A Irlanda do Norte se valeu da união para se garantir na primeira Euro de sua história
Muitos defendem que o maior craque da história do Reino Unido nasceu na Irlanda do Norte. George Best pode não ter vivido carreira tão constante, mas a habilidade do ponta para entortar os marcadores era inegável. A grande estrela do futebol norte-irlandês, no entanto, nunca teve o gosto de disputar um torneio internacional por seu país. Historicamente, a seleção local sempre se valeu mais da força coletiva do que de seus talentos individuais. Foi assim em 1958, 1982 e 1986, quando a Irlanda do Norte participou da fase decisiva da Copa do Mundo. E se repetirá na Euro 2016. Pela primeira vez, os norte-irlandeses disputarão o torneio continental. Valeu a enorme comemoração em Belfast, após a vitória por 3 a 1 sobre a Grécia.
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É verdade que a festa da Irlanda do Norte já poderia ter acontecido antes, em setembro. Naquela ocasião, o time recebia a Hungria em casa, precisando apenas da vitória. Acabou empatando em um agônico 1 a 1, com direito a frango do goleiro McGovern e tento salvador de Lafferty nos acréscimos do segundo tempo. Mas desta vez não houve erro, com os norte-irlandeses abrindo logo três gols de vantagem. O capitão Steven Davis foi o nome do jogo, em uma semana iluminada. Após abrir a vitória do Southampton contra o Chelsea, o meio-campista fez dois gols no jogo decisivo por sua nação. Já o momento mais emocionante ficou por conta de Magennis, que foi às lágrimas ao também balançar as redes.
Olhando para o papel, a Irlanda do Norte possui um time de operários. Davis é justamente o principal nome em um elenco sem estrelas. Entre os mais conhecidos estão veteranos como Aaron Hughes, Roy Carroll, Jonny Evans ou Kyle Lafferty. No mais, há uma legião de coadjuvantes em clubes que variam da metade inferior da tabela da Premier League à quarta divisão inglesa, além do Campeonato Escocês e do Australiano. Por mais que as gerações dos anos 1950 e dos anos 1980 não tivessem craques fora de série, ainda apareciam jogadores de destaque no futebol britânico. Danny Blanchflower, Harry Gregg, Pat Jennings e Martin O’Neill são os exemplos, com carreiras consistentes em importantes clubes ingleses.
Reaction as skipper Steven Davis puts Northern Ireland ahead pic.twitter.com/Byky1zsKJf
— Irish News Sport (@irishnewssport) October 8, 2015
Desta vez, a Irlanda do Norte precisou se valer ainda mais da força de seu grupo. O time treinado por Michael O’Neill está longe de ser brilhante, mas é muito bem organizado e não costuma desperdiçar muitas chances no ataque. O suficiente para escrever o seu sucesso no Grupo F. Embora tenham empatado por duas vezes em Belfast, os norte-irlandeses compensaram como visitantes, conquistando três vitórias em quatro jogos. Determinante para encabeçarem a primeira posição em uma chave nivelada por baixo. Porque, afinal, o sucesso do país também é explicado um pouco pela sorte.
Favorita no Grupo F, a Grécia ficou muito abaixo das expectativas. Tanto que ainda não venceu em nove rodadas, atrás até das Ilhas Faroe. Já a briga pela segunda vaga segue entre seleções que, durante os últimos anos, se mantiveram longe dos holofotes no cenário internacional. A Romênia possui leve vantagem, mas perdeu a chance de se classificar, ao ser derrotada pela Finlândia em Bucareste. Aparece só um ponto à frente da Hungria, que venceu as Ilhas Faroe de virada em Budapeste e já se garantiu ao menos na repescagem.
Os problemas dos adversários, no entanto, pouco importam para a Irlanda do Norte. O que vale é a chance de fazer história. E a importância do momento raro ficou evidente no Windsor Park logo após o apito final. Efusivos, os jogadores comandaram uma grande comemoração no gramado. Que também contou com participação especial dos torcedores, cantando e aplaudindo os seus heróis. Depois de 30 anos, os norte-irlandeses voltarão a ter peso em um grande torneio de seleções. A união fez a diferença dentro de campo, e pode ser sentida também no povo que revive as glórias no futebol.
Northern Ireland players celebrate victory – and qualification for Euro 2016! #NIRGREpic.twitter.com/21n080Ji6I — Irish News Sport (@irishnewssport) October 8, 2015
Detalhe especial para a comemoração na TV norte-irlandesa. Cerveja no repórter, que momento:
Reporter Paul Gilmour was soaked by Kyle Lafferty and Chris Baird after Northern Ireland’s win over Greece. #SSNHQ http://t.co/4EiYI4kfSr
— Sky Sports News HQ (@SkySportsNewsHQ) October 8, 2015
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— Rafael (@_fael2) October 8, 2015



