Copa do ReiEspanha

Na bola e nos nervos, Neymar desestabilizou o Atlético e ajudou o Barça a avançar na copa

Neymar parece ter um gosto a mais de enfrentar o Atlético de Madrid. Alguma das melhores atuações do camisa 11 desde que chegou ao Barcelona foram contra os colchoneros. Mais uma para a conta nesta quarta. O atacante liderou os blaugranas na vitória por 3 a 2 no Vicente Calderón. Em velocidade máxima, puxou o ataque ao lado de Messi e Suárez. Mas também entrou no jogo de nervos da equipe de Diego Simeone, para tentar não deixá-los jogar. Funcionou. Se o Atleti provoca, não soube ser provocado e entrou na pilha adversária. Após um excelente primeiro tempo, o sangue quente subiu à cabeça e a virada milagrosa que os rojiblancos necessitavam não esteve nem perto de acontecer.

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O começo do jogo, entretanto, esteve a favor de uma virada do Atlético, após a derrota por 1 a 0 no Camp Nou. Durante os primeiros segundos de cada partida da Copa do Rei, Fernando Torres parece recuperar aquela velha fúria de El Niño. Outra vez, o atacante queria ser decisivo ao abrir o placar com um gol relâmpago. A partir da saída de bola errada do Barcelona, o camisa 19 recebeu na entrada da área. Deu um drible desconcertante sobre Mascherano e chutou no cantinho para completar o golaço. O problema é que os colchoneros não segurariam a vantagem por muito tempo.

O Barcelona decidiu ser outro para vencer o Atleti, assim como no último encontro por La Liga. A equipe apostava na velocidade e na qualidade técnica de seu trio de atacantes. Assim, nasceu o tento de empate, aos nove minutos. Messi deu um ótimo drible na lateral de campo e passou para Luis Suárez. De trivela, o uruguaio deixou Neymar na cara do gol. E o camisa 11 só teve o trabalho de fuzilar – veja o vídeo abaixo. Enquanto os rojiblancos ficavam mais com a bola, os blaugranas tinha a eficiência de seu trio ofensivo como trunfo.

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A partir de então, as polêmicas começaram a roubar a cena do bom jogo no Calderón. Primeiro, no gol que retomou a vantagem para o Atlético, aos 30 minutos. Juanfran foi derrubado fora da área por Mascherano, mas o árbitro anotou pênalti e Raúl García converteu. O novo empate saiu aos 38, a partir de uma cobrança de escanteio que Busquets desviou e Miranda completou contra as próprias redes. E, com mais dois minutos, a virada e mais controvérsia. Os colchoneros reclamaram demais de um pênalti, após Jordi Alba bloquear com o braço o chute de Griezmann. Acabaram não acompanhando o contra-ataque do Barça, em que o próprio lateral esquerdo tocou para Neymar driblar Oblak e estufar as redes.

Naquele momento, o clima do jogo já tinha mudado completamente. As provocações, envolvendo principalmente Neymar, causavam pequenas confusões. Na saída de campo para o intervalo, muito bate-boca entre jogadores e comissão técnica dos dois lados, após Neymar e Torres se estranharem. A ponto de Gabi ser expulso na volta do segundo tempo, justamente pelo entrevero que aconteceu nos vestiários. E o Atlético de Madrid, que precisava de três gols para avançar, entrou na tensão que o Barcelona precisava para se classificar.

Logo nos primeiros minutos, Arda Turan lançou a chuteira contra o bandeirinha e recebeu apenas o amarelo. Juanfran também provocou Neymar, mostrando “sete dedos” para o brasileiro. O Barcelona se resguardava, segurando o resultado e até criando chances para fazer o quarto tento. Já o Atlético não demonstrou futebol suficiente para conseguir diminuir o prejuízo, parando em Ter Stegen no melhor lance. Por fim, a expulsão de Mario Suárez acabou assinalando a perda do controle dos colchoneros, em uma noite na qual faltou o seu espírito copeiro.

O Barcelona avança para as semifinais e impõe a quarta eliminação ao Atlético em mata-matas desde a chegada de Simeone. Neymar, sobretudo, vai reafirmando a sua importância no time protagonizado por Messi, enquanto Suárez tenta justificar as expectativas com outra boa atuação. No entanto, a importância do brasileiro foi além do que fez com a bola nos pés. Ainda que as atitudes provocativas nem sempre sejam vistas com bons olhos, principalmente por quem está do outro lado do campo. Desta vez, valeu a classificação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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