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Mais coadjuvante do que costumava ser, Kessié está começando a colecionar momentos decisivos pelo Barça

O meia marfinense decidiu o Superclássico do último domingo - e havia feito a mesma coisa na Copa do Rei

Franck Kessié estava costumado a ser protagonista. Quando chegou ao Barcelona, havia acabado de ser um dos principais jogadores de um título italiano com o Milan, e quantos jogadores podem dizer que fizeram isso em suas carreiras? No entanto, tem precisado se adaptar a um papel mais secundário no time de Xavi Hernández e, mesmo com menos minutos, está colecionando momentos decisivos, como no último domingo ao marcar o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Real Madrid no Camp Nou.

Este conceito fica um pouco difuso em campeonatos por pontos corridos, mas Kessié provavelmente foi o autor do gol do primeiro título espanhol do Barcelona desde 2018/19. O empate já estava ótimo para os donos da casa porque mantinha nove pontos de vantagem para o segundo colocado, com uma rodada a menos. Quando Kessié marcou, aos 47 minutos do segundo tempo, a liderança do Barça pulou para 12 pontos, com 36 em disputa.

Seria uma das maiores tragédias da história das grandes ligas nacionais se o Barcelona deixasse o título escapar, ainda mais com um time tão sólido defensivamente – apenas nove gols sofridos em 26 jogos.

Esse foi o primeiro gol de Kessié em La Liga. Ele tem mais dois pelo Barça, contra o Viktoria Plzen, na fase de grupos da Champions League, e contra o Ceuta, da terceira divisão, pela Copa do Rei. Mas ele também pode reivindicar autoria pela vitória contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu, pela copa espanhola. O gol contra de Éder Militão foi gerado pela sua invasão à área.

Esse é seu principal aporte para o Barcelona. Xavi costuma escalar um meio-campo de mais controle, com Sergio Busquets, Frenkie de Jong e Pedri, com Gavi mais adiantado, quando todo mundo está saudável. Com Pedri no departamento médico desde meados de fevereiro, o Barcelona tem jogado com três atacantes mais puros, digamos assim, e de vez em quando com Sergi Roberto no meio.

Kessié é um meia de características diferentes. Ele é menos apto ao controle da posse de bola, como seu chefe fazia com excelência na época de jogador. Destaca-se principalmente pela leitura para encontrar os espaços e preenchê-los. O famoso efeito surpresa na hora de chegar à área para finalizar – um dos fortes de Paulinho, por exemplo, que também foi contratado pelo Barcelona por ser meio que um ponto fora da curva.

Isso significa que Kessié pode ter uma utilidade específica e importante para o Barcelona ao mesmo tempo em que talvez não encaixe no sistema básico que Xavi quer desenvolver. Do ponto de vista do clube, foi um reforço com poucos riscos porque chegou sem taxa de transferência, ao fim do seu contrato com o Milan. “É um exemplo como jogador e como pessoa”, disse Xavi. “Como trabalha, nos minutos que tenha, sempre está presente para o time e merece (ter feito o gol da vitória). Estou especialmente feliz por ele, é uma ótima pessoa”.

A longevidade no clube depende do quanto ele estará disposto a abraçar esse papel, e rumores de transferência à Inglaterra começaram na mesma semana em que decidiu o Superclássico. Ele fez 32 jogos até agora. Não é um total baixo, mas apenas 12 foram como titular. Ficou 1.355 minutos em campo, o que o torna o 17º jogador mais utilizado do elenco do Barcelona. Bem menos espaço do que tinha no Milan. “Foi uma sensação inexplicável, uma sensação incrível”, comemorou, após a partida. “Estou muito feliz por ter marcado diante de 95.000 pessoas. Não acredito que fiz o gol”.

Mas, mesmo que prefira buscar outra situação no próximo mercado, ou no seguinte, ou em algum momento no futuro próximo, Kessié já ajudou a decidir dois clássicos importantes contra o Real Madrid. Isso também é algo que poucos jogadores podem dizer que fizeram em suas carreiras.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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