Copa do Mundo 2026

Pedri x Ruiz: Espanha chega à semifinal com disputa aberta que desafia De la Fuente

Antes de partida com a França por uma vaga na final da Copa do Mundo, técnico tem dúvida para o meio-campo que altera forma do time reter a bola

A Espanha segue sua trajetória na Copa do Mundo com um futebol mais eficiente do que necessariamente vistoso. Invicta, com cinco vitórias seguidas, eliminou a Bélgica na última sexta-feira (10) e agora enfrenta a França na semifinal, confronto entre quem eram considerados os dois favoritos antes da competição iniciar.

Se o lado francês tem muitas certezas, com um futebol ofensivo e vibrante por um quarteto mágico de atacantes, os espanhóis contam com uma dúvida importante no que melhor ilustra seu estilo de jogo: o meio-campo. Há uma disputa aberta entre Pedri e Fabián Ruiz para ver quem será o terceiro no setor, formado provavelmente por Rodri e Dani Olmo.

Ruiz foi titular contra os belgas e entregou: surgiu, como elenco surpresa na área, para completar rebote do goleiro e abrir o placar. “O Fabián está treinando muito bem, assim como o Pedri, mas qualquer um dos dois poderia jogar”, justificou De la Fuente ao “DAZN”.

Antes, Pedri tinha iniciado todos os jogos, mas com desempenho abaixo, muito longe do jogador influente e decisivo para a forma do Barcelona jogar. Inclusive, o trio que venceu os belgas foi o que conquistou a Eurocopa em 2024, com todos em altíssimo nível, enquanto o meia do Barça estava lesionado.

A situação antes da partida contra a França, naturalmente, apontaria para um favoritismo do Ruiz pelo gol. No entanto, o contexto da partida pode ser ideal para Pedri voltar.

Fabián Ruiz celebra gol da Espanha
Fabián Ruiz celebra gol da Espanha (Foto: IMAGO / Xinhua)

Espanha precisará do controle de Pedri contra a França

A seleção francesa encanta na Copa do Mundo. Segura na defesa, tem qualidade de sobra no ataque com Kylian Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé e Dérisé Doué (ou Bradley Barcola). Venceu todas as partidas na campanha e marcou 16 gols, metade só de seu centroavante, que igualou Lionel Messi como maior artilheiro da história das Copas.

Há caminhos para tentar pará-los. Na retranca, o Paraguai os segurou por mais de 60 minutos. A outra forma, da maneira espanhola, seria tirar a bola deles. Rodar a posse para atacar e também para se defender.

Para isso, pensando nas características dos meias, Pedri entregaria justamente mais controle e capacidade de reter a bola. O jovem do Barça, com seus 1,74m, é o típico meia espanhol distribuidor: dá a primeira opção de passe aos zagueiros, tem uma grande qualidade no passe curto e longo e, principalmente, é ótimo em escapar de pressões.

Pensando em como a França deve subir a marcação para roubar a bola no campo de ataque, faz ainda mais sentido pensar no camisa 20. Por sua influência com a posse, Pedri é um meia capaz de entregar uma atuação com 130 ações com bola e 86 passes certos, como foi no empate com Cabo Verde, na estreia do Mundial.

Não que Fabián Ruiz seja tão inferior nesses quesitos. O meio-campista do PSG também é um bom passador e pode exercer essa função, mas, na comparação com Pedri, fica abaixo.

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Ruiz, porém, entrega chegada à área e faz mais sentido para De La Fuente

Fabián Ruiz substitui Pedri em jogo da Copa do Mundo
Fabián Ruiz substitui Pedri em jogo da Copa do Mundo (Foto: DeFodi Images / Icon Sport)

A vitória sobre a Bélgica serviu para mostrar a grande valência do jogo do jogador de 30 anos: a força ofensiva. O oportunismo para marcar gols já apareceu na campanha da Euro, na qual foi um dos melhores do time, e também em vários momentos no bicampeão europeu PSG. Por seus 1,89m, consegue dar peso à área no jogo aéreo.

Além disso, entrega chutes de média distância e bons passes em uma fase mais ofensiva, só que conduz e retém mais a bola que o concorrente direto de posição. “Queríamos dar uma característica diferente à equipe”, disse Luis de la Fuente sobre sua escolha nas quartas de final.

— O Fabián oferece mais controle do jogo, tem um perfil diferente do Pedri. Entendemos que era exatamente o que precisávamos: mais presença ofensiva. E deixamos o Pedri para a parte final da partida, aproveitando seu frescor e sua visão de jogo — completou.

Por essa veia mais do ataque, Ruiz também parece conseguir entregar o que o técnico espanhol busca nesse segundo volante.

Como Rodri é o primeiro homem da distribuição, entre ou à frente dos zagueiros, De la Fuente quer muitas vezes que esse outro integrante do meio avance mais, se posicione em uma função próxima da região entre as costas dos volantes adversários.

Para Ruiz, é uma posição natural. Pedri encontra um cenário diferente do que exerce no Barcelona, em que aparece mais atrás para armar, mesmo que também apareça mais ofensivo. O mapa de calor abaixo do meia culé mostra as diferenças de ações com bola entre clube e seleção.

Mapa de calor de Pedri pela Espanha na Copa do Mundo (esquerda) e pelo Barcelona em LaLiga
Mapa de calor de Pedri pela Espanha na Copa do Mundo (esquerda) e pelo Barcelona em LaLiga (Foto: SofaScore)

De la Fuente gosta de manter o mistério da escalação até pouco antes da partida, como revelou Ruiz, o que deve voltar a acontecer antes do duelo contra a França nesta terça-feira (14). A partida inicia a partir das 17h (horário de Brasília) e define um dos integrantes da final do dia 19. Do outro lado da chave estão Noruega, Inglaterra, Argentina e Suíça.

— Só podem entrar 11 em campo, e todos entendem esse papel, o que precisam desempenhar em cada momento. Quando entram, sabem exatamente o que têm que fazer. Por isso, é um prazer ser o treinador deles — disse De la Fuente.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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