‘Tem certeza do que ouviu’: A importante resposta do Real Madrid em apoio a Vini Jr
Clube e demais atletas do elenco apoiam o brasileiro e cobram medidas eficazes de combate ao preconceito no futebol europeu
Faz uma semana desde que o jogo entre Benfica e Real Madrid nos playoffs da Champions League ultrapassou o limite das quatro linhas e se ficou marcado por denúncia de racismo. O atacante merengue Vinicius Júnior afirmou ao árbitro que foi chamado de “macaco” por Gianluca Prestianni, meia-atacante do time português. O argentino nega.
Na ocasião, nomes como Kylian Mbappé e Fede Valverde apoiaram publicamente o brasileiro, e nesta terça-feira (24), foi a vez de Thibaut Courtois falar em defesa do camisa 7.
— Estamos 100% com Vinicius, que já passou por muita coisa, mas nunca disse algo parecido. Ele tem certeza do que ouviu, e acredito 100% nele — afirmou o goleiro em entrevista coletiva.
Postura forte do Real Madrid em relação a incidente com Vinicius Júnior
Courtois é mais um exemplo da maneira contundente como o Real Madrid e seus jogadores têm lidado com o caso. Na entrevista coletiva antes do jogo, o tom das declarações subiu. Tanto Courtois como Arbeloa foram duros em suas falas, demonstrando total apoio a Vini.
O clube se pronunciou em nota e afirmou ter fornecido à Uefa “todas as provas disponíveis sobre os incidentes ocorridos”. Além da suposta ofensa em campo, torcedores do Benfica foram flagrados imitando macaco em direção a Vini.
A instituição também prometeu continuar os esforços em “erradicar o racismo, a violência e o ódio no esporte e na sociedade”.
O jogador argentino afirmou que “não dirigiu insultos racistas” a Vini. Segundo ele, o brasileiro “interpretou errado” o que teria sido dito. O Benfica declarou apoio a seu atleta.
Em todo caso, Courtois considerou esta uma “grande oportunidade” de colocar fim ao preconceito de qualquer tipo. O técnico Álvaro Arbeloa concordou.
— Temos a oportunidade de dar um golpe no racismo. A Uefa sempre levanta a bandeira dessa luta e agora tem a oportunidade de fazer algo (…) Me incomoda que a comemoração de Vinicius esteja sendo usada contra ele. Não podemos justificar um suposto ato de racismo por causa da comemoração de um jogador — salientou o treinador na coletiva.
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Arquibancadas, TV e campo: Vini Jr. denuncia racismo de todos os lados
Vinicius Júnior desembarcou no Santiago Bernabéu em 2018 e acusou ter sido vítima de discriminação racial dezenas de vezes no período. Ele até se tornou símbolo da luta antirracista.

Os incidentes eram reportados por todo o território espanhol e a maioria teria ocorrido por parte de torcedores adversários, mas não exclusivamente esse grupo.
Pedro Bravo, presidente da Associações de Agentes Espanhóis, falou ao “El Chiringuito” em 2022 que Vini tinha que “respeitar seus companheiros de profissão e deixar de brincar de macaco“.
Houve pedido de desculpas depois da repercussão negativa da declaração, porém, desde então, o comportamento do craque tem sido usado como uma forma de “justificar” as supostas ofensas.
Foi esta linha que José Mourinho seguiu após o Benfica 0 x 1 Real Madrid no Estádio da Luz, em Portugal, o que Courtois rechaçou.
— Mourinho é Mourinho, e como treinador, você sempre vai defender seu clube. Mas me incomoda que a comemoração de Vinicius esteja sendo usada contra ele. (…) Não podemos justificar um suposto ato de racismo por causa de uma comemoração — disse o goleiro.
Repercussão e detalhes do caso
Tão logo a partida acabou, diversas personalidades do esporte se posicionaram em defesa de Vini.
Thierry Henry prestou solidariedade ao camisa 7 ao comentar o incidente na “CBS Sports”. “Prestianni foi muito ‘corajoso’ ao colocar a camisa na boca… e a reação de Vini já me mostra que algo errado tinha acontecido”, afirmou.
O ex-jogador declarou que, após o jogo, o assunto deveria ser o golaço feito pelo brasileiro, e não uma acusação de racismo.
— O árbitro diz que não pode fazer nada, porque não se pôde ver o que Prestianni disse. Então vamos ver o quão grande é Prestianni. Nos diga o que você disse. Não adianta dizer ao Mbappé que ‘não disse nada’. Como assim, não disse nada? Você tampou sua boca por que? Estava com frio? — questionou Henry.
Clarence Seedorf também defendeu Vinicius, bem como Wesley Sneijder, Jamie Carragher e Luisão, ídolo do Benfica.
— Esta camisa é muito grande, amo o Benfica, é a minha segunda pele. Tem que ser digno para vestir o manto sagrado. Futebol se ganha na raça, na luta… Foi ato racista sim, e eu estou envergonhado com isso — escreveu Luisão nas redes sociais.
Além do grupo, técnicos se pronunciaram em favor do brasileiro. Nuno Espírito Santo, do West Ham, Liam Rosenior, do Chelsea, Vincent Kompany, do Bayern de Munique, são alguns dos treinadores negros das grandes ligas europeias que reforçaram a importância de ouvir a voz da vítima que acusa.
— Quando se vê como Vini Júnior reage, a reação dele não pode ser encenação. É uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício em ele ir até o árbitro e assumir esse sofrimento. Não há absolutamente nenhum motivo para ele fazer isso. Acredito que ele fez isso porque achou que era a coisa certa a fazer — analisou Kompany.

A Uefa anunciou suspensão provisória de um jogo a Prestianni na segunda-feira (23). Dessa forma, o meia-atacante não pode enfrentar o Real Madrid no Santiago Bernabéu na partida de volta dos playoffs nesta quarta-feira (25), às 17h (de Brasília).
O argentino foi enquadrado no artigo 14 do regulamento disciplinar da entidade, que estabelece punição a “qualquer entidade ou pessoa sujeita a estes regulamentos que insulte a dignidade humana de uma pessoa ou de um grupo por qualquer motivo, incluindo cor da pele, raça, religião, origem étnica, gênero ou orientação sexual”.
A federação ponderou haver indícios “razoáveis” de infração grave contra a dignidade humana por parte de Prestianni. A nota ressaltou que a investigação ainda está em curso, de modo que a sanção pode ser maior no futuro.
De acordo com o regulamento da Uefa, o atleta considerado culpado neste caso pode ser punido com “suspensão de no mínimo dez partidas ou por um período determinado, ou a qualquer outra sanção cabível”.



