Espanha

Não tem nem papel higiênico: Federação Espanhola vive crise pesada

Entenda a crise sem precedentes que paralisou as atividades da Federação Espanhola de Futebol

A Federação Espanhola de Futebol (RFEF) atravessa uma crise sem precedentes e se encontra praticamente paralisada. A justiça do país investiga a gestão do ex-presidente Luís Rubiales, acusada de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos firmados nos últimos cinco anos.

No final de março, a Guarda Civil da Espanha realizou buscas no prédio da Federação Espanhola de Futebol e em mais de 10 casas, incluindo a de Luis Rubiales. Durante seu depoimento no tribunal, o presidente interino da RFEF, Pedro Rocha, atribuiu toda a responsabilidade por possíveis infrações a Rubiales e Thomas Gonzalez Cueto, conselheiro do ex-presidente.

Segundo o jornal Marca, o trabalho da RFEF simplesmente não flui. Diversos contratos e documentos ainda não foram assinados, entre eles a renovação dos vínculos dos treinadores das seleções espanholas. Luis de la Fuente, técnico do time principal masculino, faz parte dessa relação. Também estão em jogo documentos relacionados à Eurocopa 2024, a Copa do Mundo de 2030 — que terá a Espanha como uma das sedes –, contratos publicitários, resolução do futuro do diretor esportivo, do diretor de marketing, entre outros. A lista é extensa, e tal problemática parece longe de uma solução.

A investigação afeta o dia a dia da federação. No escritório da RFEF, por exemplo, acabou o papel higiênico. O funcionário responsável por isso foi afastado, e outros empregados tem medo de fazer qualquer coisa sem permissão.

A situação de Luis Rubiales perante a justiça

Luis Rubiales, que também está sendo investigado pelo beijo forçado que deu na meia-atacante Jenni Hermoso após a conquista da Copa do Mundo Feminina de 2023, é indiciado pelos crimes de corrupção, branqueamento de capitais, gestão danosa e organização criminosa.

As autoridades investigam ilegalidades cometidas durante os cinco anos em que Rubiales presidiu a RFEF, entre 2018 e 2023. O foco da força-tarefa está no caso da Supercopa da Espanha. Sinais de corrupção e lavagem de dinheiro teriam sido descobertos no contrato assinado para realização do torneio na Arábia Saudita.

Ultimato da Fifa e Uefa

Insatisfeitas com o atual momento da RFEF, Fifa e Uefa exigiram por escrito, na última sexta-feira (19), que a federação espanhola nomeie urgentemente um novo presidente para a organização. Confira a nota conjunta das duas entidades:

“A FIFA e a UEFA têm monitorizado de perto e com grande preocupação os recentes desenvolvimentos na Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF). Ontem, representantes de ambas as organizações reuniram-se com a RFEF para discutir a situação da federação. As partes concordaram que a proteção e a estabilidade institucional da RFEF devem ser priorizadas. Foi enfatizado que todas as partes devem trabalhar em conjunto no melhor interesse do futebol espanhol, incluindo encontrar uma solução para garantir a eleição atempada de um novo Presidente da RFEF.  FIFA e a UEFA continuarão a apoiar e a trabalhar em estreita colaboração com as suas federações membros neste momento crítico para a RFEF.”

A Federação Espanhola de Futebol precisa urgentemente de um presidente e, tudo indica, que Pedro Rocha, atual interino, seja proclamado nesta segunda-feira (22).

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Apaixonado por futebol, uniu o amor pelo esporte mais popular do mundo ao jornalismo. Carioca da gema e grande entusiasta da Premier League, cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na música, vai de Post Malone a Armandinho. Eclético assim como na área técnica. Afinal, Guardiola e Mourinho são suas referências.
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