A esperança Lato

O mundo passa por um momento de esperança e mudança. Após oito desastrosos anos sob o comando de George W. Bush, os Estados Unidos elegeram Barack Obama para presidente. Negro, democrata, com um discurso que evoca o pensamento de todos, Obama pode ser o ponto fundamental de novos tempos de paz e prosperidade mundial. Dias antes de sua eleição, a Polônia também deu um passo significativo para a mudança estrutural e moral de seu futebol.
Em 30 de outubro, Grzegorz Lato foi eleito presidente da federação polonesa de futebol. Aos 58 anos, obteve o número mínimo de 57 votos entre os 113 delegados e substituirá Michal Listkiewicz, que chegou a ser afastado do cargo pelo tribunal arbitral do Comitê Olímpico Polonês, quando foi nomeado um interventor, mas voltou após ameaças da Fifa e Uefa, para então convocar novas eleições.
Os problemas do futebol polonês são notórios: escândalos de corrupção, manipulação de resultados, dirigentes, árbitros e atletas suspensos e sérias dificuldades em cumprir com o cronograma da Eurocopa de 2012.
“Não descansarei até a imagem da federação se fortalecer e não estou contando apenas comigo. Acho que todos desejam ver um futebol polonês limpo e transparente. Queremos que a Euro-2012 seja um sucesso conjunto”, afirmou Lato após se eleger. “Se a Ucrânia não conseguir a tempo, podemos organizar o torneio junto com a Alemanha”. Essa última declaração, por sinal, causou revolta dos dirigentes ucranianos.
Lato em muito se parece com Obama (guardadas, obviamente, as devidas proporções). Simbolicamente ele representa a esperança da mudança, a esperança de que dias melhores virão para o futebol polonês.
Senador do país entre 2001 e 2005, o ex-jogador tem um currículo limpo e inspirador para os mais jovens. Um dos maiores nomes do futebol polonês em todos os tempos, Lato disputou as Copas de 1974 (onde foi artilheiro com sete gols), 78 e 82, ganhou o ouro olímpico em 1972 (prata em 76) e ao todo disputou 104 jogos pela seleção, com 45 gols marcados. Defendeu, ao longo da carreira, somente três clubes: Stal Mielec, da Polônia, Lokeren, da Bélgica, e Atlante, do México.
Sua eleição é, também, mais um indício dessa “onda” mundial de ex-jogadores consagrados assumirem cargos no mundo do futebol. Seja como dirigentes ou treinadores.
Há muitos anos o futebol polonês está afundado na lama, de onde não consegue sair. Mesmo assim, a seleção tem obtido bons resultados e revelado alguns jogadores de bom nível. A reestruturação da federação e conseqüentemente de todas suas competições é fundamental para um recomeço. Além disso, o apoio da opinião pública e do governo tem grande influência na luta contra a corrupção.
Grzegorz Lato pode ser a pedra fundamental de tudo isso. Mais uma vez o futebol transcende a linha do esporte. Mudança. É isso o que todos querem.
Despedida merecida
Savo Milosevic se despedirá da seleção sérvia logo em sua estréia. A situação inusitada acontecerá no amistoso diante da Bulgária, no próximo dia 19, conforme confirmou a federação. O atacante de 35 anos já defendeu as seleções da Iugoslávia e de Sérvia e Montenegro, no entanto, desde a separação dos montenegrinos, em 3 de junho de 2006, nunca mais foi convocado.
Ao todo, Milosevic disputou 101 jogos pelas duas seleções, tendo marcado 35 gols e disputado as Copas do Mundo de 1998 e 2006, além da Eurocopa de 2000.
O anúncio veio em um momento muito especial da carreira de Milosevic, que após deixar o Osasuna no ano passado, ficou sem clube por alguns meses e chegou a ser recusado pelo Toronto, da Major League Soccer. No final de semana, ele foi o autor do gol que garantiu o inédito título do Rubin Kazan no Campeonato Russo, na vitória por 2 a 1 sobre o Saturn. Nesta temporada, ele atuou pouco pela equipe russa, mas no momento de decisão, marcou presença (o gol da vitória saiu aos 44 minutos do segundo tempo).
“Ele é um jogador excelente e de personalidade excepcional. Milosevic merece uma despedida à altura, o que acontecerá no amistoso contra a Bulgária. Ele tem sido um líder genuíno na seleção e jogou por nossa seleção em tempos difíceis. Sua paixão sempre foi o alicerce para a construção da atmosfera certa no vestiário”, escreveu a federação sérvia em um comunicado oficial.
Milosevic começou sua carreira no Partizan, onde ganhou dois Campeonatos Iugoslavos e uma Copa da Iugoslávia. Depois se transferiu para o Aston Villa, Real Zaragoza, Parma, Espanyol e Celta, antes das passagens já citadas por Osasuna e Rubin Kazan



