Copa do Mundo 2026

Uruguai x Espanha: Para sonhar com classificação, Celeste terá que rememorar jogos de 2023

Vitórias sobre Brasil e Argentina foram ponto alto da era Marcelo Bielsa na seleção uruguaia

O Uruguai chega pressionado para a última rodada da Copa do Mundo e terá uma enorme pedreira pela frente. Após empates com Arábia Saudita, 1 a 1, e Cabo Verde, 2 a 2, a seleção sul-americana enfrenta a Espanha, uma das favoritas ao título, nesta sexta-feira (28), às 21h (horário de Brasília), em jogo decisivo para saber se avança à fase de 16-avos. Uma derrota decreta a eliminação.

A Celeste Olímpica encontrará um cenário em que se verá pressionada e terá menos a bola nos pés pela primeira vez no Mundial. Contra os sauditas, só foi pressionada no momento em que sofreu o gol, acumulando 59% e 75% de posse de bola no primeiro e segundo tempo, respectivamente.

  
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Os cabo-verdianos tiveram a bola só por 35% do tempo; o selecionado uruguaio, com mais dificuldades defensivas, foi mais criativo. Somando os dois jogos, foram 44 finalizações, 77 tentativas de cruzamentos, três grandes chances e 4,04 gols esperados, segundo dados do “SofaScore”.

Frente aos espanhóis, o contexto será invertido, e o Uruguai terá a necessidade de ser perigoso e certeiro nos contra-ataques caso queira passar de fase. Para servir como exemplo, o grupo treinado por Marcelo Bielsa tem dois bons jogos para lembrar: vitórias sobre Brasil e Argentina em 2023, ambas por 2 a 0, pelas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial.

Como seleção uruguaia venceu Brasil e Argentina

De la Cruz comemora gol pela seleção uruguaia sobre o Brasil, em 2023
De la Cruz comemora gol pela seleção uruguaia sobre o Brasil, em 2023 (Foto: IMAGO / Action Plus)

As partidas tiveram adversários em momentos bem diferentes e contextos distintos, mas há diversos fatores que conectam os resultados que tiveram o espaço de menos de um mês. Entre os pontos coincidentes, está a absoluta efetividade do Uruguai, que precisou de apenas cinco chutes para vencer os brasileiros e seis contra os argentinos.

Outra questão foi a postura da marcação. Como de praxe com Bielsa, havia muita intensidade com encaixes individuais e, se a marcação seria batida, apelava para as faltas — somado, foram 40 infrações nas duas partidas. No entanto, a equipe não tinha vergonha de recuar em alguns momentos para um bloco mais baixo, que não deixava de ser agressivo.

Foi a partir de um perde e pressiona que Matias Viña roubou uma bola e cruzou para Ronald Araújo abrir o placar e calar a Bombonera lotada. Lionel Messi comentou após a partida que a Argentina “nunca se sentiu confortável” com a bola.

Outro ponto abordado pelo camisa 10 foi como o Uruguai impôs um ritmo rápido, com muitos ataques verticais, que forçou o mandante a jogar igual. “O jogo foi disputado em ritmo acelerado e acabamos nos adaptando a esse estilo, que não é o ideal para nós.”

Ter Darwin Núñez, um atacante muito veloz e potencializado em ataques rápidos, foi decisivo para isso. Em contra-ataque, ele fez o segundo gol dessa vitória histórica, a primeira da Celeste em solo rival pelas Eliminatórias.

Contra o Brasil, à época comandado por Fernando Diniz, o Uruguai não precisou ser tão vertical. Mesmo com apenas 39% de posse de bola, conseguiu diminuir o ritmo às vezes — teve 37% na partida com a Albiceste. A partir de laterais, marcou os dois gols em cruzamentos precisos, sua maior arma na Copa do Mundo que ocorre neste momento.

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O que essas vitórias ensinam para Uruguai x Espanha?

Darwin Núñez após gol que confirmou vitória do Uruguai sobre Argentina em 2023
Darwin Núñez após gol que confirmou vitória do Uruguai sobre Argentina em 2023 (Foto: IMAGO / PhotoCero5)

A efetividade no ataque, para em poucos chutes marcar, como visto nesses clássicos sul-americanos, é algo que o Uruguai deve ter como norte no momento ofensivo. Sem a bola, a dedicação e raça tradicionais da seleção celeste para vencer duelos e desarmes serão decisivas para evitar que a Espanha não fique confortável com a bola no pé. Augustín Canobbio e Maxi Araújo, pontas rápidos e dedicados sem bola, são peças importantes nisso.

— O jogo da Espanha é de associação. […] Teremos que nos defender. Mas uma das melhores formas de se fazer isso é não permitir que o adversário fique muito tempo com a bola. Vamos tratar para que isso não aconteça — assumiu Bielsa em entrevista coletiva antes do confronto.

— A Espanha fica pior quanto menos tempo tiver a bola. Essa ideia não muda — disse, em outra resposta.

Os europeus já mostraram neste Mundial dificuldades contra uma seleção muito dedicada defensivamente, o Cabo Verde, que ficou no 0 a 0 no primeiro jogo da competição.

A questão é que a seleção espanhola não tinha Lamine Yamal, que já voltou para a segunda partida e foi decisivo para a vitória por 4 a 0. O jovem traz a arma do drible e criatividade capaz de furar uma retranca. A qualidade do ponta rival não é o único ponto decisivo que pode mudar essa partida.

Seleção uruguaia precisará se mobilizar para repetir atuação na Copa do Mundo

Bielsa em Uruguai x Cabo Verde na Copa do Mundo
Bielsa em Uruguai x Cabo Verde na Copa do Mundo (Foto: IMAGO / Icon Sportswire)

Não se completaram nem três anos daquelas duas partidas, mas parecia outra era da seleção uruguaia. Eram os primeiros meses com Bielsa no comando, período marcado por boas atuações e um futuro promissor, pelo menos até a Copa América de 2024, quando o pós-competição desaguou na revelação de problemas de relacionamento do elenco com o treinador argentino.

Até hoje, essas questões não parecem resolvidas e voltaram à tona agora. Segundo informações da rádio “El Desmarque”, Sergio Rochet, Manuel Ugarte, Rodrigo Bentancur e Federico Valverde teriam pedido uma reunião com o técnico para reclamar que os treinamentos estariam tão intensos que estavam deixando-os cansados para as partidas.

O quarteto ainda pediu para que o time jogasse de forma mais recuada contra a Espanha, de forma menos agressiva, para buscar só os contra-ataques. Segundo os relatos, Bielsa não concordou com a visão do grupo e manterá sua ideia.

Ou seja, contra a Espanha, o elenco e Bielsa precisarão superar, além de um adversário superqualificado, suas diferenças para evitar uma segunda eliminação seguida em fase de grupos na Copa do Mundo.

— Será como uma final, em que é preciso levar em consideração cada detalhe e que a vontade de lutar por cada metro e por cada bola estará no seu máximo — afirmou Bielsa.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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