Copa do Mundo 2026

Paraguai 0 x 1 França: Albirroja amarra jogo e franceses precisam recorrer ao banco para avançar na Copa

Paraguai executa plano de Gustavo Alfaro quase à perfeição, mas entrada de Doué muda roteiro e coloca Bleus nas quartas

O calor de quase 40 graus na Filadélfia transformou as oitavas de final da Copa do Mundo em um teste de resistência. O Paraguai sustentou o quanto pôde. Marcou forte, encurtou espaços, fechou o corredor central e dificultou a vida da França durante praticamente toda a partida. Mas, no fim, prevaleceu a profundidade de elenco dos atuais vice-campeões mundiais.

A vitória por 1 a 0, que garantiu os Bleus nas quartas de final, nasceu justamente da força do banco de reservas. Coube a Désiré Doué mudar o roteiro de um jogo que caminhava para a prorrogação. Poucos minutos depois de entrar em campo, o jovem atacante desmontou a defesa paraguaia em jogada individual e sofreu o pênalti convertido por Kylian Mbappé.

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Foi uma classificação mais trabalhada do que brilhante. A França encontrou dificuldades para transformar posse de bola em chances claras, enquanto o Paraguai executou à risca o plano traçado por Gustavo Alfaro. No fim das contas, porém, bastou um lampejo de talento para definir uma eliminatória que parecia destinada a mais 30 minutos de tensão.

Paraguai 0 x 1 França: como foi o jogo?

Posse de bola, linhas altas e jogo propositivo de um lado; contra bloco baixo, compactação e marcação forte do outro. Assim foi a configuração de França x Paraguai na Filadélfia. E pode-se dizer que no primeiro tempo, o ferrolho paraguaio atingiu seu objetivo: segurou o ímpeto ofensivo dos Bleus e levou o 0 a 0 para o intervalo.

Na segunda etapa, o relógio passou a ser um fator para o time de Didier Deschamps. O tempo passava, o placar não era alterado e a seleção francesa já não tinha o mesmo vigor físico. Levar a decisão para prorrogação e posteriormente para os pênaltis era tudo que o Paraguai queria. Mas não foi o que aconteceu.

Poucos minutos após entrar em campo no lugar de Barcola, Doué fez linda jogada pela esquerda, enfileirou a defesa paraguaia e acabou calçado na área por Diego Gómez. Pênalti. Mbappé deslocou Orlando Gill na cobrança e abriu o placar.

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Paraguai 0 x 1 França: Entrada de Doué muda jogo

Momento em que Doué entra no lugar de Barcola
Momento em que Doué entra no lugar de Barcola (Foto: Baptiste Fernandez / Icon Sport)

Nem sempre os protagonistas são aqueles que começam a partida. Contra o Paraguai, Didier Deschamps encontrou no banco a solução para destravar uma defesa que parecia intransponível. Désiré Doué entrou justamente para oferecer aquilo que a França vinha sentindo falta: desequilíbrio no um contra um.

O jovem atacante talvez ainda não carregue o mesmo peso midiático de Mbappé ou de outros nomes do elenco francês, mas sua importância cresce a cada temporada. Alternando a titularidade com Bradley Barcola pelo lado esquerdo, Doué oferece características diferentes ao setor ofensivo. É um jogador de condução refinada, explosão curta, excelente controle de bola e muita confiança para partir no mano a mano.

Foi exatamente dessa forma que decidiu a classificação. Em uma de suas primeiras participações, acelerou pelo corredor esquerdo, deixou marcadores para trás e “obrigou” Diego Gómez a cometer o pênalti que definiu o confronto.

O lance foi mais uma demonstração do enorme potencial de um jogador que, apesar da pouca idade, já ocupa papel relevante no Paris Saint-Germain, atual bicampeão da Champions League. Não por acaso, Doué também é o atual vencedor do Golden Boy, prêmio concedido anualmente pelo jornal italiano “Tuttosport” ao melhor jogador sub-21 em atividade no futebol europeu.

Cenário contra Marrocos deve exigir outra versão da França

Nas quartas de final, o contexto promete ser diferente. O próximo adversário dos Bleus será o Marrocos, que mais cedo eliminou o Canadá e garantiu vaga entre as oito melhores seleções da Copa do Mundo.

Ao contrário do Paraguai, que praticamente entregou a posse de bola e concentrou seus esforços em defender a própria área, os marroquinos costumam apresentar uma postura mais equilibrada. Trata-se de uma equipe confortável com a bola nos pés, capaz de acelerar transições, explorar jogadores tecnicamente qualificados e criar problemas mesmo contra seleções favoritas.

Isso tende a produzir um jogo mais aberto e com espaços maiores para o ataque francês. Ao mesmo tempo, exigirá mais atenção defensiva dos comandados de Didier Deschamps, que dificilmente terão o controle territorial quase absoluto que encontraram diante da Albirroja.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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