Espanha

Sobre marcar o gol que pode derrubar Koeman de vez, Suárez diz: “É o destino…”

O uruguaio foi dispensado pelo técnico holandês que balança no cargo e pode cair independentemente do resultado do próximo sábado contra o Atlético de Madrid

As informações da Espanha sugerem que Ronald Koeman não será treinador do Barcelona por muito mais tempo, ganhe ou perca do Atlético de Madrid no fim de semana, mas, ironias do destino, o prego no caixão pode vir pelos pés de Luis Suárez, dispensado do Camp Nou assim que o holandês assumiu o cargo ano passado.

Suárez guarda mágoas. Após Miralem Pjanic, foi outro ex-jogador de Koeman que não mediu as palavras para reclamar de como foi tratado e, se por acaso for o responsável final pela demissão, bom…. “é o destino”.

“O destino está marcado por diferentes circunstâncias”, afirmou, em entrevista ao jornal catalão Sport. “No meu caso, vir ao Atlético e ser campeão de La Liga. Foi o destino. Uma grande decisão que tomei, embora muitos duvidassem que eu estaria à altura do futebol da elite, que poderia lutar por coisas importantes, e continuei fazendo coisas importantes. O que acontecer no sábado depende da minha equipe. Se eu fizer um gol, será bem-vindo pelo bem do Atlético de Madrid”.

O uruguaio disse que a sua saída do Barcelona foi motivada por uma mistura entre as atitudes de Koeman e do ex-presidente Josep Bartomeu, mas reservou palavras mais duras ao ex-treinador. “Sobre o treinador, se tem tanta personalidade, se tem tanta autoridade, me mostrou algo diferente. Disse que não contava mais comigo e que eu tinha que ir embora por isso. De acordo… mas que não me diga que não entro em seus planos e, quando estou fechando a transferência ao Atlético, já rescindindo, me conta que se não fechasse no dia seguinte, seria relacionado para o jogo contra o Villarreal no domingo. Como? Se não entro nos planos, por que vai me considerar?”, afirmou.

“É algo que eu não entendi. Ele me mandava treinar no campo 3, no campo 4, como se eu tivesse 15 anos. Doía, me incomodava, eu chegava em casa chorando. Eu não faltei com o respeito em nenhum momento com ele, treinava, sem cara feia, apesar de tudo, porque sou profissional. Eu buscava a melhor solução. Foi uma mescla porque o presidente (Bartomeu) ia informando, filtrando, que Suárez era ruim para o vestiário, isso, aquilo. Eu vi tudo na semana anterior à volta dos treinos e depois Koeman me chamou. Doeu”, completou.

Suárez foi dispensado, sem que o clube exigisse taxa de transferências, mas após estar próximo de acertar com o Atlético de Madrid, a diretoria de Bartomeu voltou atrás e exigiu compensação por meio de metas. Ele disse que ficou surpreendido com a saída do amigo Lionel Messi do Barcelona, que também passou por uma reviravolta, após tudo estar acertado.

“Como amigo, tinha que atuar, apoiá-lo, que não ficasse cabisbaixo. Eu me surpreendi muito porque estava tudo acertado. Leo estava feliz, passei férias com ele, e estava encantado. Me dizia que encerraria a carreira no Barcelona, que é o que sempre quis, o clube que lhe deu tudo, e os filhos estavam felizes. De uma hora para a outra, tudo mudou. Para mim, foi um golpe muito duro pelo que isso significava para Leo. Leo Ama o clube, deve muito ao Barcelona. Despediu-se como um senhor, como ele é. É o melhor jogador da história do clube”, disse.

Apesar de tudo, Suárez ainda guarda muito carinho pelo Barcelona e disse que não comemorará se fizer gol no sábado. “É um clube que me deu tudo e sempre será especial. Me contratou em um momento complicado em 2014 (após a mordida em Giorgio Chiellini na Copa do Mundo) e sempre ficarei agradecido. É um clube que o transforma em torcedor e você sofre quando vai mal. Agora, sou do Atlético de Madrid, no qual me sinto querido, sou profissional e quero o melhor aqui. O Barça está em um momento complicado, mas não podemos nos deixar levar pelo clima. O jogador tem muito orgulho e mostra seu caráter em situações difíceis”, disse.

Suárez afirma isso porque acredita que os atletas do Barcelona podem estar extra-motivados para ganhar no Wanda Metropolitano e talvez impulsionar a sua temporada. “Se jogadores da qualidade do Barcelona, que têm muito talento e experiência, dão a vida, podem dar a volta por cima. Eles têm a obrigação de ganhar todos os torneios e não podemos deixar que se animem porque depois será difícil derrubá-los. Imagine uma vitória no Wanda contra o Atlético. Temos que aproveitar suas carências e debilidades, mas também ter cuidado com a rebeldia e orgulho dos seus jogadores”, explicou.

O Atlético de Madrid não perdeu para o Barcelona nas últimas duas temporadas, com dois empates e duas vitórias. Está em quarto lugar, com 14 pontos, dois à frente dos catalães, que têm uma partida a menos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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