Europa

A fritura de Didi Constantini

Pode não ser oficial, mas o fato é que a cabeça de Didi Constantini, o técnico da seleção austríaca, está a prêmio. A pressão sobre ele aumentou consideravelmente depois das duas derrotas consecutivas sofridas pela Áustria nas eliminatórias para a Eurocopa de 2012, ambas pelo mesmo placar: 2 a 0 para a Bélgica em casa e para a Turquia, fora.

Os resultados negativos tiraram praticamente todas as esperanças austríacas de classificação para o campeonato europeu de seleções. É bem verdade que a equipe está no mesmo grupo da Alemanha, que deve obter a vaga direta sem dificuldades. Mas havia a expectativa de chegar em segundo lugar na chave e jogar a sorte na repescagem.

A esperança austríaca foi alimentada pelos sete pontos conquistados nos três primeiros jogos, mas esvaiu-se nas rodadas seguintes. A seleção ocupa agora apenas o quarto lugar no Grupo A, com sete pontos ganhos (três a menos que a vice-líder Bélgica) e terá seus dois próximos compromissos justamente diante dos alemães.

As derrotas frente a belgas e turcos serviram também para colocar uma sombra sobre o trabalho de Constantini. Se antes da rodada dupla ele acumulava uma campanha razoável no comando da seleção austríaca (6 vitórias, 2 empates e 8 derrotas desde março de 2009, quando assumiu o cargo), depois dela o número de reveses subiu na mesma proporção da desconfiança dos torcedores.

Constantini é criticado principalmente por não dar atenção à questão tática, preocupando-se quase que exclusivamente em motivar os jogadores – função que, admitem até seus críticos, exerce muito bem. Também é tido como inexperiente na seleção, apesar de ter várias passagens como assistente técnico.

A coluna começou com a afirmação de que a fritura de Didi Constantino não é oficial. Explica-se: logo após a derrota para a Turquia e a praticamente eliminação de chances na Euro’12, o presidente da Federação, Leo Windtner, fez questão de dizer publicamente que não pensa na demissão do técnico. “Defendemos a continuidade”, foi a frase do cartola para explicar que Constantini está prestigiado pelo menos até o final da fase de classificação para a Euro.

Vários jogadores da seleção também saíram em defesa do chefe. O meia David Alaba disse que Constantini “é o homem certo para o trabalho”. Os atacantes Marko Anautovic e Stefan Maierhofer foram outros que deram declarações solidárias ao treinador.

Já o próprio técnico, por sua vez, prefere se esquivar e deixou a sua permanência na mão dos dirigentes. “São coisas que eu não posso decidir”, afirmou.

Vale lembrar ainda que três titulares não puderam jogar na Turquia, todos lesionados: o capitão Marc Janko, Franz Schiemer e Zlatko Junuzovi?.

Seja como for, o fato é que a Áustria só voltará a jogar pelas eliminatórias da Euro no dia 3 de junho, quando receberá a Alemanha. Até lá, Constantini terá tempo para colocar a cabeça no lugar, ver os ânimos se acalmarem e, quem sabe, tentar o milagre que recolocaria sua seleção na briga por uma vaga.

Suíça é mais conformada

Assim como seu vizinho, a Suíça também amarga má campanha nas eliminatórias da Euro. O empate sem gols com a Bulgária, fora de casa, praticamente tirou qualquer chance da seleção – o time tem apenas quatro pontos ganhos em quatro jogos e está seis atrás de Inglaterra e Montenegro.

Apesar dos resultados ruins, a pressão ainda não é tão grande sobre o técnico alemão Ottmar Hitzfeld. Alguns críticos de futebol no país chegaram inclusive a opinar que Hitzfeld quer fazer da Suíça uma seleção ofensiva, mas tem esbarrado na falta de habilidade dos seus comandados.

O que assustou na atuação suíça diante dos búlgaros foi o terrível primeiro tempo, quando o time foi totalmente dominado pelos donos da casa. Na segunda etapa, houve considerável melhora, mas não o suficiente para chegar ao gol – o atacante Frei perdeu pelo menos duas boas chances.

A Suíça volta a campo pelas eliminatórias em 4 de junho, quando enfrenta a temida Inglaterra, na casa do adversário.

Imitação alemã

Os torcedores do Sturm Graz, da Áustria, pareceram querer lembrar ao mundo a ligação histórica que seu país tem com a Alemanha. Um dia depois da partida entre St. Pauli e Schalke 04 ser encerrada precocemente na Bundesliga alemã por causa de um copo arremessado no bandeirinha, a torcida do Sturm agiu da mesma maneira.

Logo nos minutos iniciais do duelo diante do Rapid Viena, Christopher Drazan, do time visitante, foi surpreendido por uma “chuva” de copos quando se preparava para cobrar um escanteio. O jogador foi protegido por grandes guarda-chuvas providenciados por funcionários do Sturm, mas o bandeira Matthias Winsauer levou a pior. Resultado: o árbitro Thomas Gangl mandou avisar nos alto-falantes que, se isso ocorresse novamente, suspenderia o jogo.

O Sturm deve ser punido pelo incidente, correndo até mesmo o risco de interdição da sua UPC-Arena.

Copos à parte, a partida – assistida por 15.323 pessoas – foi a mais emocionante da rodada da Tipp3-Bundesliga. O Rapid chegou a estar vencendo por 3 a 1, mas o time da casa foi buscar a igualdade, conquistada com gols de Imre Szabics e Roman Kienast em apenas dois minutos.

O empate em seus domínios deixou o segundo colocado Sturm um pouco mais longe do líder Austria Viena, que bateu o Kapfenberg por 2 a 0 e agora tem três pontos de vantagem na ponta.

Na Super League, o Campeonato Suíço, a liderança segue nas mãos do Basel, que vai administrando a tranquila vantagem de sete pontos sobre o Zürich. Na rodada de retorno da Liga, ambos venceram: 1 a 0 sobre o Neuchâtel Xamax e 3 a 2 sobre o Thun, respectivamente.

Na vitória do Basel, mais uma vez o gol foi do atacante Alexander Frei, que chegou ao seu 17º no campeonato e lidera com folga a lista de artilheiros. O time da Basileia, diga-se de passagem, conquistou seu oitavo resultado positivo consecutivo.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo