Eliminatórias da CopaEuropa

4 motivos para acreditar (e 4 para desconfiar) na Bélgica

A classificação da Bélgica à Copa do Mundo de 2014 era mais do que esperada. Não bastasse a badaladíssima geração de jogadores à disposição do técnico Marc Wilmots, os Diabos Vermelhos sobraram em sua campanha nas Eliminatórias. E a confirmação da viagem ao Brasil veio da melhor forma possível. Vitória fora de casa contra o adversário mais difícil da chave, 2 a 1 sobre a Croácia em Zagreb. Uma atuação imponente dos belgas, que pressionaram e marcaram dois gols em arrancadas Romelu Lukaku.

Por tudo que vem fazendo nos últimos meses, a Bélgica merece atenção especial. Afinal, a boa fase da equipe deve render até mesmo um lugar como cabeça de chave no Mundial – os oito primeiros colocados do Ranking da Fifa de outubro serão os escolhidos e os belgas ocupam atualmente a sexta posição. No entanto, assim como toda sensação às vésperas da Copa, é preciso fazer algumas ressalvas. O elenco conta com vários jovens e promete se firmar entre as melhores seleções europeias nesta década, mas falta rodagem e tarimba. Por que acreditar na Bélgica? E por que não botar fé? Damos oito motivos para todos os gostos, confira:

Os motivos para acreditar na Bélgica

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– A qualidade em diferentes setores da equipe

Marc Wilmots possui um elenco completo em mãos. Thibaut Courtois e Simon Mignolet estão entre os goleiros de mais futuro do mundo. Liderada por Kompany e Vertonghen, a linha defensiva é fortíssima e, com tantos nomes à disposição, até mesmo as laterais ficam mais encorpadas. O meio-campo possui grande imposição física, com Marouane Fellaini, Axel Witsel e Moussa Dembélé. E o ataque conta tanto com pontas rápidos e criativos (como Eden Hazard, Kevin De Bruyne, Kevin Mirallas e Dries Mertens) quanto com centroavantes goleadores (Romelu Lukaku e Christian Benteke). Tantos destaques permitem a montagem não apenas de um time titular forte, como também abrem as possibilidades para variações táticas.

– O sucesso dos jogadores por seus clubes

O momento de quase todos os jogadores à disposição da Bélgica é prolífico. Kompany, Vertonghen e Hazard conquistaram recentemente os prêmios de melhores jogadores da Premier League, da Eredivisie e da Ligue 1, respectivamente. Outros, como Fellaini, Lukaku, Witsel e Dembélé movimentaram milhões no mercado de transferências. E o fato de que a maioria dos jogadores é protagonista em equipes da Premier League, o campeonato nacional mais visado do mundo, os ajuda a deixar em evidência.

– O embalo da seleção nos últimos meses

A seleção belga não sabe o que é uma derrota há quase um ano. O último tropeço do time foi em novembro de 2012, superada pela Romênia em Bucareste. Desde então, foram sete vitórias em oito partidas, todas disputadas em 2013 – sendo três amistosos e cinco compromissos pelas Eliminatórias. Já o último revés dos belgas em partidas oficiais aconteceu em outubro de 2011, batida pela Alemanha na qualificação para a Eurocopa. Não à toa, o desempenho alavanca o time no Ranking da Fifa, onde subiu 22 posições nos últimos 12 meses.

– A facilidade que tiveram nas Eliminatórias

Quando o sorteio das Eliminatórias foi feito, o Grupo A se sugeria o mais equilibrado da competição. Sérvia e Croácia estiveram presentes nas últimas Copas, enquanto Escócia e Gales mereciam respeito pela tradição. Porém, os belgas não tomaram conhecimento de nenhum dos rivais. Em nove rodadas, a única equipe que conseguiu arrancar pontos dos Diabos Vermelhos foi a Croácia, no empate por 1 a 1 ainda na segunda rodada. Somente Alemanha e Holanda possuem um aproveitamento tão bom no qualificatório europeu.

Os motivos para não acreditar na Bélgica

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– A falta de testes de verdade à equipe

Embora a quantidade de vitórias nos últimos jogos deixe a Bélgica em evidência, faltam bons resultados contra seleções de peso. O único triunfo à altura de tanta expectativa aconteceu em agosto de 2012: 4 a 2 sobre a Holanda, em Bruxelas. Porém, cabe ponderar que a Oranje tentava se reerguer da crise que a abateu na Euro, na estreia de Louis van Gaal, e três dos quatro gols dos belgas saíram em um apagão dos holandeses, em um intervalo de cinco minutos. A partir de 2010, o retrospecto contra seleções campeãs do mundo inclui duas derrotas para a Alemanha, uma para a Inglaterra e dois empates com a França.

– A ausência na Euro 2012

A queda da Bélgica nas Eliminatórias da Euro 2012 pode ser considerada um grande fracasso. Tudo bem que o elenco amadureceu desde então, mas a terceira colocação no Grupo A ficou aquém do esperado. Ficar atrás da Alemanha era natural, mas os belgas sequer alcançaram a vaga na repescagem, dois pontos atrás da Turquia. Entre os tropeços mais notáveis dos Diabos Vermelhos, o empate em casa com a Áustria (4 a 4, com um gol sofrido aos 48 do segundo tempo) e o empate com o Azerbaijão em Baku.

– A falta de tarimba internacional do elenco

Não se pode confundir badalação com sucesso. O reconhecimento dos jogadores belgas é notável, mas faltam títulos e grandes campanhas em torneios internacionais. Os únicos protagonistas em troféus importantes são Kompany, campeão inglês com o Manchester City; Hazard, campeão francês com o Lille; e Courtois, campeão da Liga Europa. Van Buyten até possui um currículo extenso, mas sempre como coadjuvante do Bayern Munique. E, como a Bélgica ficou de fora dos dois últimos Mundiais e das três últimas Eurocopas, somente Van Buyten e Timmy Simmons estiveram presentes em um grande torneio com a seleção, a Copa de 2002.

– As expectativas excessivas

No fim das contas, a badalação tende mais a atrapalhar do que a ajudar a Bélgica. Os adversários ficarão mais atentos ao estilo de jogo do time de Wilmots. Além disso, a provável posição como cabeça de chave tende a colocar mais pressão pela classificação às oitavas de final na Copa. Considerando a juventude do time, onde 13 dos últimos 23 convocados possuem 25 anos ou menos, os efeitos adversos dessa cobrança não seriam surpreendentes. A Copa de 2014 pode ser vista como um degrau para um sucesso maior dos belgas no futuro, mas pensar em chance de título neste momento é exigir demais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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