Futebol espanhol

Raphinha: ‘Hansi Flick mudou minha vida. Eu praticamente tinha terminado meu tempo no Barcelona’

Atacante revela conversa decisiva durante férias e explica transformação iniciada sob comando do alemão

Raphinha vive hoje uma realidade muito diferente daquela que imaginava em 2024. O atacante é capitão do Barcelona, peça central da equipe e atravessa um início de temporada de grande impacto, mas o próprio brasileiro admite que poderia nem estar mais no clube. Em entrevista ao jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, ele revelou que já havia decidido deixar a Catalunha antes de uma conversa com Hansi Flick mudar completamente sua perspectiva.

A chegada do treinador alemão foi, segundo Raphinha, o ponto de inflexão. O brasileiro não fala apenas de uma mudança tática ou de uma evolução dentro de campo, mas de uma transformação na maneira como passou a enxergar a própria trajetória no Barcelona. A confiança recebida em um momento de incerteza fez com que ele reconsiderasse uma decisão que parecia praticamente tomada.

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— O treinador (Hansi Flick) mudou minha vida. Eu sempre vou dizer isso, para sempre e sempre. Ele foi a pessoa que mudou minha mentalidade. No clube e como pessoa — disse.

A conversa com Flick que mudou os planos de Raphinha

Hansi Flick e Raphinha se abraçam
Hansi Flick foi fundamental para permanência e ascensão de Raphinha no Barcelona (Foto: Matthieu Mirville / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Quando conversou com Hansi Flick, Raphinha estava muito longe de imaginar o papel que teria no Barcelona atualmente. Após disputar a Copa América com o Brasil, o atacante ainda estava de férias e já havia decidido que queria deixar o clube. Sua cabeça estava em outro lugar, e a passagem pelo Barça, naquele momento, parecia estar chegando ao fim.

— Eu praticamente tinha terminado meu tempo no Barcelona. Minha cabeça já estava em outro lugar, eu queria ir embora.

Foi nesse contexto que Flick pediu para conversar antes que o brasileiro tomasse uma decisão definitiva. A abordagem não precisou de longas reuniões, promessas ou grandes discursos. O comandante apresentou ao jogador uma perspectiva diferente: acreditava que Raphinha ainda teria um papel importante no time e, ao mesmo tempo, enxergava no Barcelona um ambiente capaz de contribuir para sua evolução.

— Ele me disse que sentia que eu ainda seria muito importante para o time e que o time seria importante para me transformar como jogador. Hoje, olhando para trás, é preciso dizer que foi.

O efeito daquela abordagem foi imediato. Raphinha conta que não precisou de muito tempo para perceber que o treinador realmente confiava nele. Mais do que convencer o jogador a permanecer, Flick conseguiu alterar a maneira como ele enxergava seu próprio espaço no elenco.

— Eu diria que nem foi uma conversa particularmente longa. Quando um treinador te dá confiança, poucas palavras já são suficientes. E imediatamente senti que ele confiava completamente em mim.

A permanência acabou abrindo caminho para uma das maiores transformações da carreira do brasileiro no Barcelona. O atacante passou a ter papel ainda mais importante no time, ganhou protagonismo e também recebeu de Flick a braçadeira de capitão.

A responsabilidade, que poderia representar só mais uma função dentro do plantel, teve outro significado para Raphinha: tornou-se uma demonstração concreta de que a confiança do técnico ia muito além das palavras daquela primeira conversa.

De jogador com a cabeça fora a falso 9 e protagonista

Raphinha celebra gol pelo Barcelona
Raphinha celebra gol pelo Barcelona (Foto: Maciej Rogowski / SOPA Images / IMAGO)

Raphinha admite que não imaginava o quanto se identificaria com a responsabilidade de liderar o Barcelona. A escolha de Hansi Flick reforçou a percepção de que havia atributos no jogador que talvez nem ele próprio tivesse percebido completamente até então.

— É mais sobre perceber que você é considerado importante e que alguém vê coisas em você que você mesmo não descobriu. Era como se tivessem trocado meu chip.

A influência de Flick, porém, não ficou restrita à confiança depositada no brasileiro. O treinador também encontrou uma nova maneira de explorar Raphinha em campo. Mais perto do gol e com liberdade para atuar como falso 9 neste começo de temporada, o atacante passou a participar de zonas em que suas características ofensivas podem aparecer com ainda mais frequência.

A mudança de posicionamento ajudou a transformar a relação do jogador com o gol e se tornou mais um capítulo da reviravolta iniciada naquela conversa durante as férias de 2024.

Raphinha não somente deixou de ser um jogador que pensava em sair do Barcelona, como passou a ocupar uma função de protagonista dentro do time. A braçadeira de capitão foi uma consequência da confiança construída, enquanto a aproximação do gol representa a tradução dessa confiança na parte tática. Flick, em momentos diferentes, encontrou maneiras de fazer o brasileiro se sentir importante e também de extrair mais de suas características.

Em campo, essa combinação aparece nos números: o camisa 11 soma 14 gols e três assistências em oito partidas oficiais da temporada. O Barcelona, por sua vez, venceu todos os oito jogos disputados até aqui, estabelecendo o melhor início de temporada de sua história.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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