Liga das Nações
Tendência

A Espanha frustra o sonho da Croácia e é campeã da Liga das Nações com a vitória nos pênaltis

O empate por 0 a 0 se estendeu durante os 120 minutos, mesmo com boas oportunidades aos times, e Unai Simón se tornou herói do título ao pegar dois pênaltis

A Croácia tinha uma oportunidade imensa de se sagrar campeã, na decisão da Liga das Nações. Os croatas chegavam com o peito inflado pela ótima Copa do Mundo e também pelo épico nas semifinais contra a Holanda. Entretanto, a geração de Luka Modric amarga mais um vice. Os comandados de Zlatko Dalic não desempenharam seu máximo na final no Estádio De Kuip e viram a Espanha ficar com a taça. Seria uma decisão equilibrada. A partida teve alternância entre os times, sem tantas finalizações claras, mas com alternativas ofensivas. O empate por 0 a 0 prevaleceu durante os 120 minutos, com os balcânicos parecendo sentir o desgaste da segunda prorrogação consecutiva. Já nos pênaltis, a Roja se deu melhor com a vitória por 5 a 4. Unai Simón defendeu dois pênaltis e Dani Carvajal fechou a contagem com uma sublime cavadinha, no primeiro troféu dos espanhóis desde a Euro 2012.

O título da Espanha não demarca necessariamente um momento específico, como aconteceu com a anterior geração dourada do país. É um elenco com muitas opções, mas sem tantos protagonistas, que oscilou em suas últimas participações internacionais. Mas não se nega que a Roja aprendeu a disputar a Liga das Nações. Depois do vice em 2021, termina com o caneco em 2023. O grande nome da campanha foi Rodri, ótimo nas duas partidas do Final Four. Aymeric Laporte, mesmo perdendo pênalti, e o interminável Jordi Alba também foram bem na decisão. Já nos penais, Unai Simón de novo corresponde à confiança, como herói na marca da cal. Luis de la Fuente ganha calma para conduzir seu trabalho recém-iniciado e tentar dar passos maiores.

A Croácia, por sua vez, sente bastante o vice-campeonato. É natural o lamento, diante da oportunidade que estava no horizonte. Os croatas podiam mesmo ser considerados os favoritos do torneio, mas não foram tão efetivos em Roterdã neste domingo. O meio-campo funcionou de novo com Luka Modric e Marcelo Brozovic, enquanto Martin Erlic e Josip Sutalo se entenderam perfeitamente na zaga. Ivan Perisic pode ser considerado até mesmo o melhor dos 120 minutos, mas não teve a colaboração do ataque na hora das conclusões. Fica a impressão de que não surgirá outra ocasião tão boa para os balcânicos enfim serem campeões – o que seria o prêmio a um processo e também a tantas lendas do país, sobretudo Modric.

Escalações

A Croácia repetiu 10 dos 11 titulares em relação à vitória na semifinal contra a Holanda. A única ausência na equipe de Zlatko Dalic era o zagueiro Domagoj Vida. Dominik Livakovic continuava no gol, com a defesa composta por Josip Juranovic, Martin Erlic, Josip Sutalo e Ivan Perisic. O meio tinha seu trio dourado com Luka Modric, Marcelo Brozovic e Mateo Kovacic. Já na frente, Mario Pasalic e Luka Ivanusec davam apoio ao centroavante Andrej Kramaric.

A Espanha, por sua vez, tinha duas trocas. Luis de la Fuente tirou Mikel Merino e Rodrigo Moreno, promovendo as entradas de Fabián Ruiz e Marco Asensio. Unai Simón abria a escalação, com a zaga formada pelos “franceses” Aymeric Laporte e Robin Le Normand, além dos veteranos Jesús Navas e Jordi Alba nas laterais. O meio reunia Rodri e Fabián Ruiz na cabeça de área. A trinca de meias alinhava Marco Asensio, Gavi e Yéremy Pino. Já o comando do ataque era de Álvaro Morata.

Primeiro tempo

Foi um início de partida com poucas aberturas, sem que os times se arriscassem tanto. A Croácia conseguia ter mais posse de bola, mas a Espanha adiantava suas linhas e travava a construção dos adversários. Além disso, a Roja não tinha pressa quando retomava a posse. O gol quase saiu aos oito minutos, por uma bobeira do goleiro Livakovic. Fabián Ruiz cruzou e, na tentativa de defender em dois tempos, o arqueiro desviou a bola contra a própria trave. Seria um frango imenso, salvo pelo poste. O rebote ainda quase ficou vivo com Morata, que estava impedido. Já aos 12, Gavi roubou uma bola na entrada da área e mirou o canto, num chute que saiu perto da trave. Só depois disso os croatas acordaram e o duelo se concentrou na intermediária.

A Croácia passou a buscar um pouco mais as bolas em profundidade por volta dos 20 minutos. Numa dessas, Erlic descolou um excelente lançamento para Kramaric nas costas da zaga. O centroavante ia invadindo a área com liberdade, mas Laporte travou no momento exato e, com a ponta da chuteira, deu um carrinho para fora na hora em que o adversário engatilhava o chute. Logo depois, Le Normand também foi ótimo para bloquear Pasalic num cruzamento rasteiro. A Espanha responderia no jogo aéreo, inclusive com uma boa cabeçada de Rodri que o próprio Morata barrou sem querer.

Neste momento, a Croácia era mais capaz de criar boas chances em poucos toques. Com a defesa da Espanha adiantada, sobravam espaços para os balcânicos explorarem. Outro lance perigoso pintou aos 31, num cruzamento que Perisic cabeceou no canto e Unai Simón foi buscar. O lateral depois tentou fazer as vezes de garçom, num cruzamento que passou por todo mundo. Já aos 38, seria a vez de Brozovic pintar como elemento surpresa. Até perdeu o tempo de bola, mas salvou a jogada e deu o passe rasteiro que ninguém completou na pequena área. E as ameaças continuariam, com nova cabeçada de Perisic, bem defendida por Unai Simón. A Roja só voltou a responder aos 42, mas a cabeçada de Morata não teve direção.

Segundo tempo

A Espanha voltou para o segundo tempo com mais posse, mas a Croácia de novo mostrava como era mais direta em suas ações. Os espaços nas pontas ressurgiam e, aos seis minutos, Perisic chegou à linha de fundo. Juranovic teve a chance de bater dentro da área pela direita e pegou mal na bola, em tiro que passou longe da meta de Unai Simón. Quando a Roja voltou a chegar, era também tendo os cruzamentos como principal recurso. Aos 12, Jordi Alba passou em velocidade pela esquerda e cruzou. Asensio saltou soberano no meio da área e cabeceou com perigo, por cima do travessão. Do outro lado, a Croácia pecava só nos detalhes. Kramaric se atrapalhou num bom lance e depois Pasalic cabeceou na parte externa da rede.

A primeira mudança aconteceu aos 17 minutos, com Bruno Petkovic dando mais força ofensiva à Croácia no lugar de Pasalic. A partida ficava mais pegada, com entradas firmes, e Rodri deu um chute perigoso que seguiu para fora aos 21. Na sequência, a Espanha realizou duas trocas, com Joselu e Ansu Fati nos postos dos apagados Morata e Pino. Com as alterações, os dois times voltaram a se travar na intermediária. Somente aos 30 é que uma chance de gol pintou novamente, numa bola esticada para Ansu Fati. Livakovic afastou no limite da área e Fabián Ruiz tentou o chute por cobertura, com o goleiro fora de posição, mas mandou para fora. Ruiz e Le Normand logo dariam lugar a Mikel Merino e Nacho Fernández. Já a novidade croata era Nikola Vlasic, saindo Ivanusec.

A Espanha teria uma sequência de ótimas jogadas aos 40. Primeiro quase forçou um erro na saída de bola da Croácia e Livakovic precisou rifar. Depois, numa envolvente trama pela esquerda, Ansu Fati teve tempo de dominar e bater no meio da área. Perisic apareceu salvadoramente para impedir a bola de entrar, quase em cima da linha. Dani Olmo foi a quinta mudança espanhola, suplantando Gavi aos 42. E com a Croácia mais desconcentrada atrás, outro susto ocorreu aos 45. Navas lançou Asensio, que escapou sozinho pela direita e bateu de primeira, mas a bola cruzada seguiu pela linha de fundo. Os croatas até deram mais corpo ao meio-campo depois disso, com Lovro Majer na posição de Kramaric. E os acréscimos não mudaram o cenário, rumo a mais uma prorrogação.

Prorrogação

A prorrogação se iniciou com muita cautela. Logo a Espanha ganharia dois cartões amarelos, com Nacho e Rodri. Também seria a primeira a mudar, renovando o gás na lateral com Dani Carvajal no lugar de Jesús Navas. Os espanhóis tinham mais posse de bola no tempo extra e a Croácia tentava uma escapada certeira. Quase aconteceu aos dez minutos. Kovacic acionou Majer, que ia entrando na área pronto para a definição. Nacho deu um carrinho perfeito, na bola, para evitar os riscos. Antes do intervalo, Olmo teve uma escapada do outro lado e mandou um petardo por cima, em sobra de bola na entrada da área. Ainda daria tempo para um chute fraco de Brozovic, sem dificuldades para Unai Simón.

A Espanha voltou para o segundo tempo da prorrogação tentando garantir a vitória com bola rolando. A Roja aumentou bastante a intensidade e partiu para a pressão. Ansu Fati teve um cruzamento nas mãos de Livakovic, enquanto um chute desviado de Olmo saiu muito perto da trave. Os espanhóis conseguiram uma sequência de escanteios sem aproveitar. A Croácia estava mais desgastada, mas encaixou um bom ataque aos cinco minutos, num chute rasteiro de Vlasic que Unai Simón agarrou. O jogo ficava mais corrido, com avanços dos croatas, mas mais uma finalização espanhola com Rodri. O volante arriscou de fora e Sutalo conseguiu o importante desvio para fora. Nos minutos finais, seria a vez de ver os croatas à frente, sem sucesso na empreitada. O campeão seria mesmo coroado nos pênaltis.

Os pênaltis

Antes que a disputa por pênaltis começasse, rolou até uma confusão entre os dois times na beira do campo, logo apartada. A Croácia foi primeiro para a marca da cal e Vlasic abriu o placar. Joselu mandou forte na sequência e deixou tudo igual. Brozovic recolocou os croatas na dianteira novamente, antes de Rodri marcar. Modric bateu no meio da meta para fazer, enquanto Merino assinalou com muita calma. O primeiro desperdício aconteceu no quarto chute da Croácia, quando Majer não chutou bem e Unai Simón defendeu com a perna. Asensio bateu no alto e colocou os espanhóis em vantagem. E depois que Perisic deixou tudo igual, Laporte perdeu a chance do título com uma pancada no travessão.

Começaram então as batidas extras. Bruno Petkovic foi um personagem fundamental aos sucessos recentes da Croácia. Seria exatamente ele a perder a cobrança decisiva, a sexta de seu time. O centroavante mirou o canto esquerdo e Unai Simón foi buscar, com uma defesaça. Por fim, o peso de decretar a conquista caiu sobre as costas de Dani Carvajal. Preponderou a experiência do lateral, que definiu a vitória com uma levíssima cavadinha. A consagração de uma Espanha novamente campeã depois de 11 anos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
Botão Voltar ao topo