Copa do Mundo

‘Eles estão desesperados pela 6ª estrela’: Auxiliar de Ancelotti revela bastidores da Seleção

Homem de confiança do treinador italiano, Paul Clement exaltou força do elenco do Brasil e deu sua previsão para o Mundial

Antes da bola rolar contra Marrocos na Copa do Mundo, é possível prever como a seleção brasileira se comportará no vestiário do MetLife Stadium. Um grupo de jogadores apresentará um semblante mais leve, repleto de sorrisos e vivacidade. Outros atletas estarão de cara fechada, se concentrando para a estreia. Pelo menos, isso é o que garante Paul Clement, auxiliar técnico de Carlo Ancelotti.

Em entrevista ao portal “The Athletic”, Clement compartilhou bastidores da Seleção antes da rodada de abertura do Grupo C neste sábado (13), às 19h (horário de Brasília), em Nova Jersey. O auxiliar inglês revelou que o ambiente do Brasil é descontraído, mas também, de muita religiosidade.

— É uma atmosfera muito religiosa e espiritual. Há oração antes do jogo e depois, precedida por algumas palavras do capitão, do jogador mais experiente, do técnico ou do diretor da CBF. É muito bonito. Isso promove muita união e camaradagem — declarou Paul Clement.

Homem de confiança do treinador italiano em suas passagens por Chelsea, PSG, Real Madrid e Bayern de Munique, o auxiliar técnico falou sobre a responsabilidade de tentar acabar com o jejum de 24 anos da seleção brasileira sem conquistar um título mundial, enquanto Itália, Espanha, Alemanha, França e Argentina foram bem-sucedidos nas últimas edições do torneio.

— Eles (brasileiros) estão desesperados pela sexta estrela. Todo mundo fala em querer chegar até o fim. Você só precisa garantir que chegará às fases finais e, nesse ponto, tudo se resume a detalhes. Tudo pode acontecer — ponderou Clement.

Paul Clement exalta grupo da seleção brasileira

Vini Jr e Casemiro comemoram gol da seleção brasileira
Vini Jr e Casemiro comemoram gol da seleção brasileira (Foto: Imago/Xinhua)

Para cumprir o objetivo do hexa, o auxiliar confia na experiência do elenco. Apesar das lesões de potenciais titulares antes mesmo do início do Mundial — como Rodrygo, Éder Militão, Estevão e Wesley — Paul Clement aponta que a espinha dorsal do Brasil ainda é “muito forte” e impõe respeito na América do Norte.

— Temos Alisson no gol, Marquinhos e Gabriel (Magalhães) muito sólidos na zaga, experiência nas laterais. Casemiro está vivendo um ressurgimento na Seleção, então ele será fundamental. Teremos Bruno Guimarães, (Lucas) Paquetá e outros no meio-campo… — argumentou o auxiliar técnico.

Contudo, para Clement, a verdadeira força da equipe de Ancelotti reside no ataque. Nomes como Raphinha, Vinicius Jr., (Gabriel) Martinelli e Matheus Cunha representam uma geração mais jovem, mas “fabulosa”. O respeito aos mais velhos é um alicerce fundamental na hierarquia da seleção brasileira.

— O que eu adoro nessa seleção é que ela tem uma liderança muito boa, com jogadores como Marquinhos, Alisson e Casemiro. Outro é o Danilo, que é um superlíder e tem uma personalidade forte, esteja jogando ou não — começou o membro da comissão técnica.

— Os mais jovens admiram muito os mais experientes. Se você já jogou 100 vezes ou mais pela seleção brasileira, existe um respeito genuíno por esses jogadores. Isso ajuda a manter uma certa ordem — completou Paul Clement.

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A importância de Ancelotti para afastar a pressão dos bastidores

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira (Foto: Imago/Brazil Photo Press)
Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira (Foto: Imago/Brazil Photo Press)

Desde que assumiu a Seleção em junho de 2025, o comandante italiano tem sido questionado constantemente sobre o assunto Neymar. Antes da convocação para a Copa, o camisa 10 foi alvo de um debate nacional, com apoiadores e críticos cobrando um posicionamento de Carlo Ancelotti.

Agora, com Neymar em recuperação de uma lesão de grau dois na panturrilha, a discussão é se o meia-atacante terá espaço para ser protagonista da Seleção. Diante do assédio sem fim de torcedores e imprensa, o auxiliar inglês engrandece o papel do treinador italiano em afastar a pressão dos bastidores do Brasil.

— O Carlo sempre se encaixa perfeitamente em uma equipe grande; um vestiário grande, com personalidades fortes. Ele não busca conflitos com as pessoas, (mas sim) extrair o melhor delas. Ele prospera nesse tipo de ambiente — iniciou Clement

— Já o vi algumas vezes assumir o comando do que poderia ser considerado um vestiário potencialmente difícil e egocêntrico, e administrá-lo de forma brilhante — tranquilizou o auxiliar técnico.

— Onde há muita intensidade e muita pressão, o que você não quer é um técnico nervoso e agitado que vá aumentar ainda mais a tensão — finalizou.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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