Futebol espanhol

Por que problema no vestiário do Real Madrid é difícil de ser resolvido

Pivôs de brigas e polêmicas no último ano continuam no Santiago Bernabéu, agora sob o comando de José Mourinho, técnico também conhecido por problemas com jogadores

Florentino Pérez, ao escolher José Mourinho como o técnico do Real Madrid para 2026/27, teve um claro objetivo de colocar ordem na casa depois de uma temporada desastrosa no Santiago Bernabéu. Os Merengues estão há quase dois anos sem títulos e veem o rival Barcelona conquistar duas LaLigas seguidas.

Os últimos meses do gigante da capital espanhola foram conturbados. Aconteceram duas brigas que envolveram agressões físicas: Antonio Rüdiger deu um tapa no rosto de Álvaro Carreras, dupla que já tinha discutido antes, enquanto Aurélien Tchouaméni se atracou com Fede Valverde, que caiu e teve traumatismo craniano.

Isso só na área das vias de fato. Bate-bocas foram a marca do ano, com episódios marcantes entre jogadores contra membros da comissão técnica, como Vinícius Junior e Xabi Alonso, em plena vitória no El Clásico, e Mbappé com um auxiliar de Álvaro Arbeloa em treinamento.

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As brigas atingiram todos os níveis. De protagonistas a jogadores importantes e alguns até irrelevantes, além dos técnicos. É um vestiário sem controle, com um problema difícil de ser resolvido.

Vestiário do Real Madrid segue com pouca liderança

Os últimos anos marcaram uma mudança completa no vestiário merengue no quesito liderança. De Karim Benzema, passando por Toni Kroos, Nacho Fernández, Luka Modric e, nesta janela, Dani Carvajal, as principais lideranças do elenco, todas deixaram o Bernabéu.

Ter mais de uma figura de peso assim, para trazer calma e ser a ponte para conectar jogadores em conflito — algo natural no futebol –, poderia ter evitado os vários problemas recentes. O vestiário ficou tão sem controle e liderança que Raúl Asencio, zagueiro que tem muitas limitações, e Dani Ceballos, meia quase não utilizado, brigaram com Arbeloa pela falta de minutos.

Toni Kroos e Daniel Carvajal
Toni Kroos e Daniel Carvajal (Foto: IMAGO / Pressinphoto)

Para 26/27, dos mais longevos no elenco, estão nomes que são líderes técnicos, mas pouco vocais, casos de Valverde, o capitão, Thibaut Courtois e Vini Jr.

A chegada de Bernardo Silva, dono da braçadeira no Manchester City, foi um pedido de Mourinho para tentar compensar isso, segundo o “Marca”. A provável chegada de Rodri também pode contribuir. Ainda assim, seriam dois “estranhos” em um elenco com muita disputa de ego e uma hierarquia pouco definida.

A chegada de Mbappé, após o título europeu em 2024 com Vini Jr e Jude Bellingham como os craques do time, mudou as atenções, que ficaram todas com o francês.

Acumulando muitos gols e entregando pouco defensivamente, Kylian impactou o desempenho dos dois. Não houve nenhuma briga entre eles, inclusive, o brasileiro tem ótima relação com o atacante, mas as coisas entre o meia e Mbappé parecem mais frias.

Quando o camisa 10 apareceu em viagens pela Europa com a namorada enquanto se tratava de lesão em maio, Bellingham publicou uma foto do elenco junto após vitória sobre o Espanyol. O título da LaLiga, que seria do Barcelona, ainda estava em jogo. Mbappé foi muito criticado pela torcida, que fez até abaixo-assinado pela saída do francês.

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Todos envolvidos em polêmica dificilmente deixarão o Santiago Bernabéu

Por ser o maior clube do mundo, o topo do futebol, é difícil tirar um jogador do Real Madrid. Se quiser tentar, será acima dos 100 milhões de euros, algo acessível para um grupo muito pequeno de times no mundo. E, mesmo assim, muitos atletas não querem sair justamente porque qualquer movimento será para “baixo”.

Tchouaméni teve especulações de saída, mas renovou seu contrato até 2031, cenário que deve acontecer com Vinícius Júnior também. Bellingham e Mbappé não há a menor perspectiva de sair, assim como Valverde e Carreras. Até Eduardo Camavinga, reserva em boa parte do ano e perseguido pela torcida, deve ficar.

Com isso, os Merengues continuaram com quase todo o elenco que entrou em ebulição no último ano. Além de Carvajal, saíram Ceballos, David Alaba, Fran García, Gonzalo García e César Palacios.

Mourinho terá que lidar com feridas ainda abertas em jogadores que agrediram ou sofreram as agressões. Antes das vias de fato, Valverde teria acusado Tchouaméni de vazar informações do vestiário para a imprensa — outro fator importante da crise, pois todo conflito vaza no Santiago Bernabéu.

Tchouaméni e Valverde em jogo do Real Madrid
Tchouaméni e Valverde em jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO / AFLOSPORT)

De quebra, o próprio técnico português tem ficado marcado justamente por brigas e exposição de jogadores nos últimos trabalhos que fez. A aposta de Florentino para apagar o incêndio foi um técnico linha-dura para impor ordem. Até pode dar certo, afinal, é um dos maiores vencedores da história.

Ao mesmo tempo, tem apresentado pouco taticamente e em gerir jogadores, sendo o segundo fator o mais decisivo para trabalhar no Real Madrid. O mercado dos Merengues foi promissor, com, além de Rodri e Bernardo Silva, jogadores que chegam para ser titulares, como Ibrahima Konaté, Yan Diomande, Denzel Dumfries e Marc Cucurella.

A ver se a qualidade técnica de um elenco que ficou ainda melhor supera os problemas de relacionamento que fizeram da última temporada uma das piores da história do clube.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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