Europa

Agora os grupos de torcedores têm prioridade na compra de clubes da Escócia

O que dá essência a clubes de futebol é a relação que eles têm com seus torcedores, mais do que conquistas ou elencos estrelados. É na ligação com indivíduos que ele se estabelece como instituição e acaba sendo mais duradouro que qualquer figura singular. Embora essa compreensão pareça não perpassar entre todos os envolvidos com a administração do futebol, na Escócia ela ganhou um respaldo importante com a aprovação da Lei de Empoderamento à Comunidade. A nova emenda, aprovada por unanimidade pelo parlamento escocês nesta quarta-feira, dá aos grupos de torcedores prioridade na compra de seus clubes.

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A lei, aprovada por 101 parlamentares de maneira unânime, não se restringe apenas ao futebol, afinal dá também a grupos comunitários a possibilidade de comprar terras, mas seu impacto no esporte pode ser considerável. Caso um clube escocês precise ser vendido para sanar alguma dívida de bancarrota, os primeiros a receberam uma proposta de compra da instituição devem ser os grupos de torcedores. Este assunto é uma pauta importante na Escócia sobretudo pelo caso do Rangers, que faliu em 2012, mudou de nome e teve Charles Green, um empresário, como cabeça da reestruturação.

A aprovação da lei é uma conquista para torcedores escoceses, que têm feito campanhas por maior participação na administração de seus clubes. Com exemplos de equipes tradicionais em crise já seguindo um caminho de maior interatividade com sua torcida, como o Hearts, que nos últimos anos realocou uma fatia maior de suas ações para os torcedores, e o Hibernian, que nos últimos meses intensificou a conversa para que sua torcida possa comprar até 51% das ações do clube.

Em tempos de magnatas pouco interessados em futebol se metendo no meio apenas pelo lucro que essa indústria pode render, de equipes que de repente conquistam espaço por causa de um aporte financeiro aleatório, e de distanciamento entre instituições e torcedores por causa da alienação que uma administração tão externa pode causar, é legal ver que em alguns cantos, mesmo que não grandes centros do futebol, o caminho feito é o inverso. O modelo, se der certo, não pode ser transferido de qualquer jeito para outros lugares, mas pelo menos algumas boas lições pode deixar para que diferentes ligas pelo menos reflitam sobre como poderiam adaptar isso em suas particularidades.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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