Exceção feita ao Real Madrid, clubes de La Liga assinam nota em prol das investigações contra o Barça no ‘Caso Negreira’
Clubes da primeira e da segunda divisão assinaram um manifesto em conjunto, que aumenta a pressão sobre as autoridades e sobre o Barcelona em investigação sobre corrupção com árbitros
Nesta segunda-feira, Sevilla e Espanyol foram os primeiros clubes espanhóis a se manifestarem sobre o chamado “Caso Negreira” – Negreira, vice-presidente do Comitê de Arbitragem da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) de 1994 a 2018. Já nesta terça-feira, uma nota em conjunto validada por 18 clubes da primeira divisão e outros 22 da segunda divisão foi publicada no site oficial de La Liga. É um posicionamento mais forte, que aumenta a pressão sobre as autoridades. Os únicos que não se comprometeram com o documento foram o Barcelona, implicado na suspeita de corrupção, e o Real Madrid.
O posicionamento partiu da Comissão Delegada de La Liga, composta por clubes da primeira e da segunda divisão. Conforme a nota, La Liga informou que está realizando diferentes ações, que incluem: uma carta ao Ministério Público; comunicações com dados e informações pertinentes a diferentes organismos, espanhóis e europeus; e mais ações que a entidade avalia impertinente tornar públicas para não atrapalhar as investigações. O texto também reitera como a maior parte dos clubes manifestou sua “profunda preocupação” com esse caso, que considera “de máxima gravidade”.
“La Liga e sua Comissão Delegada rejeitam e repudiam os fatos, e estão profundamente preocupados e trabalhando ativamente para esclarecer qualquer irregularidade que possa ter acontecido ao redor do Caso Negreira, seja de caráter esportivo ou de outra índole. La Liga está seguindo muito de perto o assunto e atuará com firmeza, dentro dos poderes e limites que a Lei permitem. A Comissão Delegada respalda firmemente as atuações de La Liga em resposta ao trabalho demonstrado e levado a cabo nestes anos para preservar a integridade da competição”, finaliza a nota.
Antes que o posicionamento fosse publicado, veículos espanhóis já tinham registrado a tentativa de organizar um manifesto em conjunto dos clubes de La Liga. O Atlético de Madrid era o responsável por aglutinar as equipes durante reunião ocorrida nesta segunda-feira, para apresentar os limites salariais da segunda metade da temporada. Conforme informações do Relevo, o Barcelona tentou dissuadir as demais agremiações. Diretor do clube, Mateu Alemany justificava que uma ação precisaria ter consenso de todos os membros. Além disso, tentava garantir que há investigações internas e que mais clubes poderiam ser implicados.
Já o Real Madrid preferiu não assinar o documento por estar representado por um membro de seu departamento jurídico, que não teria poderes suficientes para tomar a decisão em relação à nota. La Liga ainda ofereceu que os madridistas redigissem o comunicado para ser validado por todos os outros em consenso, mas ainda assim os superiores do clube preferiram recusar. Vale lembrar que Barça e Real são aliados em disputas com La Liga nos últimos anos, como na defesa da Superliga Europeia, embora a postura dos merengues também levante suspeitas em relação às arbitragens.
Presidente de La Liga, Javier Tebas afirmou nesta segunda-feira que Joan Laporta corria risco até mesmo de ser destituído do cargo de presidente do Barcelona, a depender do andamento do caso. Já nesta terça, o mandatário blaugrana respondeu. “Já tinham nos avisado que Tebas estava promovendo uma campanha reputacional contra o Barcelona e contra a minha pessoa. Caiu a máscara. Segue com sua obsessão com o Barcelona, com sua fobia a nosso clube. Tebas não perdoa que não assinamos o convênio com a CVC, que é um convênio que ele controla. Tampouco suporta que estejamos na Superliga. Sua intenção é dominar o Barça à distância, que é o que vinha fazendo nos últimos anos. Ele se deu conta que comigo não pode fazer. Não darei a Tebas o gosto que eu saia da presidência do Barcelona. Isso quem diz são os sócios. Se ele tentar sujar a história e a imagem do Barcelona, receberá uma resposta contundente”, afirmou.
Laporta garante que a empresa de Enríquez Negreira prestava um serviço de “consultoria sobre arbitragem” ao Barcelona e que vários clubes contratam esse tipo de aconselhamento – embora exista um claro conflito de interesses com a posição do ex-vice-presidente do Comitê de Arbitragem. O atual presidente do Barcelona também afirma que existe uma fatura correspondente aos serviços contratados, referente ao seu primeiro mandato à frente do clube, de 2003 a 2010. Porém, delimita sua responsabilidade e não esclarece os motivos de ter agido por baixo dos panos. Outros presidentes do Barcelona implicados na investigação, como Joan Gaspart e Josep Maria Bartomeu, igualmente se eximem de culpa e apontam o dedo a Laporta. Nas últimas duas décadas, o Barcelona teria pago cerca de €7 milhões à empresa de Enríquez Negreira, sendo €1,4 milhões no período de 2016 a 2018, quando se concentram as investigações iniciais.
Conforme o jornal El Español, Enríquez Negreira tenta se esquivar das investigações. O ex-árbitro teria informado que sofre de Alzheimer, para não responder aos questionamentos da Justiça. O laudo foi assinado por um corpo de médicos. Conforme o jornal El País, Enríquez Negreira chegou a ameaçar “todos os presidentes do Barça” quando o clube rompeu o acordo entre os dois em 2018. Já o jornal El Mundo também apontou que o ex-vice-presidente do Comitê de Arbitragem realizou ameaças contra a federação espanhola quando foi demitido do cargo em 2018.



