Espanha

Endrick segue encantando com sua maturidade e é destaque na Espanha mesmo sem estrear pelo Real Madrid

De férias do Palmeiras, Endrick tem concedido boas entrevistas e conquistando o carinho dos torcedores estrangeiros com sua personalidade

Mesmo faltando meses para se juntar ao elenco do Real Madrid e tendo apenas 17 anos, Endrick já está conquistando o carinho dos torcedores — e dos veículos de mídia — estrangeiros. De férias do Palmeiras, o atacante esteve rapidamente em Madri na semana passada para conhecer a capital da Espanha, as instalações do clube merengue e alguns futuros companheiros. Logo na chegada, impressionou com seu espanhol quase fluente e foi recebido pela imprensa e madridistas no aeroporto. Depois, foi ao Santiago Bernabéu contemplar a goleada por 4 a 1 sobre o Villarreal no último domingo (17). Em meio a todos os compromissos, ainda encontrou tempo para conceder uma boa e longa entrevista ao Marca, publicada neste domingo (24).

Nela, o garoto abordou diferentes tópicos. Obviamente, comentou sobre a expectativa de jogar no Real Madrid, a experiência madrilenha e suas características, mas também falou sobre os atacantes que tem como referência, a rapidez com que tudo tem acontecido na sua vida e até mesmo dos casos de racismo que infelizmente tem sido recorrentes no futebol espanhol. Separamos aqui os melhores trechos da entrevista com a estrela brasileira.

Apresentação

É claro que os torcedores do Real Madrid já começaram a acompanhar o futebol de Endrick, ver seus lances nas redes sociais e sabem até que ele foi um dos destaques do bicampeonato brasileiro do Palmeiras, mas o próprio atacante fez questão de se apresentar afirmando “não ter medo de ninguém” e que busca se divertir quando está em campo. Ao dizer que abdicou de coisas consideradas normais na infância, também mostrou a maturidade que tem mesmo jovem e que já é elogiada no Brasil há algum tempo.

— Desde muito pequeno tive que mostrar que não tenho medo de ninguém. Tudo começou quando eu era muito pequeno. Eu só queria jogar futebol. Eu fui muito claro sobre isso e por isso não se pode demonstrar medo de ninguém nem de nada. É isso que faço desde muito pequeno — declarou.

— Divirto-me e é isso que faço em campo. Eu me divirto e é isso que quero fazer. Quero ser feliz. Ajude tudo a correr bem. Me divirto jogando futebol e só tenho a agradecer a Deus pela vida que tenho hoje. Escolhi um caminho complicado, abrindo mão do que as crianças costumam fazer, mas foi por uma boa causa — completou o garoto.

Em pouco menos de dois meses, Endrick foi de reserva nem sempre utilizado por Abel Ferreira para destaque do Palmeiras e convocado pela Seleção Brasileira. As muitas grandes mudanças em tão pouco espaço de tempo surpreendem o próprio jogador, que tem aproveitado para conhecer ídolos que até recentemente eram inacessíveis.

— Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginaria vivenciar tudo o que está acontecendo comigo. Um dia conheci o (Jayson) Tatum, outro dia o Darius Garland, atletas que tenho visto muito na televisão. Sou fã da NBA e tive a sorte de poder sentir a atmosfera, de ver o Celtics vencer. Foi um sonho. Até agora eu só tinha ido à loja da NBA em São Paulo — disse Endrick, que antes de ir para Madri estava nos Estados Unidos com a família.

O jovem atacante ainda continuou e falou rapidamente sobre o período em que esteve na reserva no Palmeiras. Apesar de ter iniciado o ano como titular, conquistando inclusive o Paulistão, o camisa 9 Alviverde ficou do fim de março até junho sem começar uma partida. Na Libertadores, começou no banco os dois jogos das semifinais contra o Boca Juniors, o último deles já em outubro.

— As coisas aconteceram muito rapidamente na minha vida e realizei muitos sonhos. Agradeço à minha família, aos meus agentes e ao Palmeiras, que confiaram em mim desde muito pequeno. A certa altura baixei a cabeça porque não estava jogando, respeitei a decisão do treinador e continuei trabalhando enquanto esperava a oportunidade que acabou chegando — pontuou.

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Expectativa no Real Madrid, conversas com Vini Júnior e Rodrygo e casos de racismo

Vendido por € 72 milhões (na cotação da época, R$ 409 milhões) em dezembro de 2022, Endrick só se juntará ao elenco profissional do Real Madrid em julho, quando completará 18 anos. Por mais que ainda faltem sete meses, é inevitável que a imprensa, os torcedores e o próprio garoto criem expectativas para o futuro não tão distante, ainda mais depois da recente visita à Madri.

— Será muita responsabilidade, um grande desafio. Estou muito animado para jogar com essa camisa e poder curtir com a torcida. É um sonho que tenho desde pequeno, fazer parte do Real Madrid. Sei que ainda tenho desafios pela frente no Palmeiras e tenho que enfrentá-los ou pelo menos ajudar meu time a chegar ao topo, mas é claro que também estou pensando no Real Madrid — comentou o atacante, autor de 14 gols em 2023.

— Espero ter uma carreira brilhante lá, num estádio grande e impressionante. É um sonho desde criança. Todas as crianças têm, muitas estrelas do futebol já jogaram lá (no Santiago Bernabéu). Fui a um jogo há pouco e pude vivenciar o clima, a torcida. Vou ficar muito feliz em jogar lá — complementou.

Antes de conhecer as instalações do Real Madrid, Endrick já havia matado um pouco da curiosidade sobre o clube. Afinal, esteve com Vinícius Júnior e Rodrygo durante a Data Fifa de novembro, quando foi convocado pela primeira vez para defender a Seleção Brasileira. Os resultados em campo não foram os desejados, com ele saindo do banco nas derrotas para Colômbia e Argentina, mas ao menos a experiência e as conversas com os futuros companheiros foram positivas.

— Infelizmente perdemos os dois jogos, mas tive a oportunidade de jogar, de me ver lá com a camisa da seleção, algo excepcional que sempre sonha quem quer jogar futebol. Também tive a sorte de estar com o Vinícius e o Rodrygo, foi uma excelente experiência. Espero que no futuro possa continuar compartilhando momentos com eles — afirmou.

— Tive a oportunidade de passar tempo com eles (Vinícius Júnior e Rodrygo). Lembra daquela imagem dos três no treino de bicicleta? Me perguntaram se eu ia sair de férias, que eu tinha que ir (para Madri). Eles me contaram muitas coisas sobre o dia a dia, sobre a importância de tudo o que acontece, sobre a grandeza que tem em todos os sentidos, mas me dizem que você percebe quando está lá — completou.

Endrick também falou sobre a luta contra o racismo e deixou claro que, assim como Vinícius Júnior e Rodrygo, frustrará os objetivos dos racistas “rindo na cara deles”.

— Já sofri racismo, mas não me importo, quanto mais fizerem isso, mais vou rir na cara deles. Estou na luta com o Vini, o Rodrygo e todos aqueles que sofrem racismo. Você pode dizer o que quiser e fazer gestos para mim. Não vou me importar e acho que isso vai te deixar com mais raiva. É a melhor forma de combater o racismo — explicou.

Prêmios individuais e os ‘centroavantes perfeitos’

Com 17 gols e duas assistências em 60 partidas pelo Palmeiras — e tudo isso faltando sete meses para completar 18 anos — Endrick já conquistou alguns prêmios individuais como profissional e provavelmente ainda vai faturar outros, mas garante que esse não é um assunto recorrente na sua cabeça.

— Neste momento eles não ocupam um lugar importante. Para mim o importante é a equipe, que sem os meus companheiros não existiria. Tenho aproveitado o sucesso do Palmeiras. Isso (prêmios individuais) é graças ao trabalho e à qualidade dos meus companheiros — destacou o garoto.

O atacante brasileiro também foi perguntado sobre quais estrelas mundiais possuem as qualidades ideias para jogar na sua posição. Endrick não disse quem era melhor em cada fundamento, como aparentemente o entrevistador desejava, mas citou três nomes que dispensam comentários.

— Karim Benzema tem todas as qualidades para ser o atacante perfeito. Embora esteja atualmente na Arábia Saudita, jogou muitos anos no Real Madrid. Ele sabe entender perfeitamente o jogo, é um jogador espetacular em todos os sentidos. O melhor atacante do mundo há muito tempo. Harry Kane e (Erling) Haaland têm as qualidades perfeitas para serem o atacante ideal de que você está falando — exaltou.

Por fim, Endrick também falou sobre Luis Suárez, recém-anunciado reforço do Inter Miami e destaque do Grêmio em 2023. No início do mês, o uruguaio rasgou elogios ao garoto na premiação da Bola de Prata, da Espn.

— Vi muitos jogos (do Luis Suárez) com o Barcelona. Fico com um gol contra o PSG depois de vencer Thiago Silva e David Luiz. Aprendi muitas coisas com ele, contribuiu muito para o futebol brasileiro — finalizou o camisa 9 do Palmeiras.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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