Operação contra corrupção bloqueia contas de empresa ligada a ídolo do Barcelona
Kosmos Football, empresa do ídolo do Barcelona Gerard Piqué, estaria envolvida com corrupção na Supercopa da Espanha
A Supercopa da Espanha é alvo de polêmica em território espanhol desde a controversa decisão da competição ser disputada na Arábia Saudita, nação conhecida pela ditadura sanguinária do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman. O torneio, que passou a reunir quatro clubes (campeões e vices de La Liga e Copa do Rei), foi disputado no país asiático nos últimos cinco anos (com exceção de 2021 pela pandemia da Covid-19), garantido alguns milhões para a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF). No entanto, nem tudo parece ter sido feito dentro da lei, segundo a justiça da Espanha, conforme investigações de corrupção na entidade máxima do futebol local.
Segundo o portal Cadena SER, uma juíza do município de Majadahonda, parte da comunidade de Madrid, ordenou o bloqueio das contas da empresa Kosmos Football, que pertence ao ex-jogador e ídolo do Barcelona Gerard Piqué.
A decisão faz parte da “Operação Brody”. A Kosmos é investigada por suposta corrupção empresarial, administração injusta e lavagem de dinheiro por intermediar o acordo entre a RFEF e a empresa saudita SELA Company Sport na realização da Supercopa. A companhia de Piqué fatura 3 milhões de euros a cada realização da competição, valor agora bloqueado pela decisão da juíza de Majadahonda a pedido do Ministério Público. O dinheiro seria destinado à responsabilidade civil caso a empresa seja realmente culpada.
No despacho da magistrada, obtido pela agência de notícias EFE na segunda-feira (22), a juíza concorda com a recomendação do MP para o bloqueio da conta da empresa de Piqué.
— No âmbito do referido contrato, aparentemente, foram formalizadas uma série de adendas aos acordos da Supertaça, através das quais a referida empresa [Kosmos] ficou vinculada como beneficiária de uma comissão no valor de três milhões de euros por edição. De acordo com os interesses do Ministério Público, considera-se necessário e imprescindível para efeitos desta investigação acordar no bloqueio do produto bancário solicitado, a fim de garantir eventuais responsabilidades civis decorrentes deste procedimento.
Kosmos, the business presided over by Gerard Pique, has had one of their bank accounts frozen as by a court order, according to multiple sources.
It is part of the investigation into the deal to take the Spanish Supercup to Saudi Arabia. pic.twitter.com/G2CFUV1csv
— Football España (@footballespana_) April 23, 2024
Decisão acontece pouco após ex-presidente da RFEF ser detido por corrupção
A RFEF enfrenta uma enorme crise nos últimos meses. O ex-presidente Luis Rubiales, que ficou no cargo entre 2018 e 2023, está sendo acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos firmados nos últimos cinco anos, incluindo o da Supercopa com a Kosmos de Piqué e a SELA.
No último mês, a casa de Rubiales e a sede da federação foram alvos de visitas das autoridades em busca desses contratos. Rubiales, então na República Dominicana, voltou à Espanha no início de abril, foi detido assim que chegou e liberado após prestar depoimento.
Vale citar que o mandatário renunciou ao cargo após muita pressão pública pelo beijo forçado que deu na meia-atacante Jenni Hermoso durante a comemoração do título da Copa do Mundo feminina, em agosto do ano passado.



