Mercado: Barcelona vê parceria entre Deco e Flick engrenar e projeta janela de sucesso
Escolhas para reforçar elenco passam cada vez mais pelo aval do comandante, respaldado por resultados e confiança interna
A sintonia entre Hansi Flick e Deco continua sendo um dos pilares do planejamento esportivo do Barcelona. Desde a chegada do treinador alemão, há dois anos, ambos estabeleceram uma relação de confiança marcada por alinhamento constante e decisões conjuntas sobre montagem de elenco. O resultado dessa parceria aparece tanto dentro quanto fora de campo: respaldo público do presidente Joan Laporta e dois títulos consecutivos de LaLiga.
Mas, apesar de a união permanecer intacta, a atual janela de transferências do Barcelona representa uma mudança importante na distribuição de forças dentro do departamento de futebol. Se nas temporadas anteriores Deco era o principal responsável por conduzir a estratégia de mercado, agora é Flick quem tem assumido a dianteira na escolha dos perfis desejados para reforçar o elenco.
Mercado do Barcelona 2026
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Segundo o jornal “Marca”, as principais movimentações deste verão carregam claramente a assinatura do treinador, que passou a exercer influência decisiva não apenas nas chegadas, mas também em outras áreas estratégicas do clube.
Da liderança de Deco ao protagonismo de Flick no mercado
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Desde que assumiu a direção esportiva, Deco precisou trabalhar sob um cenário de severas limitações financeiras. Com margem reduzida para grandes investimentos, o dirigente concentrou esforços em identificar oportunidades de mercado e jogadores capazes de oferecer retorno técnico sem comprometer ainda mais as contas do clube. Foi dentro dessa lógica que nasceram operações como as contratações de Dani Olmo e Pau Víctor.
No caso de Olmo, havia uma combinação de fatores que tornava a negociação especialmente atrativa. Além de ser um jogador formado em La Masia e que conhecia profundamente o ambiente do Barcelona, o meia também era muito bem avaliado por Flick, que acompanhou sua evolução durante os anos em que ambos estiveram no futebol alemão. O entendimento entre treinador e diretor esportivo foi imediato, facilitando a operação.
Na temporada seguinte, a atuação de Deco continuou predominante. Joan García chegou para solucionar uma demanda importante no gol pensando no médio e longo prazo, enquanto Marcus Rashford foi tratado como uma oportunidade de mercado graças ao modelo de empréstimo.
Já Roony Bardghji representava um investimento em potencial de valorização futura, alinhado à política do clube de antecipar a contratação de jovens promessas antes da explosão definitiva. Meses depois, João Cancelo também desembarcou na Catalunha por iniciativa do diretor esportivo.
Ao longo desse período, Flick participava das conversas e aprovava os movimentos, mas o desenho do mercado seguia sendo conduzido principalmente por Deco. A situação, contudo, mudou nesta janela.
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Escolhas de Flick ampliam influência dentro do Barcelona
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O atual mercado de transferências evidencia uma inversão na dinâmica entre os dois. Em vez de receber opções para aprovar, Flick passou a indicar diretamente os nomes que considera ideais para executar seu modelo de jogo, enquanto Deco assumiu um papel mais voltado à viabilidade das negociações.
O caso mais simbólico envolve o setor ofensivo. Embora Rashford tivesse agradado em determinados momentos, Flick não demonstrou interesse em manter o atacante inglês de forma definitiva. O treinador enxergava outra alternativa para a posição: Anthony Gordon.
A preferência não surgiu apenas por características técnicas, mas principalmente pela intensidade sem bola, velocidade e capacidade de pressionar a saída adversária — aspectos considerados fundamentais para o sistema de jogo implementado pelo alemão.
Outro pedido específico foi Karim Adeyemi. Flick conhece o atacante desde os tempos de seleção alemã e acredita que suas características encaixam perfeitamente na proposta de um Barcelona mais agressivo nas transições e na recuperação da posse.
Deco não criou resistência à indicação. Pelo contrário: o entendimento dentro do clube é que cabe ao treinador escolher atletas capazes de potencializar sua ideia de jogo, enquanto a direção trabalha para transformar esses desejos em negociações viáveis.
A crescente influência de Flick, porém, vai além da escolha dos reforços. O alemão também teve participação decisiva na reformulação da preparação física da equipe ao convencer a diretoria a contratar Yann-Benjamin Kugel, profissional com quem já havia trabalhado na Alemanha.
O fortalecimento de sua posição também ficou evidente em outra frente importante do planejamento. Foi Flick quem freou a possibilidade de uma investida por Alessandro Bastoni, entendendo que o investimento não atendia às prioridades estabelecidas para o elenco neste momento.
Nada disso indica perda de prestígio de Deco, de acordo com a apuração do “Marca”. Pelo contrário. A relação entre ambos continua sendo descrita como excelente, baseada em diálogo permanente e confiança mútua. A diferença é que, com dois anos de trabalho, títulos conquistados e um modelo de jogo consolidado, Flick conquistou capital suficiente para exercer um peso maior nas decisões estratégicas do futebol.