Não é só Brahim: a seleção da Espanha se acostumou a perder talentos nos últimos anos
O meia Brahim Díaz defenderá Marrocos ao invés da Espanha, que tem sofrido com as escolhas de talentos para outros países
A Real Federação Espanhola de Futebol sofreu um duro golpe ao saber que o meia Brahim Díaz defenderá Marrocos, país onde nasceu o pai do jogador, ao invés da Roja, conforme anuncio nesta segunda-feira (11). Com isso, a Seleção da Espanha perde mais um talento, em uma geração que já não empolga tanto, muito menos goza de muitas opções. Obviamente o caso do jovem do Real Madrid não é único, vários jogadores importantes não escolheram o selecionado espanhol nos últimos anos e a Trivela lista alguns deles.
Achraf Hakimi
Não dá para dizer que a Espanha de Luis de la Fuente está mal servida de laterais-direitos. Os experientes Jesús Navas e Daniel Carvajal dão conta do recado muito bem, mas ter uma opção como o marroquino Achraf Hakimi ajudaria muito La Roja, principalmente por ter característica diferente dos citados. Mesmo nascido em Madri e formado nas categorias de base do Real, ele nunca se identificou como europeu e, certa vez em entrevista ao Marca, falou que não se sentiu em casa quando visitou as instalações da Seleção Espanhola.
— Sim, houve momentos na juventude [de proximidade com a Espanha]. Houve contatos, fui à Seleção Espanhola também para experimentar, com o De la Fuente [à época treinador da base]. Estive alguns dias em Las Rozas [CT da seleção] e vi que não era o lugar certo para mim, não me sentia em casa. Não foi por nada em particular, mas pelo que eu senti, porque não foi o que eu tinha aprendido e vivido em casa, que é a cultura árabe, sendo marroquino. Eu queria estar aqui [na Seleção de Marrocos].
Hoje no Paris Saint-Germain, Hakimi foi titular e peça chave na histórica campanha de Marrocos na Copa do Mundo de 2022, quando terminaram na quarta colocação, a maior campanha de uma seleção africana na competição.
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Theo e Lucas Hernández
Apesar de nascidos em Marselha, na França, os irmãos Hernández fizeram toda categoria de base na Espanha. Ambos trocaram o CF Rayo Majadahonda em 2007 e se profissionalizaram no Atlético de Madrid. Antes de defender definitivamente a França, Lucas, em 2018, afirmou ao canal espanhol RTVE: “Me sinto espanhol, a Espanha me deu tudo e se me chamarem [para seleção] eu irei”. Cerca de 10 dias depois, Didier Deschamps anunciou que o defensor jogaria pela Seleção Francesa e ainda terminaria campeão mundial naquele ano. Theo também é titular absoluto na Seleção Francesa. Eles nunca chegaram a defender a Espanha, nem na base.
Iñaki Williams
Presença na categoria sub-21 da Espanha, o atacante Iñaki Williams estreou pelo selecionado principal em amistoso contra Bósnia em 2016, mas nunca mais recebeu outra oportunidade. Em 2022, decidiu defender a seleção de Gana, nação de onde vieram seus pais, e virou uma das principais referências técnicas da equipe. Seu irmão, Nico, poderia ter tomado o mesmo caminho, porém escolheu a Espanha.

Alejandro Garnacho
Outro nascido na capital espanhola, o ponta direita Alejandro Garnacho, do Manchester United, atuou nas categorias de base da Seleção da Espanha até decidir, em 2022, que por conta da mãe defenderia a Argentina. Jogou no sub-20 sob comando de Javier Mascherano e estreou no profissional durante as Eliminatórias para a Copa de 2026. Vale citar que ele também passou boa parte da formação como jogador em Madri, trocando o Atlético pelos Red Devils com 16 anos.
Cristhian Mosquera: o próximo?
O zagueiro Cristhian Mosquera, de apenas 19 anos, vem se destacando no Valencia nesta temporada e pode ser mais um a optar por outra seleção ao invés da Espanha, que defendeu por toda a base. Ele é nascido em Alicante, na Espanha, mas seus pais são colombianos e o selecionado sul-americano já o monitora.


