Agora pode comemorar de vez: Tribunais confirmam o título grego ao AEK Atenas

O AEK Atenas não quis nem saber. Há pouco menos de duas semanas, a vitória sobre o Levadiakos desatou a festa no Estádio Olímpico de Atenas. A multidão aurinegra comemorava a reconquista do Campeonato Grego após 24 anos, marcando o renascimento do clube que chegou a ser rebaixado à terceira divisão no início da década, em decorrência de seus problemas financeiros. Ainda assim, nem tudo estava garantido. Por conta da confusão homérica ocorrida na visita ao PAOK, os tribunais desportivos locais haviam concedido os três pontos aos atenienses no confronto direto. Esta vitória, em teoria, assegurava o título por antecipação, embora os adversários tenham apelado da decisão e pudessem revertê-la. Nesta quinta, enfim, o grito pôde sair mais leve do peito. A justiça confirmou o triunfo em Tessalônica e, assim, a taça ao AEK.
O PAOK x AEK de março já se tornou um capítulo emblemático do futebol grego. O duelo entre líder e vice-líder permaneceu empatado até os 45 minutos do segundo tempo. Neste instante, o PAOK abriu o placar no Estádio Toumba, em resultado que alçava os alvinegros à primeira colocação. No entanto, o árbitro anulou o lance, o que gerou um enorme tumulto. O presidente dos tessalonicenses, o magnata Ivan Savvidis, entrou com uma arma na cintura. Já o diretor esportivo Lubos Michel (sim, o ex-árbitro de Copa do Mundo) ameaçou o juiz da partida. A confusão levou a suspensão do embate e, nos vestiários, a arbitragem resolveu remover a anulação do gol, diante da pressão. Assim, concedeu o resultado favorável ao PAOK.
O imbróglio causou a paralisação do Campeonato Grego e, nos tribunais, o AEK Atenas foi premiado com a vitória por 3 a 0 – assinalando a punição do PAOK pelo tumulto. Com esta nova diferença de pontos estabelecida na tabela, o título viria com o referido triunfo sobre o Levadiakos, no Estádio Olímpico abarrotado. A festa continuou nas ruas de Atenas, ainda que faltasse uma chancela oficial da própria organização da liga. No site da competição, os pontos não estavam atribuídos a nenhuma das equipes, aguardando o martelo bater. Já nesta quinta, com a apelação dos alvinegros negada, os aurinegros apenas confirmaram o que haviam proclamado. O PAOK, por sua vez, se garante nas preliminares da Liga dos Campeões, sem poder ser ultrapassado na segunda colocação.
A conquista é bastante significativa ao AEK Atenas. Rompe a hegemonia de sete anos do Olympiacos e recoloca o clube no topo do futebol grego, mas vai além. É um prêmio à boa gestão feita pelos aurinegros, que superaram as dificuldades financeiras e montaram um modelo sólido a partir da queda à terceira divisão, apoiado principalmente nos próprios torcedores. Sem cometer loucuras, a equipe montou um grupo competitivo, suficientemente forte para ascender em uma liga que pena com as dificuldades econômicas. E o dinheiro das competições europeias será bem-vindo para sustentar o cenário. Resta saber se os comandados de Manolo Jiménez terão força suficiente para avançar à fase de grupos da Champions, o que oferece uma bolada maior.
A chance de revanche do PAOK, ao menos, está por vir. Os dois clubes voltam a se enfrentar em 12 de maio, numa final da Copa da Grécia que certamente será cercada de tensões. E uma dobradinha do AEK garantiria cenas ainda mais marcantes ao Estádio Olímpico de Atenas. Jogaço para marcar no calendário.



