Racismo na Espanha: investigação aponta Militão como vítima junto de Vini Jr
A representação dos investigadores solicita que zagueiro do Real Madrid se apresente à polícia para prestar depoimento
A investigação de LaLiga sobre os insultos racistas contra Vini Jr, durante partida do Real Madrid contra o Valencia em maio, culminou na conclusão de que Éder Militão, companheiro brasileiro de Vini no clube, também foi alvo de racismo no Estádio Mestalla, naquele mesmo confronto. As informações são da rádio Cadena Cope.
A representação dos investigadores solicita que Militão se apresente à polícia para prestar depoimento sobre os atos racistas sofridos em 21 de maio, em Valência.
Aberta cinco dias depois do jogo, em 26 de maio, a investigação denunciou três torcedores do Valencias que estavam no Mestalla e foram identificados pelo próprio Vini Jr e pelo sistema de câmeras do estádio. Destes, dois prestaram depoimentos em junho e o terceiro falou nesta terça-feira (11), segundo a rádio espanhola.
Vini Jr, vítima de racismo em jogo contra o Valencia
Em 21 de maio, durante a partida entre Valencia e Real Madrid pelo Campeonato Espanhol, no Mestalla, torcedores do clube local entoaram, em coro, a palavra ‘mono’ (macaco, em espanhol) em direção a Vinicius Junior.
O brasileiro reagiu e tentou levar o árbitro aos torcedores que identificou atrás do gol adversário, mas o árbitro não tomou providências. Foram oito minutos de paralisação, e a bola voltou a rolar.

Porém, o clima esquentou novamente: durante uma confusão no gramado, Vini foi pego pelo pescoço por Hugo Duro, e, ao se soltar, acertou o jogador com o braço.
Mas a revisão do VAR mostrou ao árbitro somente a reação de Vini, sem exibir o lance do mata-leão do adversário. Somente o atacante brasileiro foi expulso.
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Repercussão
Diante da ausência de respostas em campo e por parte de LaLiga, cujo presidente, Javier Tebas, preferiu criticar Vinicius em vez de apoiá-lo, o brasileiro foi às redes sociais, condenou a postura da liga e cobrou mais ações contra o racismo no futebol espanhol.
Posteriormente, Tebas e LaLiga mudaram de posição e se puseram contra os atos racistas contra Vini. O responsável pelo VAR que não apontou o mata-leão no brasileiro foi demitido, e as investigações sobre os atos racistas começaram.
Tamanha foi a repercussão que o governo brasileiro interviu. No mesmo dia do jogo, o Ministério da Igualdade Racial anunciou que notificaria as autoridades espanholas e LaLiga após Vinicius novamente sofrer racismo na Espanha.
– Repudiamos mais uma agressão racista contra o @vinijr. Notificaremos autoridades espanholas e a La Liga. O Governo brasileiro não tolerará racismo nem aqui nem fora do Brasil! Trabalharemos para que todo atleta brasileiro negro possa exercer o seu esporte sem passar por violências – escreveu a pasta em sua conta no Twitter.
A postura das autoridades espanholas e das entidades que gerem o futebol é criminosa. Revela inegável conivência com o racismo.
Deixo o meu abraço em @vinijr e a certeza de que estarei a seu lado na luta pela responsabilização dos que o atacam, mas também dos que se omitem.— Silvio Almeida (@silviolual) May 21, 2023
Ancelotti é denunciado na Espanha
Devido a seu posicionamento no caso Vini Jr, o técnico Carlo Ancelotti, do Real Madrid, se tornou alvo de denúncia da Associação de Pequenos Acionistas de Valência (APAVCF) nesta segunda-feira (10).
– Eu sou muito calmo, mas aconteceu algo que não pode acontecer. Um estádio gritando ‘macaco’ a um jogador, e um treinador pensar em ter que tirá-lo por isso. Algo está muito errado nesta liga, nada acontece – declarou o italiano logo após a partida contra o Valencia.
Para a associação valenciana, Ancelotti teria cometido injúria ao atribuir a todo o estádio os cânticos racistas que ocorreram contra Vini. Feita a denúncia, a Justiça espanhola definirá se o treinador é ou não culpado.



