Como convocações da Copa do Mundo expõem problemas em setor do Real Madrid
Pela primeira vez, nenhum lateral do clube estará no Mundial; Carvajal, Trent, Mendy, Fran García e Carreras ficaram de fora de suas respectivas seleções
O Real Madrid vai marcar presença na Copa do Mundo em praticamente todas as posições do campo. Goleiros, zagueiros, meias, atacantes — o clube terá representantes espalhados por diversas seleções. Mas há uma lacuna que chama atenção justamente por ser inédita e sintomática: nenhum lateral do Real Madrid estará no torneio.
São cinco nomes e zero vagas. Dani Carvajal e Trent Alexander-Arnold pela direita; Ferland Mendy, Fran García e Alvaro Carreras pela esquerda. Nenhum deles foi convocado por suas respectivas seleções. Para um clube que durante anos fez das laterais uma de suas maiores forças, com Marcelo e Carvajal como referências mundiais durante uma geração inteira, a ausência coletiva é mais do que um acidente de percurso.
Mais do que isso: a seleção espanhola irá para o Mundial sem nenhum jogador do Real Madrid. Nem mesmo Dean Huijsen, que vinha sendo peça constante no time, conseguiu se sustentar.
Carvajal e Arnold: o fim de um ciclo e estrela sem vaga na Copa do Mundo
O caso mais emblemático é o de Dani Carvajal. Por anos, o espanhol foi um dos laterais mais confiáveis do futebol europeu e peça indispensável tanto no Madrid quanto na seleção espanhola. A grave lesão sofrida na temporada passada interrompeu uma trajetória que parecia não ter fim.
Aos 34 anos, o lateral encerra um ciclo com 27 títulos no currículo e um vazio na lateral direita que o clube ainda não conseguiu preencher. A ausência de Carvajal no Mundial é a mais compreensível do grupo. A dos demais é onde o problema fica mais evidente.
Mas não deixa de ser relevante o fato de que, em 2024, o lateral foi um dos grandes nomes da conquista da Eurocopa pela Espanha e até concorrente à Bola de Ouro, vencida por Rodri na ocasião.
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A situação de Trent Alexander-Arnold é a mais intrigante. O inglês chegou ao Real Madrid como contratação estratégica e com status de estrela, e mesmo assim não garantiu lugar na convocação da Inglaterra.
O talento ofensivo continua sendo indiscutível, mas as desconfianças defensivas que sempre acompanharam sua carreira voltaram a pesar na decisão do técnico Thomas Tuchel. A ausência causou grande repercussão na imprensa britânica.
Para o Madrid, o episódio traz uma leitura desconfortável: a aposta na lateral-direita não se mostrou tão sólida quanto o planejado. Internamente, o clube mantém a confiança de que Trent precisa de tempo para se adaptar e olha para as categorias de base enquanto avalia ir ao mercado em busca de um reserva à altura.
O próprio jogador prometeu: “Vou tirar um bom descanso e trabalhar durante o verão. Traremos troféus de volta para este clube incrível.”
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Mendy, Fran García e Carreras: três histórias, um problema na esquerda do Real Madrid
Na lateral-esquerda, o cenário é ainda mais fragmentado. Mendy acumula mais uma temporada destruída por lesões musculares: quando está disponível, rende bem, especialmente nas grandes noites europeias, mas o desgaste físico inviabiliza qualquer planejamento consistente ao seu redor. Sua ausência no Mundial já não surpreende pelo nível técnico, mas sim pela incapacidade de chegar em forma ao torneio.
Not a single Real Madrid player has made Spain’s World Cup squad 🇪🇸 pic.twitter.com/j3QANIapkD
— B/R Football (@brfootball) May 25, 2026
Fran García voltou ao clube para ajudar no rodízio, mas duas temporadas depois ainda não se encontrou. Houve até uma negociação de empréstimo em janeiro que chegou perto do fim. O jogador teria se despedido de companheiros em Valdebebas antes de a operação ser cancelada. Irregular em campo e nunca de fato nos planos da seleção espanhola, García representa uma aposta que ainda não decolou.
Carreras é o caso mais delicado na análise da diretoria. Sua ausência até mesmo da pré-lista de Luis de la Fuente aumenta as dúvidas sobre a evolução imediata do jovem lateral. No Madrid, a confiança no potencial dele permanece, mas a temporada estagnou mais do que o esperado, e o salto de qualidade aguardado ainda não chegou.
Cinco laterais, cinco histórias diferentes, um resultado comum. O Real Madrid chega à Copa do Mundo sem representantes na posição que já foi uma grande força e com a necessidade de resolver esse quebra-cabeça antes que a próxima temporada comece.