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Barçagate: justiça realiza buscas no Barcelona e polícia detém quatro ex-dirigentes, entre eles Bartomeu

A crise do Barcelona não se limita apenas ao campo esportivo. Há, sobretudo, uma crise institucional que se aprofunda com os rombos financeiros e com as denúncias de corrupção dentro do clube. Nesta segunda-feira, o chamado “Barçagate” teve seu dia mais importante desde as primeiras acusações contra a gestão de Josep Maria Bartomeu: a polícia local realizou uma série de buscas e apreensões na sede dos blaugranas. Dirigentes barcelonistas foram presos, incluindo o próprio Bartomeu, que está afastado da presidência desde que renunciou ao cargo em outubro.

Bartomeu foi preso em sua casa. Segundo o jornal El País, também foram detidos outros três ex-dirigentes próximos ao antigo presidente: Óscar Grau, conselheiro delegado do clube; Román Gómez Pontí, chefe dos serviços jurídicos; e Jaume Masferrer, assessor presidencial. As ações foram realizadas pelos Mossos d’Esquadra, a polícia autonômica da Catalunha. Durante a ação, as forças de segurança também entraram na sede do Barcelona para apreender contratos.

A polícia cumpre ordens de busca da justiça, em investigação sobre o prejuízo no patrimônio do Barcelona causado pela antiga gestão. Já as prisões foram decididas pelas próprias forças policiais, mas devem acontecer de maneira temporária, enquanto se registram as apreensões. Depois disso, os acusados deverão ser liberados, até o término das investigações e o julgamento do caso.

Em nota oficial, o clube reiterou seu compromisso com as investigações: “O Barcelona ofereceu colaborar plenamente com as autoridades legais e policiais, para ajudar a esclarecer os fatos que estão sujeitos a investigação. A informação e a documentação solicitadas pela polícia referem-se estritamente aos fatos relativos a este caso. O Barcelona expressa seu maior respeito pelo processo judicial em vigor e pelo princípio da presumível inocência das pessoas afetadas no âmbito desta investigação”. Desde a saída de Bartomeu em outubro, uma comissão gestora realiza a transição administrativa no Barça. As próximas eleições acontecem neste domingo.

As primeiras denúncias contra o Barcelona aconteceram em fevereiro de 2020. A Cadena SER revelou que a presidência havia contratado uma empresa para “proteger a imagem de Bartomeu”, mas que na verdade essa companhia fazia difamações nas redes sociais contra jogadores do clube e opositores políticos. Astros como Lionel Messi e Gerard Piqué foram atacados desta maneira, assim como o ex-presidente Joan Laporta e o ex-treinador Pep Guardiola. Os pagamentos destes serviços foram maquiados nas contas blaugranas, para não serem fiscalizados por outros setores. Bartomeu negava tais acusações.

Já em abril, seis dirigentes do alto escalão pediram demissão do Barça e realizaram uma série de críticas à presidência, apontando a corrupção interna e mesmo a incapacidade de Bartomeu em lidar com a crise gerada pela pandemia. Em consequência, a justiça local acatou em junho uma denúncia apresentada por torcedores, acusando a gestão de Bartomeu de realizar “administração desleal” e “corrupção entre particulares”.

A polícia autonômica havia realizado uma busca no Barcelona em 5 de julho, solicitando os contratos com tais empresas que realizavam a difamação de opositores. Todavia, as autoridades se queixaram da postura dos funcionários do clube, que não colaboraram com a justiça. Até por isso, enquanto as novas buscas aconteceram nesta segunda, as prisões foram efetuadas para que não ocorressem novas obstruções. O caso é investigado sob segredo de justiça, para evitar que informações cheguem às partes interessadas.

Já dentro de campo, os 8 a 2 do Bayern de Munique na Champions League e o desejo de Messi em deixar o clube aumentaram a pressão interna. Os sócios entraram com um processo de moção de censura contra Bartomeu, o que poderia derrubar o presidente por antecipação, até que a renúncia voluntária acontecesse em outubro – com novas eleições convocadas para janeiro, e depois adiadas para março em decorrência da pandemia. Como se não bastasse, as dívidas reveladas pela imprensa local neste início de ano superavam €1 bilhão, com €730 milhões a curto prazo.

Segundo um comunicado oficial da polícia nesta segunda, os Mossos d’Esquadra encontraram indícios de corrupção nos contratos assinados pelo Barcelona. O clube teria pagado valores superfaturados à empresa que realizou a difamação nas redes sociais. Além disso, a presidência também burlou os controles internos do próprio clube durante o pagamento. Por fim, a demissão de Jaume Masferrer teria sido simulada, com o assessor da presidência ainda trabalhando por baixo dos panos após o anúncio de sua saída. A profundidade da corrupção ainda será revelada. De qualquer maneira, os desdobramentos desta segunda indicam como Bartomeu e seus assessores não tendem a passar impunes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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