A defesa do Barcelona, um dos seus pilares na temporada, prevaleceu no Bernabéu e o impulsionou à vitória
O time que sofreu apenas oito gols em 23 jogos pelo Campeonato Espanhol conseguiu limitar o ataque do Real Madrid a muito pouco no jogo de ida das semifinais da Copa do Rei
Finalizações certas são frequentemente citadas em análises. Elas são um elemento, mas, sozinhas, não contam a história. No entanto, é relevante quando o Real Madrid não tem nenhuma em um clássico em casa contra o Barcelona no qual era teoricamente favorito. A defesa catalã prevaleceu no Santiago Bernabéu, e um erro de Eduardo Camavinga permitiu que os visitantes saíssem na frente na semifinal da Copa do Rei com a vitória por 1 a 0. A volta no Camp Nou será realizada daqui a um mês, em 5 de abril.
Não basta citar apenas finalizações certas porque elas muitas vezes podem ser menos perigosas do que chutes para fora em situações melhores, ou bloqueados em cima da linha, ou cruzamentos na boca do gol. O problema é que o Real Madrid também não teve nenhuma dessas outras categorias em suas 13 batidas, durante 65% de posse de bola. A maioria delas saiu de média distância, fora da área, ou parou no paredão azul-grená.
Isso indica com muita clareza que a defesa do Barcelona acabou sendo o melhor setor em campo. E não é para ninguém se surpreender: o líder do Campeonato Espanhol sofreu apenas oito gols em 23 jogos. Com desfalques importantes no ataque, como Lewandowski, Pedri e Dembélé, o Barcelona não teve vergonha de se defender, o fez muito bem e está em vantagem na semifinal da Copa do Rei.
Escalações
O Barcelona tinha problemas. Robert Lewandowski machucou-se no fim de semana e deve ficar duas semanas afastado. Ousmane Dembélé e Pedri também estão no departamento médico. Todos estão entre os principais artilheiros catalães, o que aumentou o fardo sobre Raphinha e Ferrán Torres. Xavi armou o meio-campo com Sergio Busquets, Frenkie de Jong e Franck Kessíe, com Gavi mais adiantado. Ronald Aráujo foi o lateral direito, com Marcos Alonso na zaga ao lado de Jules Koundé.
O Real Madrid estava bem mais inteiro. Fernland Mendy foi a ausência mais sentida, e Nacho Fernández ficou na lateral esquerda porque David Alaba também foi desfalque. O resto foi mais ou menos o esperado. A novidade foi o posicionamento do meio-campo: Eduardo Camavinga ao lado de Toni Kroos, com Luka Modric mais avançado pelo centro, como meia-atacante. Federico Valverde aberto na direita. Vinícius Júnior e Karim Benzema, uma das duplas mais quentes da atualidade, confirmados. Rodrygo retornou e ficou no banco de reservas. Uma arma para o segundo tempo.
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Primeiro tempo
O clássico começou movimentado. Logo de cara, Luka Modric recebeu em profundidade nas costas da defesa, entrou na área e, pressionado por Jules Koundé, mandou na rede pelo lado de fora. O bandeirinha levantou o seu instrumento de trabalho, e o lance foi anulado. A posição era duvidosa e, em caso de gol, o VAR faria uma revisão bem relevante. De qualquer maneira, o Real Madrid seguiu em cima.
As prévias previam favoritismo do time da casa, não apenas pelo local do confronto, mas pelos decalques do Barcelona. O campeão espanhol, europeu e mundial tentou se impor nos primeiros 15 minutos. Manteve mais posse de bola e buscou acionar seus principais atacantes. Vinícius Júnior, um deles, recebeu o lançamento em liberdade pela esquerda e pedalou em cima de Ronald Aráujo, antes de bater todo torto. Depois, cruzou para Benzema dominar no peito e mandar para as redes – dessa vez, em clara posição de impedimento.
O Barça começou a se estabelecer por volta dos 20 minutos. Nada demais: um pouco mais de troca de passes e presença no campo de ataque. Mas não demorou para abrir o placar, aproveitando um erro de Camavinga. O volante recebeu uma cobrança lateral e, pressionado, errou o passe para trás. Ferrán Torres soltou por trás da zaga para Kessié, que parou em ótima defesa de Courtois no mano a mano. No entanto, a bola voltou em cima de Militão e cruzou a linha depois de Nacho furar a tentativa de corte. A arbitragem inicialmente anulou o gol, mas a posição de Kessié foi verificada pelo assistente de vídeo.
O Real Madrid recuperou as rédeas, sem a força necessária para ameaçar Ter Stegen. Foi uma ocasião rara em que o Barcelona se acomodou em 40% de posse de bola e tentou castigar nos contra-ataques. Entre as tentativas merengues, houve um chute de Modric de fora da área, bem por cima, e uma boa virada de jogo de Toni Kroos que encontrou Carvajal chegando livre pela direita, dentro da área. Bateu de primeira, muito longe do gol.
O Real Madrid chutou cinco vezes e não acertou o alvo. O Barcelona foi mais eficiente. Finalizou uma vez e fez um gol – que nem saiu naquele chute.
Segundo tempo
Durante a maior parte da etapa final, a dinâmica não mudou. O Real teve até mais domínio territorial, mas seguiu com problemas para criar. Logo de cara, Vinícius Júnior chegou batendo e parou em Araújo. O brasileiro, como tem se acostumado a fazer, foi o mais ativo e participativo. Não acertou muita coisa, mas tentou. Modric também entra nessa categoria até sair, a seis minutos do fim do tempo regulamentar.
O Barcelona escapou algumas vezes. Aos 23 minutos, praticamente no último lance antes de dar lugar a Ansu Fati, Raphinha subiu pela esquerda e tentou o cruzamento para Ferrán Torres. Forte demais. Dois minutos depois, a melhor chance do segundo tempo – e para o Barça. Kessié recebeu o cruzamento da direita e chegou batendo rasteiro. Courtois estava batido, a defesa merengue também, mas Fati não conseguiu sair da frente e evitou o que seria um gol certo.
E seguiu a pressão. Modric parou na defesa, Militão tentou de fora da área, e mandou para fora. O Real Madrid tentava acuar o Barcelona e até conseguiu colocá-lo inteiro dentro da sua própria área. Carlo Ancelotti colocou Rodrygo aos 22 minutos do segundo tempo, depois tentou com Aurélien Tchouaméni e o garoto Álvaro Rodríguez. Nada funcionou muito bem. O abafa até se intensificou nos minutos finais, e Rodrygo mandou um chute perigoso de fora da área.
Depois de perder de Manchester United, pela Liga Europa, e Almeria, o Barcelona evitou uma terceira derrota seguida. E mesmo desfalcado, conseguiu vencer no Bernabéu, o que em si tem uma importância enorme. O Real Madrid, embalado desde o título mundial e pela goleada sobre o Liverpool, teve uma partida preocupante ofensivamente e agora terá que correr atrás na Catalunha no começo de abril.



