Espanha

Caso Negreira: o que se sabe um ano após o escândalo envolvendo o Barcelona

A Trivela traz os detalhes do que já foi investigado sobre o maior caso de corrupção do futebol espanhol ao longo dos mais de 365 dias

Há um ano, explodia o maior escândalo de corrupção do futebol espanhol, que estampou as manchetes dos jornais de todo o mundo: o “Caso Negreira”. Desde então, cresce a desconfiança sobre as instituições reguladoras do esporte no país, e uma verdadeira caça às bruxas foi instaurada

Até mesmo o Ministério Público da Espanha passou a investigar o ex-vice-presidente do Comitê de Arbitragem da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), José María Enríquez Negreira, pelas propinas recebidas do Barcelona entre 2016 e 2018.

O fato é que as buscas por provas contra Negreira se tornaram contínuas em solo espanhol, e a Trivela traz os detalhes do que já foi revelado ao longo desses mais de 365 dias.

O que se sabe sobre o “Caso Negreira”? 

A investigação foi iniciada pelo Ministério Público da Espanha após um aviso da Agência Tributária do país, em maio de 2022, por irregularidades no Imposto de Renda de Negreira. Em resumo, o ex-árbitro caiu na “malha fina” espanhola após um pagamento superior a 1 milhão de euros (aproximadamente R$ 7 milhões na cotação atual) aparecer em um período de três anos sem uma origem convincente. 

Com o tempo, o MP encontrou a procedência e descobriu outros 7,6 milhões de euros (R$ 40 milhões), no período entre 2001 e 2018. Por fim, veio a coincidência que encaixou todas as peças do quebra-cabeça: Negreira deixou de receber pagamentos do Barcelona ao mesmo tempo que deixou o cargo no Comitê de Arbitragem.

Foi então que a investigação alcançou o clube catalão. Os pagamentos começaram durante a presidência de Joan Gaspart, que durou de 2000 a 2003, e foram sendo mantidos ano após ano com Laporta, Rosell e Bartomeu. No momento, apenas os dois últimos são acusados, já que os atos cometidos sob a presidência de Gaspart e Laporta já teriam “caducado”.

O juiz Joaquín Aguirre, instrutor do caso, se apoia na lógica de uma teia de “corrupção sistêmica” e acredita que os desdobramentos devem gerar mudanças muito grandes no futebol espanhol. 

– Presume-se por pura lógica que o Barcelona não pagaria ao vice-presidente Negreira cerca de sete milhões de euros, desde 2001, se isso não o beneficiasse – argumentou o juiz em setembro do ano passado. 

O que já está provado e quem são os implicados? 

Segundo a investigação, já está provado que o Barça enviou cerca de 7,2 milhões de euros a Negreira ao seu filho, Javier Enríquez, através de empresas familiares, ao longo de 17 anos. No entanto, Joan Laporta chegou a dar explicações, dizendo que “Barcelona não cometeu nenhum crime” e que “não é um crime de corrupção esportiva”. 

O objetivo da investigação, agora, é entender o destino do dinheiro que Negreira recebeu e que retirava regularmente do banco por meio de cheques com valores inferiores a 3 mil euros. A informação é muito relevante para saber o que aconteceu com o dinheiro, principalmente porque ele foi enviado por um intermediário entre o filho de Negreira e o Barcelona, o ex-técnico do Barça, Josep Contreras.

Rosell, Bartomeu, Albert Soler, Óscar Grau, Enriquez Negreira, o seu filho e o Barcelona foram indiciados na ação. Para que Laporta seja acusado de suborno, é necessário que o Tribunal aceite o pedido do juiz. 

A Uefa abriu uma investigação contra o Barcelona no final de março, e sanções pesadas podem ser aplicadas após o julgamento. Vale ressaltar que a equipe espanhola enviou à entidade reguladora do futebol europeu um relatório favorável dos inspetores de Ética e Disciplina responsáveis ​​pela investigação.

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