‘Recurso fácil’: Arbeloa mostra incômodo com dependência do Real Madrid em Vini Jr
Técnico pede mais equilíbrio do time após segunda derrota seguida em LaLiga
Álvaro Arbeloa tem batido em uma tecla específica para o Real Madrid ser melhor e superar a dependência de Vinicius Júnior. A equipe perdeu para o Getafe nesta segunda-feira (2), 1 a 0, e viu o rival Barcelona ficar com quatro pontos de vantagem na liderança de LaLiga.
Segundo o técnico merengue, seu time concentra muito as jogadas do lado esquerdo do campo, buscando o drible do brasileiro para destravar jogos contra defesas mais fechadas. A solução para ele é utilizar também o outro corredor do campo.
— Enfrentamos um adversário que se fechou muito bem e deveríamos ter sido mais agressivos na primeira linha. Pelos dois lados. Sempre tendemos a buscar esse recurso fácil, que é o Vinícius, mas precisamos de desequilíbrio pelas duas alas. Temos que corrigir e melhorar isso. Falamos muito sobre a dificuldade de atacar blocos baixos — analisou após o revés.

É um discurso parecido ao que utilizou na última semana, quando também perdeu, dessa vez para o Osasuna, 2 a 1. Arbeloa citou como acelerar as jogadas no momento certo é um caminho, além de bater na tecla de utilizar o lado direito.
— Nos falta muita velocidade no jogo diante de qualquer bloco baixo. Ou você movimenta a bola muito mais rápido, ou vão te defender com muita facilidade. É algo que precisamos continuar melhorando e trabalhando — apontou em 21 de fevereiro.
— Temos que ser capazes de ter desequilíbrio pelos dois lados. Agora concentramos muito o nosso jogo pelo lado esquerdo e precisamos conseguir fazer pelo outro também, senão ficamos fáceis de defender — completou.
Por que Real Madrid é tão dependente de Vinicius Júnior
Arbeloa, apesar de apontar uma “solução” para evitar que o time acione tanto Vini Jr., não tem utilizado uma escalação que possa melhorar isso. A razão está no fato de que o Madrid raramente atua com ponta pela direita.
O meio-campista Fede Valverde normalmente ocupa aquele corredor ou até Arda Güler, típico meia camisa 10. O lateral-direito nas últimas partidas tem sido Trent Alexander-Arnold, que apesar de ter capacidade de ultrapassagens e cruzamentos, tem chegado pouco à linha de fundo, se concentrando em jogadas por dentro.
A má fase de Franco Manstatuono, ponta direita titular nas primeiras partidas de Arbeloa, e as lesões recentes de Rodrygo atrapalham o técnico a buscar uma solução para esse problema.
Soma-se a isso, do outro lado do campo, ter um cara que gera jogo como Vinicius Júnior. O brasileiro, um dos melhores dribladores do mundo, tem capacidade de levar para a linha de fundo buscando cruzamentos, como fez em várias assistências na temporada, ou cortar para dentro para finalizar, a exemplo do belo gol que fez contra o Benfica no último mês.

A dependência é agravada quando Kylian Mbappé está em campo, afinal, o centroavante é um ponta esquerda de origem e tem preferência por ser um camisa 9 de mobilidade que cai por aquele lado.
Jude Bellingham é outro que também atua mais no corredor canhoto, mostrando o desafio que os técnicos do Real têm desde a chegada do centroavante francês (Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e agora Arbeloa). No momento, tanto o meia inglês quanto Mbappé estão lesionados.
Rodrygo voltou de lesão frente ao Getafe, fazendo uma boa atuação — poderia ter empatado em uma cabeçada defendida pelo goleiro –, e pode ajudar a equilibrar mais o Real, mesmo que seja melhor com liberdade para flutuar para outros setores.
Arbeloa sabe que não continuará no cargo para a próxima temporada se não der a volta por cima em uma temporada irregular dos Merengues. A equipe visita o Celta nesta sexta (6) antes do duelo contra o Manchester City pelas oitavas de final da Champions League.



