Espanha

Polêmicas com elenco mostram diferenças entre Xabi Alonso e Ancelotti no Real Madrid

Em apenas quatro meses, novo técnico soma questões a resolver com Valverde, Rodrygo e Vinicius Júnior

O início de Xabi Alonso no Real Madrid não tem sido dos sonhos. Claro que é cedo para conclusões, mas, em quatro meses, o time sofreu duas goleadas (4 a 0 para o PSG e 5 a 2 para o Atlético de Madrid) e ainda busca o melhor equilíbrio coletivo. De quebra, o novo comandante tem somado algumas questões extracampo com seu elenco.

Atualmente vive uma polêmica com Federico Valverde, que expôs publicamente seu descontentamento em atuar de lateral-direito. Antes, houve um certo problema de comunicação com a dupla brasileira Vinicius Júnior e Rodrygo, destaque e decisiva em dois títulos de Champions League desde 2022.

O camisa 7 só foi atuar por 90 minutos em uma partida em 2025/26 no sétimo duelo da temporada, cerca de uma semana após começar como reserva na estreia da Liga dos Campeões, de longe a competição que mais se identificou desde que joga nos Merengues.

O Rayo, por outro lado, deixou claro que não quer mais atuar na direita do ataque e Alonso atendeu, o fazendo entrar na rotação da ponta esquerda junto de Vini.

Mesmo que em um recorte curto, dá para enxergar algumas diferenças entre o novo treinador iniciando sua trajetória à beira do campo no Santiago Bernabéu aos 43 anos e Carlo Ancelotti, de 66, que ficou quatro temporadas no clube em sua segunda passagem antes da mudança para seleção brasileira.

Carlo Ancelotti e Xabi Alonso na comemoração do título da Champions League do Real Madrid, em 2014
Carlo Ancelotti e Xabi Alonso na comemoração do título da Champions League do Real Madrid, em 2014 (Foto: Imago)

Gestão de grupo: O maior contraste entre Alonso e Ancelotti

Mais experiente, com três décadas à beira, o italiano sabe como poucos no futebol mundial a importância de gerir os egos em um vestiário e manter todos satisfeitos. A “liderança tranquila”, como o título do seu livro, não é marcada por autoritarism. Pelo contrário, vai na adaptação a seus jogadores e entendendo o que há de melhor em cada um.

Sua passagem no Real, o clube que mais se identificou na carreira ao lado do Milan, é o exemplo perfeito. Soube mobilizar o elenco, tirar o melhor de cada atleta e garantir títulos com isso.

O Valverde de lateral-direito, apesar da ideia nascer no fim da era Zidane, se consolidou com o poder de convencimento de Ancelotti, que também fez Rodrygo se acostumar a ser ponta direita — às vezes falso nove –, Tchouaméni em ser zagueiro, Camavinga lateral-esquerdo, entre outros. Isso só citando jogadores do elenco atual.

Com Xabi Alonso, porém, precisou de apenas quatro meses para que dois desses jogadores que Carletto conseguiu mobilizar e incentivar para atuarem fora da posição ideal se mostrassem insatisfeitos com as improvisações.

— Não nasci para jogar como lateral, não cresci aprendendo essa posição. […] Não me sinto confortável [na função] porque há muitas qualidades que não tenho, como a capacidade de fechar a defesa — desabafou Valverde na última segunda-feira (29).

O resultado tem sido Rodrygo ser reserva na maior parte dos jogos — sem ele disputar a vaga na ponta direita, o jovem Mastantuono virou o dono da posição — e Valverde ter ficado 90 minutos no banco na vitória por 5 a 0 sobre o Kairat Almaty.

Não é que Ancelotti não tivesse problemas de relacionamento. Aconteceram com Eden Hazard, atleta que também não se ajudou no Santiago Bernabéu, e até Rodrygo, incomodado com a rotação entre time titular e reserva.

A diferença, no entanto, está na forma de lidar com isso. É algo com que Alonso, apenas no seu segundo trabalho no alto nível do futebol europeu, aprenderá com o tempo.

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Escolhas e administração de minutos também têm erros no atual Real Madrid

Alonso também aparenta lidar mal com a maneira que administra os minutos de Vinicius Júnior. O brasileiro foi, de longe, o mais decisivo no último título europeu do Madrid.

O espanhol, porém, opta por tirá-lo logo na abertura da edição atual da competição europeia, o que certamente impacta na confiança do jogador, que vem de temporada abaixo após ser o melhor do mundo pela Fifa. Em entrevistas coletivas, o comandante tenta ser diplomático e aponta ser normal a reserva, pois todos, em algum momento, vão ser.

Ao mesmo tempo, o “Malvadeza” lida com uma renovação de contrato com idas e vindas há meses e o clube sendo pouco maleável para aumentar o salário do craque, que há um ano vê o protagonismo ser de Kylian Mbappé.

Vinicius Júnior e Xabi Alonso em jogo do Real Madrid
Vinicius Júnior e Xabi Alonso em jogo do Real Madrid (Foto: Imago)

Essa escolha com o brasileiro, que se mostra uma falta de entendimento de contexto, se assemelha aos equívocos nas duas únicas derrotas até aqui dos Merengues. Contra o PSG na semifinal do Mundial de Clubes, o espanhol esvaziou o meio-campo e colocou três atacantes com poucas obrigações defensivas. O resultado: 4 a 0.

Frente ao Atlético de Madrid no último sábado (27), Alonso também chamou atenções por suas decisões. O recém-recuperado Jude Bellingham entrou como titular na vaga de Mastantuono, que equilibrava os ataques do time pela direita, já que a esquerda tem Vinicius, Mbappé e Carreras.

Não deu certo e, quando era momento de corrigir, tirou Arda Güler, responsável pela assistência e gol que viraram o placar no primeiro tempo. O resultado, porém, não passou só por isso. Faltou aos jogadores atitude e entender o peso de um clássico, o que sobrou no rival.

Nada disso é definitivo, nem quer dizer que a temporada será um fracasso. São apenas nove jogos por 25/26 e o time estava invicto até o final de semana passado. O Real Madrid tem um contexto específico e talvez único na Europa. Tudo que acontece no Santiago Bernabéu parece amplificado pelo tamanho do clube e a cobertura dos jornais espanhóis.

Alonso ainda não tem o peso de um Ancelotti e a imprensa local, por ser um técnico jovem, pega mais no pé do comandante do que realmente deveria acontecer. Entender de futebol o treinador mostrou que sabe, e muito, pelo sucesso que fez no Bayer Leverkusen. É se adaptar e entender as diferenças de trabalhar no Real Madrid, o que ele já tem ideia pela passagem como jogador.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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