Espanha

Jordi Alba se aposenta da seleção espanhola como começou: campeão

Vencedor em 2012 e 2023, Jordi Alba encerrou lindo ciclo pela Espanha como merecia

Quando se fala em jogadores que fizeram história seleção espanhola, nomes como os de Andrés Iniesta, Xavi Hernández, Raúl, Iker Casillas e Sergio Ramos são rapidamente mencionados. Já o de Jordi Alba nem sempre é lembrado, mas não deixa de ter sido um dos mais importantes dos últimos 12 anos. Importante no fim da geração mais vitoriosa de La Roja, o lateral-esquerdo decidiu se aposentar da seleção aos 34 anos e da mesma forma que começou: campeão.

Convocado pela primeira vez para representar a Espanha no fim de 2011, Alba precisou de apenas cinco partidas para impressionar o então técnico Vicente del Bosque e ser chamado para a Eurocopa de 2012. Mesmo tendo 22 anos, disputando seu primeiro torneio de seleções e chegando em um grupo consolidado com conquistas gigantescas (Copa do Mundo de 2010 e Eurocopa de 2008), ele mostrou personalidade e foi titular absoluto na vitoriosa campanha.

Quase 11 anos depois, Jordi Alba voltou a levantar uma taça pela Espanha. Em junho de 2023, faturou a Liga das Nações como capitão. A final vencida sobre a Croácia nos pênaltis, na Holanda, foi justamente sua última exibição pela seleção. Mais de dois meses depois, o jornal espanhol Marca noticiou que o veterano optou por encerrar este ciclo, tendo já comunicado a decisão ao treinador Luis de la Fuente. Um fim digno e justo para alguém que, mesmo menos lembrado que craques de sua geração, fez história.

Mais do que só titular

Ser titular da Espanha na conquista de uma Eurocopa aos 22 anos já seria impressionante. Mas Jordi Alba foi mais do que isso. O lateral disputou todos os minutos dos seis jogos da campanha e foi fundamental no mata-mata.

Antes, na fase de grupos, esteve no empate em 1 a 1 com a Itália, na goleada por 4 a 0 sobre a Irlanda e na vitória por 1 a 0 contra a Croácia. Nas quartas de final, mostrou a velocidade e poder de chegada até o último terço do campo que marcaram sua carreira, dando a assistência para Xabi Alonso abrir o placar no 2 a 0 diante da França.

Na sequência, participou dos 120 minutos do empate sem gols com Portugal e viu do meio do campo uma dramática disputa de pênaltis que terminou em vitória por 4 a 2. Já na grande decisão, Jordi Alba apresentou novamente sua força ofensiva, superando a defesa da Itália com muita velocidade e sendo frio na frente de ninguém mais que Gianluigi Buffon para marcar o segundo gol da goleada por 4 a 0. Como se o tudo isso não bastasse, ele ainda integrou a seleção da Eurocopa.

Outro papel, mas mesmo desfecho

Se em 2012 era um dos mais novos da delegação espanhola, em 2023 Jordi Alba foi para a fase final da Liga das Nações já como um dos veteranos. Tendo disputado quatro dos seis jogos da fase de grupos do torneio, sendo titular em três e marcando um gol na derrota por 2 a 1 para Suíça, o lateral não era presença certa na primeira convocação de Luis de la Fuente, mas foi chamado e ainda recebeu a braçadeira de capitão.

Na Holanda, Alba não conseguiu repetir o protagonismo de 11 anos antes. Defensivamente, não teve boa atuação na semifinal contra a Itália, mas contou com a ajuda do VAR para sua falha em um gol impedido de Frattesi cair no esquecimento e a Espanha vencer por 2 a 1.

Também não teve uma exibição de destaque na decisão contra a Croácia, mas foi o líder de uma equipe repleta de garotos de muita capacidade técnica como Gavi, Yeremi Pino e Ansu Fati. Após um empate em 0 a 0 em 120 minutos, o triunfo por 5 a 4 nos pênaltis permitiu que Jordi Alba tivesse o mesmo desfecho que no dia 1º de julho de 2012, em Kiev.

Outros torneios e números pela Espanha

A Eurocopa de 2012 e a Liga das Nações 2022/23 foram as duas conquistas de Jordi Alba com a Espanha, além de terem um simbolismo bonito por iniciar e encerrar sua carreira pela seleção. Nos 11 anos que separaram os títulos, no entanto, o lateral também somou marcas expressivas.

Logo depois da Eurocopa, Alba disputou os Jogos Olímpicos de Londres. Titular absoluto, não foi capaz de evitar uma pífia campanha que terminou com eliminação na fase de grupos e nenhum gol marcado, com derrotas para Honduras e Japão e um empate com Marrocos.

Nos dois anos seguintes, veio para o Brasil participar da Copa das Confederações e de sua primeira Copa do Mundo. No torneio de 2013, foi titular em quatro das cinco partidas da Espanha, incluindo a derrota por 3 a 0 para a Seleção Brasileira na grande final. Apesar do vice-campeonato, deixou uma boa impressão com os dois gols marcados contra a Nigéria na fase de grupos.

Já em 2014, não repetiu o nível apresentado nos dois anos anteriores pela seleção espanhola principal. Atual campeã na época, La Roja acabou eliminada precocemente na fase de grupos, sendo goleada pela Holanda e perdendo para o Chile nos dois primeiros desafios na fase de grupos.

Depois do Mundial no Brasil, a Espanha passou por uma reformulação, com muitos dos grandes nomes da geração vencedora de anos antes parando de fazer parte das convocações. Jordi Alba permaneceu absoluto na lateral-esquerda, mas viu sua seleção oscilar nas competições. Foi eliminado nas oitavas de final da Eurocopa de 2016 e nas Copas do Mundo de 2018 e 2022, além de ter sido eliminado na Euro disputada em 2021 pela Itália, que acabaria sagrando-se campeã.

Com exceção da derrota para o Japão no Mundial do Catar, Alba disputou todos os jogos da Espanha como titular nas quatro campanhas, o que não pode deixar de ser destaque pela ausência de troféu no período. Apesar de ser figurinha carimbada nas principais competições entre seleções, o defensor só havia realizado uma partida na Liga das Nações antes da última edição e não fez parte do plantel vice-campeão em 2021, quando a França levou a melhor.

Ao todo, Jordi Alba disputou 93 jogos pela Espanha, marcando dez gols e dando 22 assistências. Foi premiado com a faixa de capitão em cinco oportunidades e deixou seu nome na história do futebol espanhol.

Os sucessores de Jordi Alba

Segundo o jornal Marca, Jordi Alba decidiu se aposentar da seleção depois de assinar com o Inter Miami, dos Estados Unidos. O lateral teria concluído que não seria possível conciliar sua vida familiar e seus compromissos pelo novo clube com as convocações e optou por abrir espaço para novos jogadores.

A saída de Alba não é nenhum pesadelo para a Espanha, que conta com bons e promissores laterais-esquerdos. Alejandro Baldé, de 19 anos, já foi o sucessor de Jordi Alba no Barcelona e esteve na Copa do Mundo do Catar, saindo banco em três partidas e sendo titular na derrota para o Japão. No triunfo por 3 a 0 sobre a Noruega pelas Eliminatórias para Eurocopa, no início do ano, disputou os 90 minutos e deu uma assistência.

Alejandro Baldé sucedeu Jordi Alba na lateral-esquerda do Barcelona e pode fazer o mesmo na Espanha (Foto: Icon sport)

Outra promessa é Fran García, que tem 24 anos e foi recentemente contratado pelo Real Madrid. Quando ainda defendia o Rayo Vallecano, foi convocado e fez parte do grupo que venceu a Liga das Nações, mas ainda não entrou em campo pela seleção principal.

José Luis Gayà, do Valencia, é mais uma opção, mas menos animadora por ter 28 anos e uma possível margem menor para evolução. Por outro lado, é quem tem mais experiência dentre os três, tendo disputado 19 jogos pela Espanha, marcando três gols e dando quatro assistências.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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