Foi emocionante a apresentação de Sergio Ramos na volta ao Sevilla, com casa cheia
Depois de 18 anos fora do clube, Sergio Ramos foi às lágrimas em sua reaparição no Nervión e teve 22 mil presentes nas arquibancadas - apesar da resistência de parte da torcida

Sergio Ramos figura na lista de grandes zagueiros do século muito por aquilo que conquistou pelo Real Madrid. O defensor teve um papel importante nos três títulos consecutivos da Espanha entre Eurocopa e Copa do Mundo, majoritariamente como um bom lateral direito, mas nada se compara à forma como o beque se atrelou ao madridismo e a sequência de glórias na Champions League. Até por isso, parte da torcida do Sevilla ainda vê com reticências a maneira como Ramos faz suas declarações de amor na volta ao Ramón Sánchez-Pizjuán depois de 18 anos. Apesar disso, não dá para refutar os sentimentos do veterano. Sua apresentação no Nervión foi muito bonita, com direito a muitas lágrimas nesta quarta-feira.
Mais de 22 mil torcedores do Sevilla estiveram presentes nas arquibancadas do Ramón Sánchez-Pizjuán para dar as boas vindas a Sergio Ramos. O zagueiro participou de uma coletiva de imprensa e depois apareceu em campo para saudar os rojiblancos. Diante de tamanha mostra de carinho, o beque chorou e agradeceu toda a recepção. Também estava acompanhado da esposa e dos quatro filhos. A emotiva chegada ainda contou com a presença de muitas crianças da Fundação Sevilla, bem como garantiu um espaço especial a Jesús Navas, referência do sevillismo e outro canterano notável. Foi quem abriu as portas para o companheiro de base e de seleção.
Outra cena curiosa aconteceu durante a coletiva de imprensa dada por Sergio Ramos. O zagueiro estava acompanhado pelo presidente Pepe Castro e pelo diretor esportivo Victor Orta. Anteriormente, Castro disse ironicamente que, se Ramos queria voltar ao Sevilla, “então ele desejava ganhar um avião”. Orta brincou com a situação e ofereceu um avião de brinquedo – que logo virou um presente para o filho mais novo de Ramos. Todo mundo levou na esportiva.
Na véspera da apresentação de Sergio Ramos, porém, o principal grupo de torcedores do Sevilla apresentou sua insatisfação com o negócio. A Biris Norte declarou seu “rechaço a quem propôs a contratação” e afirmou que a volta de Sergio Ramos é “uma falta de respeito com os valores que fizeram o clube grande”. O problema se concentra à maneira como Ramos tratou o sevillismo nos tempos de Real Madrid. “Não nos move o ódio nem o rancor, mas o amor e o orgulho por nosso clube, sua história e sua torcida”, salientam. Também enfatizam como a mensagem é destinada especialmente à direção, que tomou a decisão que, na visão deles, vai contra o respeito ao escudo. A Biris Norte também garante que não fará protestos ou insultará qualquer jogador, mas que prefere não “demonstrar apoio a qualquer ato que atente contra os princípios e a dignidade do Sevilla”.
O maior atrito de Sergio Ramos com o sevillismo aconteceu em 2017, numa partida no mesmo Ramón Sánchez-Pizjuán, pela Copa do Rei. O zagueiro foi vaiado o jogo inteiro, anotou um gol de pênalti com cavadinha e provocou a Biris Norte com as mãos na orelha durante a comemoração, antes de apontar para seu nome escrito nas costas. Ao resto do estádio, junto as mãos em sinal de desculpas. “Não faltei com respeito em relação à torcida do Sevilla. Ao contrário, pedi perdão a uma parte. À outra não. O Sevilla sempre será a minha casa, me vaiem mais ou me vaiem menos. O sevillismo merece todo o meu respeito, mas os que insultam a minha mãe desde o primeiro minuto não. No dia em que me enterrarem, haverá duas bandeiras: a do Sevilla e a do Real Madrid. Não é a primeira vez que venho jogar aqui. Não vou mudar, venho jogar futebol. Não quero ser notícia a cada vez que venho a Sevilla, mas apenas por aquilo que faço em campo”, declarou, na época.
❤️ Sevillistas, con todos vosotros: 𝑺𝑬𝑹𝑮𝑰𝑶 𝑹𝑨𝑴𝑶𝑺 🎤 🏟️
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— Sevilla Fútbol Club (@SevillaFC) September 6, 2023
A coletiva de Sergio Ramos
Abaixo, destacamos alguns trechos da coletiva de Sergio Ramos, em que o zagueiro abordou principalmente sua ligação com o clube e os planos para os próximos meses:
A emoção do retorno
“Para mim é um dia inesquecível, cumpro um sonho, volto para casa depois de 18 anos. Você não sabe quando pode realizar as coisas, mas às vezes elas acontecem e este é um dos dias que quero compartilhar com todas as pessoas queridas que aqui se encontram. Creio que vai ser um dia diferente e muito emocionante para mim. Quero aproveitar para agradecer o presidente, o diretor esportivo, o vice-presidente, a todos vocês, a torcida. Todos tornaram possível que eu voltasse para casa e cumprisse esse sonho. Fui como um menino e voltei esposo, pai de quatro crianças. Este momento era algo muito emocionante e não tinha sentido tomar outra decisão que não fosse voltar”.
O tributo ao falecido Antonio Puerta, seu amigo na base
“Também quero relembrar de três pessoas que fizeram a diferença na minha vida. Eu tinha uma dúvida com Antonio Puerta e seguramente ele está desde os céus me apoiando, me mandando forças. Também meu avô, que me fez sevillista desde o berço. E meu pai, por ter me convertido na pessoa que sou hoje, pela personalidade e humildade que me ensinou desde pequeno. Também merecemos sair daqui pela porta grande e só falta oferecer meu rendimento, que depende de mim e tenho capacidade suficiente. Pai, você é minha fonte de motivação a cada dia para jogar futebol. Espero que você possa compartilhar comigo esse sentimento e essa felicidade, porque é a maneira mais honesta que tenho de agradecer a todos”.
Como foi o acerto
“Eu sempre fui muito otimista. No futebol, muitas coisas ficam como anedota e assim foi quando o clube disse que eu não me encaixava. A forma como todos entraram em consenso me traz aqui. Serei sempre grato pela oportunidade. Remamos na mesma direção e o escudo é o mesmo para todos. Os comentários ficam no passado. Eu tinha esperança de voltar, é o último que se perde. Havia contato, mas nada real até o último dia. O destino está escrito. A primeira opção era sempre voltar para casa porque creio que era o momento, uma necessidade emocional e podemos criar um vínculo muito forte também no nível esportivo”.
As chances no Sevilla
“Sempre fui uma pessoa movida por emoções e sensações, quando escolho um projeto é porque acredito nele. É minha primeira aparição desde que saí do PSG, podia continuar, mas às vezes você sente que um ciclo terminou. Não é questão nem de contrato e nem de dinheiro. O Sevilla era onde eu encontraria os valores que buscava. Tomara que tenha a sorte de levantar títulos nesta volta para casa, como Ivan Rakitic e Jesús Navas. Creio que podemos ganhar um título. Sei que é muito difícil, mas o primeiro é acreditar e encarar os objetivos passo a passo”.
O carinho e também a resistência da torcida
“Desde que cheguei, notei muitíssimo o carinho do sevillismo e quero agradecer em primeira pessoa. Eu reconheci e pedi desculpas ao setor do sevillismo que se sentiu ferido por gestos que caíram mal. Essa juventude te faz cometer erros. Espero que saibam me perdoar, agora vamos todos a defender esse escudo e espero fazer que mudem a opinião sobre quem mantém o rendimento e os gols. Estamos todos no mesmo barco. Quero ser muito respeitoso com a opinião do sevillismo e com as pessoas que seguem feridas com meus gestos. Tomara que, com rendimento e desculpas, possa mudar essa opinião. Temos muitos inimigos fora para brigar entre nós”.
A situação física
“Fisicamente eu treinei muito, duro, nunca tinha feito isso por tanto tempo. Foi difícil psicologicamente, mas maravilhoso porque você aprende com essa luta que requer a mente. Eu me encontro muito bem, mas precisava voltar a treinar com os companheiros, com bola e campo. Levo dois dias e me encontro bem, pouco a pouco encontrarei minha melhor versão física para estar o quanto antes. Tampouco tenho pressa, mas quero estar disponível o quanto antes”.
O reencontro com o Real Madrid
“Passei metade da minha vida no Sevilla e metade da minha vida no Real Madrid, o coração tenho dividido pela metade e só espero que me recebam com o mesmo carinho que tenho por eles. Se houver um pênalti aos 90 minutos para cobrar contra o Madrid? Tenho que falar com o técnico e com os outros batedores. Eu logicamente gosto dos grandes momentos. Minha equipe é o Sevilla, se isso acontece eu tenho que executar, com muito gosto de fazer o gol”.
🎒⚽️ La #EscuelaAntonioPuerta acompaña a @SergioRamos durante su presentación. 🤩
📝 https://t.co/v6THy8u1GJ#NuncaTeRindas #FundaciónSevillaFC pic.twitter.com/7V3dWRF1g4
— Fundación 1890 (@Fundacion1890) September 7, 2023
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O momento do Sevilla
O Sevilla começou mal a nova edição de La Liga. A equipe sofreu três derrotas nas três primeiras rodadas e ocupa a lanterna. O time segue com um jogo a menos, devido ao adiamento do duelo com o Atlético de Madrid por causa do mau tempo. A expectativa é de que a chegada de Sergio Ramos pelo menos gere um impacto positivo, numa temporada que ainda terá a fase de grupos da Champions como desafio. A zaga sofreu com a falta de opções nos últimos meses, em especial pelas vendas de Jules Koundé e Diego Carlos na temporada passada, além das lesões constantes de Marcão.
Por conta das limitações financeiras, o Sevilla demorou a se mexer no atual mercado de transferências. No entanto, a reta final da janela garantiu mais alternativas para o elenco. O goleiro Orjan Nyland vem do RB Leipzig para ser reserva. Na zaga, além de Sergio Ramos, Loïc Badé foi comprado em definitivo do Rennes, ao final de seu empréstimo, e o lateral Adrià Pedrosa veio do Espanyol. O meio-campo ganhou Djibril Sow do Eintracht Frankfurt, enquanto Boubakary Soumaré pintou por empréstimo do Leicester. Já na frente, enquanto Mariano Díaz assinou ao final de seu contrato com o Real Madrid, Dodi Lukébakio veio do Hertha Berlim como alternativa para a ponta.
Mas o avião logo arrumou um novo dono… e ele é possessivo!pic.twitter.com/TviW0X9z7O
— Leonardo Bertozzi (@lbertozzi) September 7, 2023



