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Xadrez político: presidente do Barcelona oferece renúncia em troca da permanência de Messi

A crise no Barcelona está tamanha que o presidente do clube, Josep Maria Bartomeu, está disposto a uma medida desesperada para manter Lionel Messi no clube: sua própria renúncia. A crise entre a diretoria, encabeçada por ele, e os jogadores, especialmente o argentino, que é o capitão, é flagrante há meses. A medida, porém, parece ser só uma forma do dirigente salvar a própria pele em uma inevitável crise institucional.

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Ao se oferecer em sacrifício para que o craque fique, Bartomeu dá a entender que faz tudo o que estiver ao seu alcance para que Messi permaneça. Se isso não acontecer, que é o mais provável, o dirigente terá na manga a carta que se dispôs até ao sacrifício pessoal para impedir a saída do jogador. Por outro lado, se Messi aceita a proposta, assume um papel que frequentemente é atribuído a ele, mesmo que não seja totalmente verdade: que ele não só escolhe os companheiros e o técnico, mas até o presidente. A análise é de Marcelo Bechler, repórter do Esporte Interativo em Barcelona, e que acompanha de perto o dia a dia do clube.

A condição para a renúncia oferecida por Bartomeu é que Messi venha a público dizer que o problema que o fez querer sair do Barcelona é o presidente. Este é certamente um dos motivos que levou o argentino a querer sair do clube, mas passa longe de ser o único. Há diversos fatores envolvidos na sua insatisfação.

A eliminação dolorosa na Champions League diante do Liverpool, em uma goleada por 4 a 0, causou sequelas. Bartomeu queria demitir o técnico Ernesto Valverde, mas o vestiário não queria a saída do técnico. Algo que o próprio Messi teria admitido ter sido um erro, segundo o jornal Sport, da Catalunha. A demissão do treinador veio pouco mais de seis meses depois.

Outro fator que quebrou a confiança de Messi e de outros jogadores é o fracasso na contratação de Neymar. O clube tentou, negociou e, na visão dos jogadores, não foi feito o bastante. Faltou, portanto, a ambição que Messi e outros queriam que o clube tivesse.

Por fim, mas não menos importante, o que Bartomeu fez em relação aos opositores e jogadores ao contratar uma empresa para difamar todos eles. Bartomeu negou as acusações e culpou a empresa contratada. Além desse problema, o presidente enfrentou outra crise política interna com a saída de seis diretores que o acusaram de corrupção.

A disputa de “burofax”, espécie de carta com valor jurídico, está intensa. Foi por este mecanismo que Messi manifestou a vontade de sair e o Barcelona a vontade de permanecer com ele. Ambos, na verdade, estão se referindo a uma cláusula que permite que o jogador saia sem custos ao final da temporada. O entendimento dos dois lados no caso é oposto.

O entorno de Messi entende que como a temporada foi estendida até agosto, a sua manifestação de saída poderia ser feita até o fim de agosto; o clube acha que o entendimento inicial é que vale, ou seja, que a intenção do jogador deveria ter sido manifestada até junho. Vale lembrar que na Europa, as temporadas começam no dia 1º de julho e vão até 30 de junho do ano seguinte.

A proposta de Bartomeu ainda não recebeu resposta de Messi. O jogador quer se pronunciar em breve, porque acha que ele precisa dar a sua voz em meio a esse caos. O cenário mais provável neste momento é mesmo a saída do argentino. Não deve ser de graça, como ele quer, mas a sua vontade de deixar o Camp Nou deve fazer com que o clube negocie para receber uma quantia, ou mesmo receber jogadores em troca pelo seu craque, de forma a começar a reformulação tão necessária.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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