Futebol espanhol

Encaixe de Rodri no Barcelona é menos simples do que parece por dois motivos

Volante ex-Manchester City chega como reforço de elite para o Barça de Hansi Flick, mas nem tudo são flores

A contratação de Rodri pelo Barcelona parece o casamento perfeito. O clube, historicamente ligado à troca de passes, controle do jogo e uma filosofia ofensiva, garante a chegada do melhor volante do mundo no quesito organização do jogo.

É um reforço de elite, inegável. O espanhol de 30 anos mostrou na Copa do Mundo de 2026, na qual foi eleito o melhor jogador, que ainda faz entrega muito tecnicamente. Isso apesar de uma grave lesão no joelho em setembro de 2024, que praticamente inviabilizou uma sequência saudável dele até o Mundial.

O preço dá para dizer que é questionável. 60 milhões de euros fixos, podendo ter mais 11 milhões em bônus, é consideravelmente alto pela idade. De quebra, há um grande histórico recente de problemas físicos — após a ruptura do ligamento, foram mais seis lesões.

E ainda há um outro fator pouco falado, que é alguns encaixes táticos. Rodri será obviamente titular, na vaga de Frenkie de Jong, lesionado pelo menos até novembro. Porém, dá para dizer que há duas questões para Hansi Flick resolver: como será a dinâmica do volante com Pedri e a postura a partir da perda da bola.

Guia do Barcelona: Favorito ao tri de LaLiga, mas confiança em Flick pode virar armadilha

Guia do Barcelona: Favorito ao tri de LaLiga, mas confiança em Flick pode virar armadilha

Leia →

Rodri e Pedri não se entrosaram na Copa do Mundo

A Espanha conquistou o mundo sem o seu segundo melhor meio-campista. Com Rodri titular como camisa 5, Pedri ficou no banco de reservas e não foi decisivo na conquista. O técnico Luis de la Fuente consolidou o mesmo meio-campo que venceu a Eurocopa em 2024, com Fabián Ruiz e Dani Olmo completando o trio.

O meia do Barça só poderia entrar no espaço de Ruiz, que, pela tática do treinador espanhol, fazia mais sentido no estilo de jogo do que Pedri.

A seleção espanhola, no momento ofensivo, atuava apenas com Rodri à frente ou entre os zagueiros. O segundo volante precisava avançar mais no campo, atuar mais entre as linhas adversárias para receber, conduzir e até pisar na área para marcar gols. O cenário perfeito para Ruiz. Para Pedri, o pior.

O jovem de 23 anos é o cara da organização no Barça, direcionando ataques em uma dupla com De Jong, que muitas vezes avançava mais no campo. Como na Espanha, Rodri fazia isso, não tinha espaço para ele.

Mapa de calor de Pedri na Copa do Mundo 2026 (à esquerda) e em LaLiga 2025/26
Mapa de calor de Pedri na Copa do Mundo 2026 (à esquerda) e em LaLiga 2025/26 (Foto: Sofascore)

Será algo para Flick encontrar uma solução.

O Barcelona do técnico alemão tem uma estrutura diferente da Espanha, normalmente com uma dupla de volantes mais fixa à frente de três zagueiros.

Ainda assim, não será simples e Pedri pode “pagar” o preço da chegada de Rodri. O mais experiente, naturalmente, será o cara mais procurado para o primeiro passe, monopolizando muito as ações ofensivas. No auge pelo Manchester City, ele tinha média de 120 toques na bola por jogo.

O meia do Barça, nas duas últimas edições de LaLiga, somou mais de 80 ações com posse por jogo, número que deve cair. O jovem provavelmente continuará próximo da saída de bola, apoiando os zagueiros e novo colega, mas com liberdade para conduzir a bola por dentro, mais parecido com a função que era de Frenkie de Jong.

Rodri pode transformar Barcelona ou time expô-lo

A maior marca do Barcelona de Hansi Flick tem sido a intensidade para pressionar os adversários. Essa estratégia, porém, tem sido uma faca de dois gumes. Foi chave nos dois títulos espanhóis, ao mesmo tempo que dá para dizer que impactou nas eliminações na Champions League.

Esse ritmo elétrico, por vezes, também impacta a forma do time atacar. A equipe tentou ser vertical demais, por exemplo, na histórica semifinal europeia de 13 gols, contando ida e volta, com a Internazionale em 2025. Um jogo caótico, muito lá e cá e sem controle, não é o ideal para Rodri.

O volante, menos veloz, se destaca por seu posicionamento e leitura para cobrir grandes espaços no campo. Fez isso no Manchester City, campeão da Premier League três vezes com a melhor defesa. A questão é que a equipe então treinada por Pep Guardiola era mais parecida na forma de jogar com a seleção espanhola de Luis de la Fuente do que o Barça atual de Flick.

Rodri em apresentação no Barcelona
Rodri em apresentação no Barcelona (Foto: IMAGO / Ricardo Larreina Amador)

Para não deixá-lo exposto, os Culés precisam cuidar ainda mais da bola, rodá-la em busca dos espaços e, quando perder a posse, pressionar rápido para recuperar rápido e evitar uma longa corrida para trás dos zagueiros e do camisa 16.

— Acredito que Rodri é o melhor primeiro volante do mundo. Ele é capaz de controlar o jogo, mas também contribui significativamente na defesa — elogiou o técnico alemão.

Há dúvidas no encaixe, mas a tendência é o novo reforço ser a cara do meio-campo do Barcelona e elevar o status de favoritismo do time tanto em LaLiga como na Champions, que é o grande sonho do projeto com Flick. A estreia no Campeonato Espanhol está marcada para este domingo (23), contra o Elche.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo