Futebol espanhol

Assim como a regra que puniu o Real Madrid é justa, os filhos de Zidane são exceções

A punição foi dura e fere o Real Madrid. Sem contratações por duas janelas de transferências. Sem possibilidade de reforçar o time, buscar novas peças e, também, fazer funcionar a máquina midiática que gera tanto dinheiro ao clube. Os merengues vão apelar ao Comitê de Apelação da Fifa e apresentar o seu lado da discussão. Realmente culpados ou não de aliciar jovens estrangeiros para as categorias de base, a regra que culminou na sanção ao Real Madrid faz sentido.

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Ela existe para evitar que os poderosos da Europa prospectem na base de outros países e roubem as revelações de clubes mais modestos, sem bala na agulha para resistir. É proibido contratar menores de idade que não possam confirmar que os pais tenham uma relação empregatícia na região que não seja relacionada ao futebol. O problema é que existem exceções. Jogadores de futebol muitas vezes viajam com suas famílias. Muitas vezes, os filhos também querem ganhar a vida chutando bola. Em alguns casos, as crianças chamam-se Zidane.

O Real Madrid tem 39 jogadores estrangeiros em suas categorias de base, e segundo o diretor geral José Ángel Sánchez, oito deles foram considerados pela Fifa em situação irregular. Nesse grupo, estão Enzo e Luca, que nasceram em 1995 e 1998 na França, respectivamente, e se mudaram para a capital espanhola com o pai Zinedine em 2001. Os outros dois filhos do craque, Theo e Elyaz, já nasceram na Espanha. Outro que chama a atenção é o irmão de Ezequiel Garay, que defendeu os merengues entre 2008 e 2011.

O Real Madrid, naturalmente, nega que tenha feito qualquer coisa errada. “Este clube não contribuiu para o desenraizamento familiar de jogadores menores de 18 anos”, afirmou Sánchez. “A argumentação está tão equivocada que conduz a situações absurdas, como ter nas categorias de base o filho do Zidane ou o irmão de Garay. Os outros casos são exatamente iguais”.

Se a regra serve para proteger a maioria dos clubes e dos jovens, ela também pode ser injusta, como nos casos citados acima. Como definir um critério para as exceções? Se for o filho de um jogador que ganhou uma Copa do Mundo e um punhado de Bolas de Ouro, tudo bem? É um problema para a Fifa. Esses casos devem ser resolvidos na apelação, a não ser que a entidade seja realmente intransigente.

Porque parece muito óbvio que os filhos de Zidane não foram aliciados para as categorias de base do Real Madrid. “Eu tenho uma vida aqui com meus filhos e minha família”, disse o treinador do clube. “Não apenas os meus filhos, mas muitas famílias são como a minha. Estou, sim, um pouco chateado com isso tudo, mas não posso impedir que essas coisas absurdas e difíceis de aceitar aconteçam”.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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