Raphinha: ‘Hansi Flick mudou minha vida. Eu praticamente tinha terminado meu tempo no Barcelona’
Atacante revela conversa decisiva durante férias e explica transformação iniciada sob comando do alemão
Raphinha vive hoje uma realidade muito diferente daquela que imaginava em 2024. O atacante é capitão do Barcelona, peça central da equipe e atravessa um início de temporada de grande impacto, mas o próprio brasileiro admite que poderia nem estar mais no clube. Em entrevista ao jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, ele revelou que já havia decidido deixar a Catalunha antes de uma conversa com Hansi Flick mudar completamente sua perspectiva.
A chegada do treinador alemão foi, segundo Raphinha, o ponto de inflexão. O brasileiro não fala apenas de uma mudança tática ou de uma evolução dentro de campo, mas de uma transformação na maneira como passou a enxergar a própria trajetória no Barcelona. A confiança recebida em um momento de incerteza fez com que ele reconsiderasse uma decisão que parecia praticamente tomada.
Barcelona: Notícias, rumores, transferências e mercado
— O treinador (Hansi Flick) mudou minha vida. Eu sempre vou dizer isso, para sempre e sempre. Ele foi a pessoa que mudou minha mentalidade. No clube e como pessoa — disse.
A conversa com Flick que mudou os planos de Raphinha
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F09%2Fhansi-flick-e-raphinha.jpg)
Quando conversou com Hansi Flick, Raphinha estava muito longe de imaginar o papel que teria no Barcelona atualmente. Após disputar a Copa América com o Brasil, o atacante ainda estava de férias e já havia decidido que queria deixar o clube. Sua cabeça estava em outro lugar, e a passagem pelo Barça, naquele momento, parecia estar chegando ao fim.
— Eu praticamente tinha terminado meu tempo no Barcelona. Minha cabeça já estava em outro lugar, eu queria ir embora.
Foi nesse contexto que Flick pediu para conversar antes que o brasileiro tomasse uma decisão definitiva. A abordagem não precisou de longas reuniões, promessas ou grandes discursos. O comandante apresentou ao jogador uma perspectiva diferente: acreditava que Raphinha ainda teria um papel importante no time e, ao mesmo tempo, enxergava no Barcelona um ambiente capaz de contribuir para sua evolução.
— Ele me disse que sentia que eu ainda seria muito importante para o time e que o time seria importante para me transformar como jogador. Hoje, olhando para trás, é preciso dizer que foi.
O efeito daquela abordagem foi imediato. Raphinha conta que não precisou de muito tempo para perceber que o treinador realmente confiava nele. Mais do que convencer o jogador a permanecer, Flick conseguiu alterar a maneira como ele enxergava seu próprio espaço no elenco.
— Eu diria que nem foi uma conversa particularmente longa. Quando um treinador te dá confiança, poucas palavras já são suficientes. E imediatamente senti que ele confiava completamente em mim.
A permanência acabou abrindo caminho para uma das maiores transformações da carreira do brasileiro no Barcelona. O atacante passou a ter papel ainda mais importante no time, ganhou protagonismo e também recebeu de Flick a braçadeira de capitão.
A responsabilidade, que poderia representar só mais uma função dentro do plantel, teve outro significado para Raphinha: tornou-se uma demonstração concreta de que a confiança do técnico ia muito além das palavras daquela primeira conversa.
De jogador com a cabeça fora a falso 9 e protagonista
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F09%2Fraphinha-celebra-gol-barcelona-1.jpg)
Raphinha admite que não imaginava o quanto se identificaria com a responsabilidade de liderar o Barcelona. A escolha de Hansi Flick reforçou a percepção de que havia atributos no jogador que talvez nem ele próprio tivesse percebido completamente até então.
— É mais sobre perceber que você é considerado importante e que alguém vê coisas em você que você mesmo não descobriu. Era como se tivessem trocado meu chip.
A influência de Flick, porém, não ficou restrita à confiança depositada no brasileiro. O treinador também encontrou uma nova maneira de explorar Raphinha em campo. Mais perto do gol e com liberdade para atuar como falso 9 neste começo de temporada, o atacante passou a participar de zonas em que suas características ofensivas podem aparecer com ainda mais frequência.
A mudança de posicionamento ajudou a transformar a relação do jogador com o gol e se tornou mais um capítulo da reviravolta iniciada naquela conversa durante as férias de 2024.
Raphinha não somente deixou de ser um jogador que pensava em sair do Barcelona, como passou a ocupar uma função de protagonista dentro do time. A braçadeira de capitão foi uma consequência da confiança construída, enquanto a aproximação do gol representa a tradução dessa confiança na parte tática. Flick, em momentos diferentes, encontrou maneiras de fazer o brasileiro se sentir importante e também de extrair mais de suas características.
Em campo, essa combinação aparece nos números: o camisa 11 soma 14 gols e três assistências em oito partidas oficiais da temporada. O Barcelona, por sua vez, venceu todos os oito jogos disputados até aqui, estabelecendo o melhor início de temporada de sua história.