento, a Alemanha cresceu e se prontificou à virada. Embora a Espanha tivesse mais posse de bola, o Nationalelf atacava as costas da zaga em velocidade. Werner exigiu mais uma ótima defesa de De Gea aos 19 e, logo na sequência, Hummels cabeceou bola no travessão. Com Asensio e Diego Costa dando nova energia ao ataque espanhol, a Roja voltou a levar perigo em passe esticado para David Silva, que acertou o lado de fora da rede. Todavia, nos 20 minutos finais, o duelo se arrefeceu. A Espanha esteve mais próxima da vitória, especialmente em erro de Hector, que quase entregou o ouro a Diego Costa. Por sorte, Boateng travou na hora exata. Já aos germânicos, as incursões de Mario Gómez, Leroy Sané e Leon Goretzka não geraram grandes frutos.
Há acertos a se fazer, claro. A Alemanha tem seu plano de jogo claro, mas individualmente muitos de seus jogadores não vivem o melhor momento. Além disso, a lentidão do sistema defensivo é uma interrogação. Já do outro lado, a Espanha acerta o coletivo e busca as peças ideais para a sua formação. Fato é que, em Düsseldorf, faltou ser mais incisiva nas finalizações. De qualquer maneira, são ajustes para os próximos meses de trabalho a Joachim Löw e Julen Lopetegui. E, mesmo assim, os dois times se mostram preparados a chegar longe na Copa do Mundo. Em um desafio de peso com o desta sexta, ambos tiveram desempenhos bastante satisfatórios. Brindaram quem assistiu com um verdadeiro jogaço.
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