As inúmeras lições contra o racismo que Vini Júnior deu em sua imperdível entrevista
Confira a maior parte da entrevista de Vinícius Júnior ao L'Equipe, em que fala sobre a luta contra o racismo e outros temas importantes em sua carreira
Quando Vinícius Júnior fala, é preciso ouvir. O atacante pode encantar por suas arrancadas em campo, por seu repertório de infindáveis dribles, pelos golaços que anota com cada vez mais frequência. Mas tão potente quanto o talento do jovem é a sua voz. Se a habilidade de Vini é raríssima em campo, ainda mais rara é a lucidez e a força de seu discurso. A maneira como o brasileiro passou a liderar a luta contra o racismo no futebol é um marco, tanto pela firmeza que demonstra quanto pela clareza em seus posicionamentos. Algo que se nota repetidas vezes, sobretudo nas entrevistas que concede.
Nesta semana, o L’Équipe publicou uma longa conversa com Vinícius Júnior. O jogador do Real Madrid fala sobre diferentes assuntos, desde sua infância em São Gonçalo até os sonhos para o futuro. Traz detalhes sobre a sua relação com vários personagens do Real Madrid. Porém, nada é mais importante do que a maneira como Vini se posiciona contra o racismo e fala sobre o tema. É muito interessante ouvir o brasileiro, especialmente suas reflexões após estudar o assunto, enquanto também integra uma rede de apoio com outros jogadores negros de relevo. O combate ao racismo, sem dúvidas, se torna mais forte a partir de sua firmeza.
Abaixo, traduzimos diversos trechos da entrevista, com destaque especialmente às falas sobre o racismo. Vale ler e aprender com Vinícius:
A postura contra o racismo
“Os cânticos racistas aconteceram muitas vezes, e em Valencia de forma flagrante e significativa. Senti muita tristeza. Se estou no campo de jogo, é para fazer as pessoas felizes. E um grupo, que sei que é minoritário, pode de afetar até o ponto em que você já não pensa em jogar. Aprendi muito sobre o racismo. Cada dia sei mais. É um tema realmente complexo. No passado, as pessoas sofriam com a escravidão. Tenho interesse em aprender sobre isso. Realmente espero que estes episódios não voltem a acontecer. Não só comigo, mas com todos os jogadores, com todos. E sobretudo com as crianças. Não estão preparadas para este tipo de momentos. Eu me interesso pelo tema do racismo desde os 19 anos. Entendo um pouco mais sobre como devo reagir. Eu me alegro que as coisas estejam mudando. As leis mudaram e, nos estádios, penso que isso acontecerá menos por conta das mudanças. Falamos sobre isso entre nós. Muitos jogadores falam comigo. Varane, Kylian, Hakimi, Lukaku… Devemos atuar todos juntos para que esse tipo de acontecimento se produza com menos frequência”.
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A importância de se estudar o racismo
“Sou muito jovem e não experimentei o que outros no passado experimentaram. Nunca me negaram o acesso a um banheiro por ser negro. Nunca me pediram para que eu entrasse pela porta de trás de um restaurante porque sou negro. Mas, para mim, era importante saber o que se passou com os outros. Nunca vivi isso, meu pai também não, mas meu avô e meu bisavô sim. Eles sofreram estes momentos tristes da história e tinha que saber. Hoje sei mais que meus pais a respeito. Mas sei pouco, apesar de tudo. Eu me aproximei de pessoas que estudaram o racismo de verdade, pessoas cujas famílias passaram por momentos difíceis, pessoas que sabem muito sobre a escravidão. Também leio muito. E quero seguir tendo uma influência. Minha voz pesa. Posso ajudar. Não se trata só de futebol ou só dos negros. Se alguém te insulta de uma maneira que te dói, você tem que lutar contra isso até que as coisas mudem”
A críticas de que La Liga é racista
“O que se passou em Valencia foi na rodada 35, mas em todas as partidas fora de casa aconteceram episódios de racismo. Nunca fizeram nada. Já tinha falado com La Liga para dizer que isso tinha que mudar. Não me escutaram. Eles me escutaram a partir do momento em que o mundo inteiro passou a falar sobre a Espanha. Isso os fez reagir. Pessoalmente, sei que não vou mudar a história, que não vou fazer da Espanha um país sem racistas, nem o mundo inteiro. Mas sei que posso mudar algumas coisas. Para que os que virão nos próximos anos não passem por isso, para que as crianças possam ter tranquilidade no futuro. Por eles farei tudo o que puder”.
O apoio de Fifa e Uefa
“Todos te enviam mensagens de apoio quando acontece algo, mas, logo depois, não falam com você. Mas tive apoio do clube, logicamente, e também dos jogadores, sobretudo daqueles que já sofreram com isso. Assim as coisas mudarão: os jogadores precisam estar juntos. Quando passei por isso, recebi muito apoio, o que é bom. Devemos seguir lutando durante muito tempo. Devemos seguir lutando para sempre. Isso não vai parar de imediato e não deixarei de lutar. Todos a uma só voz. Se eu enfrento sozinho o racismo, o sistema facilmente me esmagará. Quando estamos todos juntos, quando pessoas importantes tocam o tema, como o presidente do Brasil, como o presidente da Uefa, como Kylian, como Neymar, grandes jogadores como Rio Ferdinand, que sempre escreve e que está comigo nesta luta, isso necessariamente tem mais peso”.
As sanções atuais
“Creio que os jogadores estão fazendo muitas coisas e que as ligas precisam fazer seu trabalho. No Valencia todo um grupo no estádio insulta a um jogador e a próxima partida acontece normalmente? Com público, sem perder pontos, sem sanção? A mudança precisa ser aí. Acredito que é preciso atuar para que os racistas tenham medo de dizer coisas que possam me afetar, mas também que possam afetar suas vidas. As pessoas precisam entender”.
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A diferença entre insultar e ser racista
“No fundo, não quero transmitir meu medo para os demais. Só quero ter tranquilidade para jogar e saber que não vão me insultar em campo porque sou negro. Que um torcedor me insulte porque fiz o gol, tudo bem. Pode me insultar sem faltar com o respeito. Pode me vaiar a partida inteira. Não me importo. Mas, quando se trata de racismo, é outra coisa. As vaias são parte do jogo. Messi, Cristiano Ronaldo, Benzema, Neymar: todos viveram isso. Os torcedores de outras equipes os provocam e isso é normal. Além disso eu gosto, isso te motiva a marcar. Mas, quando é racismo…”.
A luta para as gerações futuras
“Não creio em um mundo sem racistas, mas devem se tornar uma minoria. As gerações seguintes não podem pensar que é normal ser assim. Os meninos de hoje veem seus pais agir assim e acham que é normal. Quero um mundo onde um pai transmita a seu filho que ser racista é ruim. Com o passar das gerações, nos livraremos. Não acabaremos com o racismo, mas o converteremos numa minoria. Em campo as pessoas gritam e você escuta. Nas ruas, enfrentamos outro tipo de racismo. Se entro numa loja e alguém me olha pela cor da minha pele, isso é racismo. Se alguém procura um emprego e, entre um branco e um negro, determinamos quem será escolhido pela cor da pele, e não por quem é melhor, é racismo. Pessoalmente, no Brasil não vivi muito, porque o futebol me fez famoso desde cedo. Já era identificado quando tinha nove ou dez anos. Por exemplo, não me vigiavam numa loja. Eu vivi especialmente nos campos de futebol, inclusive no meu país. Temos muito tempo falando disso, alguns podem inclusive ser presos. São menos que na Espanha, mas são muitos. Sofri bastante por isso”.
A razão da luta contra o racismo
“É algo pelo qual quero seguir lutando. Não quero que meu irmão mais novo experimente o que eu experimentei. Que minha prima passe por isso. Que meus entes queridos passem por isso. Que ninguém passe por estes momentos. É muito triste. E quero algum dia não ter que falar sobre isso durante trinta minutos numa entrevista. Isso significará que as coisas mudaram e só falaremos de coisas felizes”.
Como o futebol mudou desde que saiu do Brasil
“Um pouco na vida e sobretudo em campo. Eu acabava de chegar do Brasil e, de lá para cá, em Madri, é um grande salto. Todo menino sonha com isso, mas é impressionante. Aqui conheci boas pessoas. Cresci. Sou um jogador a mais. Eu era um menino que não sabia nada, com apenas 70 partidas profissionais. Tenho mais de 200 agora. Mas ainda sou jovem e não devemos esquecer disso. Só tenho 23 anos e ainda tenho muita vontade de aprender. Agora acredito que sou um pouco mais famoso. Não faço o que fazia antes quando estava no Brasil, mas amo minha vida. Mudei a realidade da minha família graças a isso. Acredito que estarei aqui por muitos anos mais. Era meu sonho, de toda maneira. Posso jogar futebol todos os dias! Nada me faz mais feliz. Nunca me cansarei de estar em campo”.
A paixão pelo futebol desde criança
“Nunca fiquei mais do que três dias sem jogar futebol, seja de férias ou não. Quando era criança, se tinha um lugar onde jogavam, eu estava ali. Estudava de manhã para ter tempo à tarde e à noite para jogar. Era a minha infância. Aos oito anos, eu queria imitar Neymar. E meu pai me deixou sair às ruas”.

A infância em São Gonçalo
“É um bairro perigoso, mas as pessoas passam o tempo jogando futebol. Há bandidos, armas, é uma das piores favelas do Rio. Para as pessoas que estão lá isso é normal, ainda que não seja. Mas eu tinha os amigos certos, as pessoas certas ao meu redor. Pude seguir o caminho que queria e tinha um dom para o futebol. Nem todo mundo tem tanta sorte. Por necessidade, você toma caminhos equivocados. Lá não necessariamente se escolhe, e nunca conheci ninguém que chegou a ser médico, professor ou advogado. Esperamos que isso mude… De qualquer forma, fui feliz lá. Fiz amigos por toda a vida. Os que vivem comigo em Madri são todos de São Gonçalo. É uma grande parte da minha história. Lá aprendi tudo. Na rua jogava com jogadores maiores que eu. Eu tinha nove anos, jogava contra quem tinha 12 ou 13. Não tinha medo de jogar com a bola no pé e isso mantive em meu jogo. E logo a qualidade, a técnica… É desse tempo. Não é como um campo real. É mais difícil que o Bernabéu, certamente. (risos) Ninguém apita falta, a bola vem por um lado e sai pelo outro… Mas dali saíram jogadores excepcionais. Isso é o que nos faz brasileiros, algo diferente quando driblamos, quando dominamos. É o futebol na rua e depois futebol de salão”.
Uma volta ao Flamengo
“Creio que poderia ficar aqui no Real Madrid por toda a minha carreira, mas o clube da minha vida é o Flamengo. Prometi ao meu pai que voltaria algum dia. Tenho que cumprir essa promessa”.
A mentalidade em campo
“Sempre joguei da minha maneira e sempre será assim. Nunca deixei de acreditar que, sem importar onde jogo, podia ser o melhor. Já fora do meu bairro, em qualquer outro lugar ou inclusive diante de jogadores maiores… Quando não conseguia, voltava para casa um pouco triste. Isso me perseguia, eu queria ganhar. Infelizmente, isso não aconteceu todos os dias. Eu gosto de ser líder, de sentir que sou importante, que posso conduzir a equipe. Sempre é assim. Não tinha medo na minha rua, junto com a minha turma. Nunca penso no que acontecerá depois. Não há estresse, só alegria. Tenho personalidade para experimentar coisas e a equipe me dá confiança para fazer também. Tentarei até que funciona. Nunca me detenho. Um segundo depois do erro, já volto a pedir a bola. E se esforçar muito significa conquistar muito. Nem todo mundo pensa assim, isso é certo, mas eu sim, desde que comecei. Tive que levar isso a Madri”.
A liderança nos vestiários
“Eu era um menino quando assinei, sem responsabilidades particulares. Agora sou eu quem tem que nos levantar, ainda que o número de grandes jogadores signifique que as responsabilidades estarão distribuídas. Às vezes é um, às vezes é outro. Mas sei que o clube, o time e a torcida sempre esperam algo de mim. Nunca direi que não sou consciente disso. Eu aceito plenamente. A pressão existe, mas a todos nos encanta. É uma necessidade quando se luta por grandeza. Se tenho que falar, falo, não há problema, mas também estão Toni Kroos, Luka Modric… Faz tempo que estão aí e devo mais escutá-los. Tenho mais que aprender com eles do que o contrário. Esses caras ganharam muito durante suas carreiras. Tratamos especialmente de seguir seus passos”.
A relação com Zidane
“Casemiro e Marcelo me falaram muito sobre ele e muito bem. É uma referência para todos. Não o vi jogar muito, era muito pequeno, mas vi no YouTube. Jogou como poucos e, como técnico, me ajudou muitíssimo, sobretudo com a capacidade de voltar e de defender. Insistiu muito para que eu participasse do esforço coletivo e me deu a liberdade de expressar minhas qualidades. No Brasil, nunca me perguntaram nada defensivamente. Ele me mudou muito. Zizou me fez entender que as duas coisas não eram incompatíveis. Ele me ensinou muito. E eu era mais novo. Quando outros trabalhavam um pouco menos, a mim correspondia fazer”.

A relação com Ancelotti
“É como pai e filho. Falamos sobre tudo. Graças a ele enfrentei melhor momentos para os quais não estava especialmente preparado. Ele sempre me pressiona e quer que eu mantenha a cabeça fria. Bom, quando chega o momento de dar bronca, ele tampouco se contém… Nessa hora digo que é demais, mas logo penso e não é coincidência, sempre faz porque precisa fazer. Por alguma estupidez que faço em campo, por exemplo. Um drible em nosso próprio campo, uma ação individual que não cabia… Mas é preciso escutá-lo. O que quer é ver o melhor que posso dar. Ele é assim com todos. Mas, com os mais jovens, ele quer ensinar, ajudar. Pergunta como vão as coisas em casa, como nos sentimos, como está a família… Sabe que passamos tempo fora de casa e isso o preocupa. Tudo isso o converte em uma pessoa verdadeiramente bonita”.
A amizade com Rodrygo
“Passamos todo o nosso tempo livre juntos. Se Camavinga e Rodrygo me dão assistências, ou eu dou para eles, também é porque nos damos bem fora de campo. Temos também Jude, que acaba de chegar, e Tchouaméni, que está há um ano aqui. Levei Cama ao Brasil neste verão. É um dos nossos agora! Toca como um brasileiro, dança como um brasileiro. Quer voltar! Conheço Rodrygo faz mais tempo, nos enfrentamos quando tínhamos 11 anos. O mesmo para Militão, que conheço desde muito jovem. Somos um grupo de rapazes da mesma idade e queremos conseguir grandes coisas. Passo mais tempo com eles do que com minha família! Além do mais, não temos esposa ou filhos. É mais fácil organizar jantares”.
A relação com Jude Bellingham
“É como se fosse parte da família. Estamos muito contentes que ele foi contratado. Enviei mensagem a ele durante meses! Eu dizia que era a melhor equipe do mundo. Sabia que outros clubes o queriam. Juni Calafat [homem forte do departamento de contratações do Real Madrid] se tornou um amigo e sabe que, se eu puder dar uma ajudinha, eu o farei. Fiz o mesmo com Camavinga. Mandei mensagens, vinho, e ele ganhou a Champions. Esperamos que aconteça o mesmo com Jude. Não o conhecia pessoalmente, mas realmente queria que se unisse a nós. Eu o vi jogar e, como quero jogar com os melhores, foi óbvio. Jude é um dos melhores do mundo e todo o time o ama. Ele marca gols, é feliz. Escolheu o melhor clube”.
Se manda mensagens a Mbappé
“Não, com Mbappé é diferente. Kylian tem sua situação. Com Jude sabia que poderia se transferir neste verão. E é perfeito que tenha acontecido assim. Mas aqui todo mundo quer jogar com Kylian. Espero que aconteça algum dia, tomara. É um dos melhores jogadores, talvez o melhor de todos na atualidade. Tem um nível à parte”.
A relação com Benzema
“Karim me ensinou muito, dentro e fora de campo, e sempre me disse a verdade. Ele me empurrou a estar mais concentrado no objetivo. Tinha que marcar gols. Ele, quando não marcava, reclamava. É um dos melhores jogadores da história e me disse: ‘Se você pode marcar 30 gols, tem que marcar 30 gols, não se conforme com 29’. Acabou botando isso na minha cabeça. Sempre gostei de marcar gols, mas não estava enraizado na minha mente. Nunca me propus um objetivo por temporada. Nunca me disse que tinha que fazer 30 gols. Agora sim. Quero fazer mais a cada temporada. Se na passada marquei 23, agora quero fazer mais do que 23”.

O apoio dos colegas para evoluir
“Antes estavam Marcelo e Casemiro, jogadores que tinham experiência e que me ajudaram. Era normal, na minha idade, ter momentos menos fáceis que outros. Sempre trabalhei muito. Explodi realmente aos 21 anos. Senti que estava preparado para isso: mentalmente, para manter a cabeça fria e fisicamente para seguir adiante. Estava preparado para os grandes momentos. Inclusive, quando não marquei gols, mantive a calma. Só tínhamos que voltar a treinar e fazer um pouco mais. O nível no dia a dia é incrível, estão os melhores, treinamos para poder seguir o ritmo. Mas nunca me incomodou demais. Sabia que viria. Também falei muito com outros, especialmente com Karim. Ganhou a Bola de Ouro aqui, depois de 14 temporadas. Imagine o tempo que se dedicou a trabalhar”.
O mais brasileiro que Vini tem
“Mantive a alegria de viver. É preciso saber ser feliz. Tínhamos muito pouco no Brasil, mas tínhamos. Tenho quase tudo o que quero agora. É preciso ser consciente sobre isso. E graças a Deus. Tenho muita sorte de estar rodeado por pessoas que realmente me amam. Aqui vivem três amigos, minha mãe, meu irmão mais novo. Preciso ter ao meu lado aqueles que me amam”.
Os sonhos para o futuro
“Seria feliz com uma história parecida com a das lendas do Real Madrid. Já ganhei tudo o que podia no clube, mas quero mais. E também quero uma Copa do Mundo com o Brasil. Passou muito tempo desde que ganhamos a última e esse país precisa, ainda que seja muito complicado. A nova geração tem muito talento, mas também há talento na Espanha, na Argentina, na França, na Inglaterra”.
A Bola de Ouro
“Espero que um dia ganhe, mas a prioridade é a equipe. Como Karim. Ele deu todas as suas assistências para Cristiano e sempre foi Cristiano quem levou o troféu. No final, ele também ganhou. Sempre falo da importância dos meus companheiros. Se marco 60 gols numa temporada, mas não ganhamos nada, não serve de nada. Como posso ganhar uma Bola de Ouro se ao final minha equipe não ganhou nada? Creio que todos trabalhamos juntos. E então um dia, como para Modric, como para Karim, um de nós se coroará. É um sonho”.



