La Liga

Luis Suárez castiga o desafeto Koeman e o Atlético deflagra uma crise maior no Barça, com a incontestável vitória em Madri

O Atlético de Madrid controlou o jogo em sua defesa e, quando precisou, Suárez decidiria ao lado de Lemar

Luis Suárez nunca escondeu as mágoas pela forma como deixou o Barcelona. Não com a torcida ou com os colegas, mas sim com os responsáveis por sua dispensa. O Pistoleiro encontrou um novo lar no Atlético de Madrid e deu seu troco logo com o título na primeira temporada, o que não encerrou totalmente seu rancor. Às vésperas do reencontro deste sábado, no Wanda Metropolitano, Luisito falou sobre a falta de trato de Ronald Koeman em sua saída e não mostrou pesar pela situação claudicante do treinador. Então, quando a bola rolou, o craque deu um empurrãozinho a mais para o Barça descer ladeira abaixo. O Atleti fez uma grande partida do ponto de vista defensivo, como manda a cartilha de Diego Simeone, enquanto Lemar e João Félix também foram decisivos. No entanto, o triunfo por 2 a 0 está na conta do camisa 9 – com gol, assistência e vingança particular.

O Atlético de Madrid vinha escalado num 3-5-2, com Luis Suárez e João Félix na linha de frente. Koke dava o equilíbrio no meio, com Rodrigo de Paul e Thomas Lemar mais à frente, além de Yannick Ferreira Carrasco e Marcos Llorente nas alas. Mario Hermoso, José María Giménez e Stefan Savic protegiam a zaga, à frente de Jan Oblak. Já o Barcelona, com Ronald Koeman apenas nas tribunas por suspensão, veio num 4-2-3-1. Marc-André ter Stegen era o goleiro, com Oscar Mingueza, Ronald Araújo, Gerard Piqué e Sergiño Dest formando o quarteto defensivo. Sergio Busquets e Nico González eram os volantes. Nas meias, Frenkie de Jong e Gavi atuavam mais abertos, com Philippe Coutinho ganhando uma chance centralizado. Na frente, Memphis Depay era a referência.

O Barcelona tinha o domínio territorial durante os primeiros minutos, o que não significava superioridade. O Atlético mantinha a partida sob seu controle na defesa, fechando espaços, sem permitir qualquer lance de perigo dos blaugranas. E logo os colchoneros mostraram que poderiam ser mais eficazes na noite. Aos oito minutos, Lemar criou a primeira oportunidade, em arremate para fora. Quando era possível, o Atleti adiantava sua marcação e restringia o Barça ao seu campo. Além de Lemar, outro nome bastante ativo era João Félix, que se movimentava e chamava as faltas. O português deu mais um aviso aos 17, num tiro que passou raspando. Do outro lado, Oblak precisou trabalhar apenas para se antecipar a um lançamento para Coutinho no limite da área.

O Atlético era mais contundente e fazia por merecer o primeiro gol. As redes balançaram aos 23 minutos, numa jogada bem arquitetada pelos rojiblancos. João Félix se saiu bem na preparação e tocou para Suárez na intermediária. O Pistoleiro deu uma de garçom e, com um tapa de canhota, habilitou Lemar. Livre pelo lado esquerdo da área, o francês chutou por cima de Ter Stegen. A discussão de Piqué e Busquets depois do gol deixava claro o desencontro da marcação blaugrana. Ainda quase aconteceu o empate na sequência, num raro descuido do Atleti, com Coutinho batendo para fora numa sobra de bola na entrada da área. Mas Suárez também já poderia ter deixado o seu também aos 28, quando recebeu o passe de João Félix e, de frente para o crime, tirou demais de Ter Stegen, em tiro que lambeu o poste.

O Barcelona voltaria a ficar mais no campo de ataque depois dos 30 minutos. Frenkie de Jong até assustou, numa bola ajeitada por Memphis, mas não conseguiu completar. Porém, mesmo que os blaugranas se mostrassem mais ligados, especialmente por causa de Memphis, o Atlético era muito sólido sem a bola. O Barça fechou a primeira etapa sem uma finalização no alvo sequer, limitado a cruzamentos. E, pior, com o segundo gol colchonero no fundo das redes aos 44. O gol guardado para Luis Suárez.

O trio responsável pelo primeiro tento se combinou novamente, desta vez num contra-ataque aberto. João Félix enfiou para Lemar, que arrancou com liberdade e lançou Luisito. O Pistoleiro foi bastante frio na definição, esperando Ter Stegen esboçar o movimento para definir no cantinho. Logo o Metropolitano explodiu. Na comemoração, o ex-barcelonista juntou as mãos, em sinal de perdão. Depois, fez seu gesto característico com os três dedos em riste e também pareceu querer dar um recado, fingindo uma ligação com a mão. O que importava era a estaca no peito dos desafetos.

Suárez, do Atlético de Madrid (Foto: Getty Images / One Football)

Precisando de mudança, o Barcelona trocou Nicolas González por Sergi Roberto no meio. Já o Atlético sacou o pendurado De Paul para a entrada de Kieran Trippier. Os dois treinadores até realizaram reajustes táticos, mas o desenho do jogo não mudou tanto. O Atleti permanecia intransponível na defesa, satisfeito em aguardar o momento certo para atacar. Já o Barça não tinha profundidade e perdoou quando finalmente surgiu espaço para um contragolpe, aos 15. Coutinho recebeu livre o passe de Gavi e viu Oblak se agigantar à sua frente, parando no goleiro. Logo o brasileiro deixaria o campo, substituído por Ansu Fati.

O Atlético de Madrid teve sua primeira boa chance no segundo tempo apenas aos 21. Suárez, sempre ele, arrancou pela esquerda e puxou dois marcadores. Quando tocou para trás, João Félix bateu em cima de Ter Stegen. Entretanto, com o jogo controlado, o Atleti tinha o relógio a seu favor e não precisava ter pressa. Jogando mais centralizado, Ansu Fati garantiu uma injeção de energia no Barça e procurava mais o jogo. Logo Simeone fez mais duas trocas, com Suárez aplaudidíssimo. O uruguaio deu lugar a Antoine Griezmann, outro ex-barcelonista. João Félix também saiu para a vinda de Ángel Correa. No primeiro avanço dos substitutos, Griezmann partiu com uma avenida à sua frente, mas forçou demais o passe a Correa e desperdiçou a oportunidade.

Sem tantos recursos, o Barcelona mais uma vez apelaria ao chuveirinho. Luuk de Jong foi a campo ao lado de Riqui Puig, enquanto Gavi e Mingueza saíam. No Atlético, viriam Renan Lodi e Felipe. O jogo seguia sem muita ação, com o Barça totalmente incapaz de esboçar uma reviravolta. A intensidade era dada apenas por Diego Simeone, vibrando muito na lateral do campo e chamando a torcida. Por fim, a última mudança dos blaugranas seria Clément Lenglet na vaga de Dest. Nada que gerasse sobressaltos. Memphis até cobrou uma falta para fora e Oblak seguiu perfeito nas bolas pelo alto, mas o placar permaneceu inalterado. Mais uma derrota dura para os blaugranas neste início de temporada, sem que o time indicasse capacidade de competir contra um adversário melhor treinado e bem mais eficiente no ataque.

O Atlético de Madrid chega aos mesmos 17 pontos do Real Madrid, emparelhado aos líderes, mas atrás no saldo de gols. Os merengues entram em campo neste domingo. Depois da derrota para o Alavés e das cobranças sobre o rendimento ofensivo, os colchoneros respondem da melhor forma. Já o Barça é o modestíssimo décimo colocado, com 12 pontos. Joan Laporta deu entrevista às vésperas do jogo dizendo que Koeman continuará, mas os problemas dos blaugranas se repetem. É uma equipe sem ideias e com muitas deficiências defensivas. Desta vez, para deleite do Pistoleiro.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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