Quando Abidal descobriu que tinha um tumor no fígado, em março de 2011, sentiu a impotência de não controlar mais o próprio futuro. Estava em forma, era parte de um dos maiores times da história, e queria continuar a sua carreira de futebol profissional. Não sabia se sobreviveria ao tratamento, nem se teria condições físicas de voltar a jogar. Não estava em suas mãos. Mas ele superou a doença, voltou a ser o senhor do próprio destino, e na próxima sexta-feira, nos seus próprios termos, anunciará o fim da carreira.
LEIA MAIS: Daniel Alves quis arriscar a carreira para salvar Abidal
A última partida do jogador de 35 anos, bicampeão europeu, tri francês e tetra espanhol, membro da seleção francesa durante dez anos, com 67 partidas e um vice-campeonato mundial, foi na última quarta-feira. O seu Olympiakos ganhou do Panionios, por 2 a 0, pelo Campeonato Grego. Depois da partida, o treinador espanhol Michel antecipou o assunto da entrevista coletiva que Abidal convocou para a próxima sexta-feira. “Ele decidiu deixar o Olympiakos há dois meses. Eu estou orgulhoso de ter sido seu treinador”, disse à AFP. O jornal espanhol El País também confirma a aposentadoria.
Ele passou por diversas cirurgias e viu sua carreira ser prejudicada pelo Barcelona, embora tenha sido titular na final da Liga dos Campeões de 2011, apenas dois meses depois de descobrir a doença. Depois do transplante de fígado, porém, jogou muito pouco. Decidiu voltar para casa e foi segundo colocado da Ligue 1 com o Monaco. Renovou contrato, mas transferiu-se para a Grécia, com um acordo de dois anos, que não será cumprido. “As decisões pessoais devem prevalecer sobre as do campo”, afirma Michel, sem ressentimentos. Escalou o experiente defensor como titular em oito das 14 partidas do Olympiakos na Grécia, nesta temporada, e em todas as seis da Liga dos Campeões.
Agora, Abidal voltará ao Barcelona. Não será mais o guardião da lateral esquerda, mas de jovens ao redor do mundo. Quando decidiu voltar ao Monaco, acertou com o então presidente Sandro Rosell que retornaria à Catalunha para assumir a direção técnica das escolinhas mundiais do clube. Tem, segundo o ex-dirigente, as três características necessárias para o trabalho: conhece futebol, tem uma personalidade didática e um caráter humano.
Além de uma história de superação e luta para inspirar as crianças. Abidal venceu o câncer, o transplante e as dúvidas, dos colegas, dos amigos e as suas próprias. O prêmio foram mais dois anos praticando o esporte que o moldou desde que estreou pelo Monaco, há 14 anos, e se aposentar exclusivamente no momento em que decidir. Retomar o controle do próprio destino. Sem contar que ainda tem o resto da vida pela frente.
Você também pode se interessar por:
>>>> Abidal ainda guarda ressentimentos do Barcelona



