Barcelona em crise: seis diretores se demitem e acusam presidente de corrupção
A crise interna do Barcelona agora se tornou também externa. Seis diretores do clube pediram demissão, coletivamente, nesta sexta-feira. O movimento é um protesto contra o presidente Josep Bartomeu, que tentava tirar quatro deles por serem críticos da sua gestão. Só que isso deixou outros membros insatisfeitos e mais dois se juntaram os quatro atacados pelo presidente, incluindo o que era considerado seu sucessor.
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A semana foi de muita agitação política no Barcelona. Bartomeu tentou fazer com que quatro membros do conselho deixassem seus cargos: os vice-presidentes Emmili Rousaud e Enrique Tombas, e os diretores Silvio Elias e Josep Pont. Todos eles se tornaram críticos do atual presidente. Só que em um movimento inesperado, outros dois se juntaram aos quatro: Jordi Calsamiglia e Maria Teixidor, secretária da diretoria.
Segundo o jornal La Vanguardia, Teixidor avisou Bartomeu da sua decisão por telefone. Rousand, que se tornou vice-presidente em janeiro, era o escolhido de Bartomeu para ser o seu sucessor como presidente do clube. Agora, a situação fica bastante mais complicada.
Em uma carta conjunta assinada pelos seis demissionários, eles alegam a incompetência em mudar o modo como o clube é administrado e pedem por eleições presidenciais o mais breve possível. Bartomeu tem obrigação de chamar eleições apenas em 2021, quando se encerra o seu atual mandato. De acordo com o estatuto do clube, Bartomeu pode continuar na presidente porque o número de demissionários é menor do que 50% da diretoria.
A situação de Bartomeu já era difícil também com os jogadores. Em fevereiro, uma rádio acusou o presidente de contratar empresa para difamar os jogadores online. O clube, claro, negou tudo e atribuiu a culpa à empresa contratada. Lionel Messi, capitão do time, chegou a comentar o assunto em entrevista. A situação deixou a torcida ao lado dos jogadores, claro, e contra a presidência, como se viu em um jogo que Messi arrebentou. O zagueiro Gerar Piqué, um dos símbolos barcelonistas e da Catalunha, foi outro a criticar o presidente.
Os seis demissionários pediram por uma investigação sobre o caso, que foi chamado de Barçagate. Uma auditoria chegou a ser feita pela Price Waterhouse Cooper e os demissionários exigem que o trabalho seja concluído e divulgado. Esperam que a empresa conclua quem errou e que o dinheiro seja devolvido aos cofres do clube.
Em entrevista à rádio RAC1, da Catalunha, as acusações foram fortes contra a atual gestão. Perguntado se acreditava que alguém tinha metido a mão no caixa do clube, Emili Rousaud foi duro. “Sinceramente, creio que sim”, afirmou. “Quem eu não sei”. Ele se refere ao contrato com a I3 Ventures, empresa contratada para difamar os jogadores e opositores políticos dentro do clube e defender o presidente. Segundo ele, o contrato foi feito de maneira parcelada, com pagamentos de ao menos € 200 mil até chegar ao total de € 900 mil.
“Pagamentos de € 1 milhão por um trabalho que tem como valor de mercado de € 100 mil. Com certeza não foi ninguém da junta diretiva, não sei quem foi, mas dá para suspeitar…”, afirmou ainda o ex-vice do Barcelona. Rousaud ainda afirma que pode haver novos pedidos de demissão em breve. “Ao menos três diretores estão pensando em fazer isso”, afirmou.
“Diante das graves e infundadas acusações realizadas pelo senhor Emili Rousaud, ex-vice-presidente institucional do clube, em diferentes entrevistas a meios de informação, o FC Barcelona nega categoricamente qualquer ação suscetível a ser qualificada como corrupção, e, portanto, se reserva a posição de tomar ações penais que correspondam. Neste sentido, a análise dos serviços de monitoramento das redes sociais está sendo objeto de uma ampla auditoria independente a cargo da PriceWaterHouseCoopers (PWC), que está em curso e, portanto, sem nenhuma conclusão, com o clube facilitando toda a informação e meios que a PWC solicitou durante o processo”, diz um comunicado divulgado pelo Barcelona.
Além do episódio do Barçagate, a gestão de Bartomeu também é criticada pela forma como conduziu a negociação com os jogadores para cortes nos salários em meio à pandemia do novo coronavírus. Messi acabou sendo crucial para convencer os jogadores a reduzirem seus salários temporariamente, de forma que os funcionários não ligados ao time e com salários menores pudessem receber integralmente seus pagamentos. A crise, porém, está instalada na diretoria do Barcelona e não parece que irá passar em um futuro próximo.



