Copa do Mundo

Saiu barato: Fifa pune Hungria com um jogo de portões fechados por racismo da torcida

Fifa decidiu punir os húngaros com um jogo com estádio fechado ao público e poderá ser punido com outro jogo em caso de outra infração

A Fifa decidiu punir a Hungria pelo comportamento racista da sua torcida no jogo contra a Inglaterra, pelas Eliminatórias da Copa, e os húngaros terão que jogar uma partida com portões fechados. Além disso, a Federação Húngara recebeu multa de 200 mil francos suíços (cerca de € 185 mil). Fica também com um jogo probatório por dois anos, ou seja, só será ativado se houver nova infração. Uma punição que saiu muito barato, mais uma vez, como é habitual em casos desse tipo no futebol.

Durante o jogo, que a Inglaterra venceu por 4 a 0, torcedores imitaram macacos para Raheem Sterling, Jude Bellingham. O jogo foi realizado em Budapeste, onde já houve comportamentos racistas e homofóbicos durante a Euro 2020. A Uefa já tinha punido a Hungria com jogos com portões fechados, algo que não foi cumprido pelos húngaros no jogo das Eliminatórias da Copa. Ainda proibiu que a Allianz Arena se iluminasse com cores do arco-íris em protesto contra a lei homofóbica aprovada na Hungria.

O jogo tinha a organização da Fifa, já que era um evento de Eliminatórias da Copa. O estádio estava cheio, com capacidade para 60 mil pessoas, apesar da Hungria ter sido punida por causa da Euro 2020. Ignorou-se o lançamento e as coisas seguiram como estavam – empurrando a punição para frente. Veio novo comportamento racista e a punição foi a mesma. Quem garante que será cumprido?

“O Comitê Disciplinar da Fifa impôs uma suspensão e uma multa substancial à Federação Húngara de Futebol (MLSZ) em relação ao comportamento racista de muitos torcedores durante o jogo das Eliminatórias da Copa entre Hungria e Inglaterra no dia 2 de setembro”, diz o comunicado da Fifa.

“Depois de analisar e levar em consideração todas as circunstâncias do caso, especificamente a seriedade dos incidentes (palavras e ações racistas, lançamento de objetos, acendimento de sinalizadores, escadas bloqueadas), o Comitê decidiu que a MLSZ jogaria seus próximos dois jogos em casa em competições da Fifa sem público, com a segunda partida suspensa por um período probatório de dois anos”, continua o texto.

“Além disso, o Comitê impôs uma multa de 200 mil francos suíços. A posição da Fifa continua firme em rejeitar qualquer forma de racismo e violência, assim como qualquer outra forma de discriminação e abuso. A Fifa adota uma postura clara de tolerância zero contra esse tipo de comportamento repulsivo no futebol”, afirma a Fifa.

O discurso é bonito, mas a rigor, a punição ainda é pequena. A Fifa, claro, não tem poder de polícia – e nem deve ter – e a maior punição deveria ser ao indivíduo que cometeu atos racistas. Mas, além disso, está claro que é preciso ir além e fazer punições às seleções (e clubes, quando for o caso), porque é preciso que esportivamente as federações e clubes sofram as consequências. Até para que elas mesmas ajam para inibir esse tipo de comportamento.

A Hungria é uma infratora recorrente nesse quesito, assim como Brasil e, principalmente, México também são por cantos homofóbicos nos estádios. As punições claramente estão sendo brandas demais. Será preciso ir além: tomar multas realmente pesadas, porque 200 mil francos suíços é menos do que a entidade arrecada em um amistoso. É preciso que haja também punições esportivas que vão além de jogos com portões fechados e comece a ser discutido inclusive perda de pontos.

Está claro que Uefa, Fifa, Conmebol e todas as confederações e federações não fazem o bastante para combater comportamentos deploráveis dos torcedores. Por enquanto, eles continuam enxugando gelo, bradando palavras fortes em comunicados e nada mais. Parece que vivemos a era das notas de repúdio – inconformadas e inúteis. Servem muito mais ao propósito de dizer que está fazendo algo do que de fato fazer algo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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