‘O Barcelona não está em condições de dar lições a ninguém’: Clima esquenta antes de clássico
Técnico do Espanyol dispara contra o Barça às vésperas de clássico quente por conta de goleiro
O Barcelona tenta manter a vantagem na liderança de La Liga neste sábado (3), às 17h (horário de Brasília), no clássico contra o Espanyol que já começa quente e promete pegar fogo dentro (e principalmente) fora de campo, no RCDE Stadium.
O motivo para tanta tensão tem a ver com Joan García, goleiro titular do Barça e que “traiu” os torcedores dos Periquitos ao deixar o clube para defender o arquirrival na Catalunha.
De acordo com o jornal “Marca”, da Espanha, o clássico foi classificado como um jogo de “alto risco” pelas autoridades. Por isso, o Espanyol adotou algumas medidas para reforçar a segurança do estádio, como a instalação de redes atrás dos gols para evitar arremessos de objetos contra Joan García.
O clássico será disputado em um ambiente hostil. E coube ao técnico do Espanyol, Manolo González acrescentar combustível às polêmicas durante a sua entrevista coletiva nesta sexta-feira (2), véspera da partida.
‘O Barcelona não tem condições de dar lições a ninguém’
Ao seu estilo sem papas na língua, González não mediu as palavras durante a sabatina com os jornalistas. Ao chegar à sala de imprensa, logo ironizou a presença de mais repórteres do que o habitual no local: “Hoje estão distribuindo presentes? Que barbaridade”.
E Manolo González foi além. Quando questionado sobre o comportamento dos torcedores e a possibilidade de ocorrer invasões ou arremessos de objetos ao campo, o treinador primeiro ironizou a pergunta.
— Eu treino o Espanyol há um ano e pouco, e ainda não matamos ninguém. Não entendo essa história do que vai acontecer no campo… Não vai acontecer nada. Os torcedores são conscientes, e o comportamento é excelente. No campo, o que me preocupa é mostrar um nível muito alto — disse o treinador.
Diante da insistência no assunto, González foi mais enérgico e disparou contra o Barcelona, inclusive com referência ao retorno de Luis Figo ao Camp Nou depois de sua polêmica transferência ao Real Madrid, em 2000.
O português foi recebido com uma hostilidade homérica pelos fãs do Barcelona. Além de ouvir vaias massacrantes e ser alvo de objetos arremessados ao gramado, Figo ainda viu a torcida exibir muitas faixas o chamando de traidor — para baixo.
— Os torcedores vão pressionar, logicamente. Não vamos receber ninguém com rosas na partida. É igual a quando vamos ao Camp Nou, e nos cantam “Segunda”. São coisas da rivalidade. Todo mundo está esperando que o Espanyol faça uma cagada para meterem a mão. Lições de comportamento, não. Lembram quando Luis Figo foi ao Camp Nou? Eu acho que o Barcelona não está em condições de dar lições a ninguém — disparou o treinador.

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Arbitragem catalã também preocupa o Espanyol
Além de toda a preocupação envolvendo Joan García, a escalação de um árbitro catalão para o clássico desagradou o Espanyol. García Verdura será o responsável por comandar a arbitragem na partida contra o Barcelona.
Para Manolo González, a escolha de um árbitro local é prejudicial, porque caso haja um erro contra o Barça, o apitador teria de “ir embora da Catalunha”, tamanha a pressão que sofreria.
— Eu acho que é um erro. São coisas que não têm muito sentido. É só para gerar uma polêmica onde não precisa. Assim como eu tomo decisões sobre a escalação e posso errar, o comitê (de arbitragem) também as toma. É um erro que o árbitro seja catalão. Poderia ser evitado. Espero que a pressão que tenha sobre esse rapaz não venha contra (o Espanyol). Imagina se ele erra contra o Barcelona? Vai ter que ir embora da Catalunha — disse Manolo González.

Por que ida de Joan García ao Barcelona revoltou o Espanyol
O motivo para tanta preocupação sobre o comportamento dos torcedores tem a ver com o que a saída de García representou para o Espanyol. O goleiro é uma das maiores revelações recentes dos Periquitos e foi um dos principais responsáveis por evitar o rebaixamento para a segunda divisão.
Joan García coleciona passagens por seleções inferiores da Espanha e era um alvo cobiçado por clubes de fora do país na última janela de transferências. Por tudo isso, a saída do atleta para o Barcelona pegou a todos no Espanyol de surpresa.
O arquirrival decidiu pagar a multa rescisória de 25 milhões de euros (cerca de R$ 160 milhões à época) e deixou os Periquitos de mãos atadas, para revolta dos torcedores. A torcida organizou protestos e chegou a pichar placas de trânsito em Sallent, cidade natal do atleta, com acusações de traição.
A polêmica foi tamanha, que até mesmo um ex-companheiro de elenco foi a público criticar Joan García. Em entrevista ao canal do jornalista Javier De Haro na Twitch, Ángel Fortuño afirmou que “preferia ir para Júpiter a jogar no Barcelona”.
Neste sábado (3), García será alvo de novos e fortes protestos no RCDE Stadium. Especialmente por seu desempenho pelos líderes de La Liga.
Desde que chegou ao Barcelona, García virou titular com o técnico Hansi Flick, inclusive bancando Marc Ter Stegen, antigo dono da posição. Em 2025/26, o jogador soma 15 partidas e tem jogado tão bem, que agora chovem pedidos de convocação à seleção principal de Luis de la Fuente.



